Pisando leve

Marcha da Maconha. Deputado agora critica João Campos e comando da PM

No primeiro vídeo, ele compara a participação do presidente Bolsonaro na Marcha para Jesus, em Curitiba, ao evento que aconteceu no sábado (21), na Praça do Derby

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 23/05/2022 às 15:04 | Atualizado em 24/05/2022 às 11:10
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Coronel Alberto Feitosa e Anderson Ferreira PL - FOTO: Divulgação
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Depois de ter pedido publicamente a prisão de manifestantes da marcha da maconha, realizada no Recife, no sábado, e ter sido ignorado, o deputado bolsonarista Alberto Feitosa voltou às redes sociais, nesta segunda, para informar que iria ao Ministério Público pedir providências. Na fala, ele reclama agora do prefeito João Campos e faz críticas indiretas ao comando da PM, por permitir o evento a poucos metros do quartel da PM. Ele garante que foram consumidas drogas na concentração e na passeata.

De fato, o deputado entrou hoje com uma notícia crime no Ministério Público, para que sejam investigados possíveis crimes cometidos pelos organizadores e envolvidos na “Marcha da Maconha”.

"Chegou ao nosso conhecimento, através de filmes, fotos e denúncias, que pessoas comercializavam e consumiam drogas ilícitas durante o evento, com o agravante de ter a presença de crianças no local. Estão corrompendo as nossas crianças, em plena luz do dia e em praça pública! O manifestantes usavam drogas livremente e ainda gritavam “Ei polícia, maconha é uma delícia!” em cima de carro de som, na tentativa de desmoralizar os policiais ali presentes. É importante lembrar que consumo de droga ilícita é crime”, diz.

"O evento doi realizado na praça do Derby, em frente ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, com a anuência do Governador e o patrocínio de parlamentares e por partido político de esquerda. Em diversos vídeos que recebi, em suas falas, os organizadores deixam bem claro que a “luta” deles é pela liberação de TODAS as drogas e o desencarceramento de pessoas ligadas ao tráfico de drogas, bem como incentivavam o consumo ali, no local”.

Fumaça do bom direito?

“É possível que, sob a cortina de fumaça (literalmente) do evento, diversos atos ilegais tenham sido cometidos, como tráfico de drogas, incitação ao crime e corrupção de menores, atos esses que precisam ser apurados pelo Ministério Público.”, disse Rubem Brito, advogado responsável por confeccionar a peça.

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PRESIDENTE Anúncio da vinda foi feito pelo deputado Alberto Feitosa - DIVULGAÇÃO

Feitosa busca associação com Bolsonaro

No primeiro vídeo, ele compara a participação do presidente Bolsonaro na Marcha para Jesus, em Curitiba, ao evento que aconteceu no sábado (21), na Praça do Derby. O objetivo, ao que parece, é apostar no voto conservador, em ano de tentativa de reeleição.

No vídeo inicial, reclama. "Há imagens mostrando manifestantes consumindo drogas tranquilamente nas ruas. Manifestantes da Marcha da Maconha fazem uso de drogas em frente ao Quartel do Comando da Polícia Militar, com a anuência e proteção do Governador, isso é um absurdo e uma afronta a lei e a ordem!”

Nunca foi tão fácil escolher um lado, enquanto um evento enaltece os valores cristãos e a família, o outro pede o desencarceramento de traficantes e a liberação do uso das drogas! Usar droga é crime e destrói a vida das pessoas e das famílias!” disse o parlamentar.

Marcha da Maconha agora com Bolsonaro

A Marcha da Maconha do Recife esteve de volta às ruas do Recife, após mais de dois anos de atividades apenas virtualmente, por conta das medidas sanitárias de prevenção ao Covid-19. O reencontro aconteceu neste sábado (21). A concentração ocorreu a partir das 14h, na Praça do Derby, ponto de partida de manifestações públicas da cidade. O lema foi “Aperte o Verde Contra o Fascismo: A nossa luta é pelo bem viver”. O ponto de dispersão da passeata foi na Igreja do Carmo, na Avenida Dantas Barreto, no Centro da Cidade.


Beto Figueiroa/Divulgação
Manifestação na Rua da Aurora, no Recife, defende abertura lenta gradual e irrestrita - Beto Figueiroa/Divulgação

Os organizadores disseram que a Marcha da Maconha do Recife representava a necessidade do Brasil retomar o caminho da construção da democracia, da cidadania e do fortalecimento dos direitos humanos e da seguridade social.

Neste ano, a organização da sociedade civil que congrega movimentos e ativistas antiproibicionistas de todo o Estado completa 15 anos de luta pela legalização da Cannabis sativa.


Desde 2008, realiza passeatas, atos e festivais, a favor da vida e das famílias das vítimas da atual política de drogas, pessoas que fazem uso e também as que não fazem uso de substâncias.

“Voltamos ao Mapa da Fome. São milhares de famílias vivendo abaixo da linha da pobreza. Não podemos normalizar essa situação. Tudo isso penaliza ainda mais a população que sofre as consequência da atual política de drogas”, afirmou a comunicadora e produtora Fran Silva, uma das organizadoras da Marcha.

No evento, os coletivos e entidades que compõem a MM do Recife divulgaram à sociedade o Manifesto Antiproibicionista, em que analisam o cenário atual e apontam soluções possíveis.

O documento pode ser acessado por meio do Instagram da Marcha (@mdamaconha).

“Entendemos a luta pela legalização como uma questão de saúde pública e coletiva. Reconhecemos que a maconha e outras substâncias não são proibidas pelo seu nível de periculosidade ou ameaça à saúde; e sim por questões econômicas, que passam por interesses da indústria farmacêutica, das armas e de grupos que lucram com o encarceramento”, ressalta um trecho do manifesto.

Histórico da MM do Recife

A Marcha da Maconha Recife estreou nas ruas do Recife em 2008. Nas primeiras edições, grupos políticos religiosos tentaram impedir na Justiça as pessoas de ocuparem a rua em favor da legalização e pelo fim da violência gerada pela atual política de criminalização.

"O direito à manifestação prevaleceu e a MM do Recife só deixou de ir às ruas em 2020 e 2021. Por conta da pandemia, ela aconteceu virtualmente".

Uso medicinal

Cresce o número de estudos e pesquisas que comprovam os benefícios do uso de derivados de maconha (CBD, THC, entre outros canabinoides) para doenças neurodegenerativas, convulsivantes, dores crônicas, epilepsia, transtorno do espectro do autismo, depressão, ansiedade, entre outras.


No Brasil até o momento, são 11 produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nessa categoria, mas não contemplam toda a população que precisa fazer uso da medicação por motivos financeiros, haja vista os altos valores.

Autocultivo

Em Pernambuco, há grupos que conquistaram Habeas Corpus para a própria produção domiciliar do óleo à base de Cannabis sativa, como o Coletivo de Mães Independentes. As associações de pacientes também progridem na busca de autorizações judiciais para o plantio coletivo em benefício de seus associados. A AMME (Associação Maconha Medicinal), ACOLHER (Associação Brasileira de Cannabis e Saúde) e CANNAPE (Associação Canábica Medicinal de Pernambuco) são algumas.

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