Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Na demissão de ministro, aumento do óleo diesel fortaleceu pressão do Centrão para gasoduto de R$ 100 bilhões para Eletrobras

Demissão do ministro Bento Albuquerque está mais relacionada à sua resistência ao projeto de construção de um gasoduto no Centro Oeste do que ao novo aumento do diesel

Fernando Castilho
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Fernando Castilho
Publicado em 11/05/2022 às 11:10 | Atualizado em 11/05/2022 às 12:46
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
MInistro Bento Albuquerque demitido por Jair Bolsonaro - FOTO: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A sabedoria popular ensina que as pessoas se revelam nos momentos em que precisam decidir entre duas opções. Mas também ensina que é possível se aproveitar desses momentos para afastar quem pensa diferente. E, quase sempre, faz isso sem deixar suas digitais perante os superiores. Isso, naturalmente, revela uma enorme deficiência de caráter, mas ajuda a ficar perto do Rei e se manter bem na corte.

A demissão do ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, pelo que se sabe, não decorreu da irritação do presidente Bolsonaro com o novo reajuste da Petrobras do óleo diesel, nessa segunda-feira, e sua “indignação” com os lucros de R$ 44,5 bilhões da empresa no primeiro trimestre de 2022, como se o seu governo não embolsasse R$ 70 bilhões em impostos de royalties e participações especiais.

Apoplético, o presidente bradou em sua última live no YouTube: "Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais o preço do combustível”.

Como "vocês", cara pálida? "Vocês" é "você" também, que é quem mais recebe lucros e dividendos. Não tem isso de "vocês".

Mas Jair Bolsonaro não pensa assim. Assim como demitiu Bento Albuquerque, vai demitir qualquer um que não se apresentar com as suas opiniões. Inclusive Adolfo Sachsida, que era o chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia, aliado do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Centrão

Mas é preciso olhar um pouco mais distante para ver que o almirante estava na alça de mira não de Bolsonaro, mas do Centrão, a serviço de uma pessoa que prefere manobra no Congresso: Carlos Suarez.

Numa articulação com o Centrão, Suarez conseguiu, ninguém sabe como, articular no Congresso um projeto que prevê aporte de R$ 100 bilhões na construção de gasodutos. A maioria delas seria construída nos oito Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste para gerar energia à base de gás natural.

Qualquer estagiário de engenharia sabe que o mundo hoje tem oferta de gás para regaseficação que pode ser alocado em navios caseiros na cota do Brasil. Mas no meio da lei de capitalização da Eletrobras, veio um jabuti que obriga o governo a investir para depois capitalizar. Ou seja, para vender, tem que botar dinheiro público.

O ministério da Economia é contra a ideia de sacar até R$ 100 bilhões do pré-sal para financiar a construção dos dutos de gás. Bento Albuquerque era contra, mas o projeto passou.

O curioso foi a mobilização do Centrão para ajudar a provar esse projeto. E aí vale aquela frase no começo desse texto, quando diz que nesses momentos, pessoas próximas ao presidente sempre se aproveitam desses momentos para afastar quem pensa diferente.

O Almirante Bento Albuquerque caiu mais porque estava travando a articulação de Carlos Suarez do que por apoiar os reajustes da Petrobras. Se fosse por isso, teria saído junto com o general Souza e Luna.

O discurso do presidente é bom para sua campanha de reeleição. Mas o Centrão e Carlos Suarez estão pensando em depois de 2023. E é bom saber que o contribuinte vai pagar mais essa conta.

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