Meirelles apoiando Lula dá prestígio no mercado financeiro, mas sem o peso de 2003 quando dirigiu o Banco Central

Henrique Meirelles é uma das figuras mais respeitadas na área financeira internacional
Fernando Castilho
Publicado em 19/09/2022 às 18:30
Ato de Lula com oito ex-candidatos a presidente Foto: RICARDO STUCKERT


O ex-presidente Lula reuniu um time de ex-presidenciáveis, mas faria o mesmo efeito se apresentasse apenas Henrique Meirelles (União Brasil). O resto (inclusive seu vice, na chapa atual, Geraldo Alckmin (PSB) só serve mesmo para uma foto “desses nove aí".

Guilherme Boulos (PSOL), Luciana Genro (PSOL), Cristovam Buarque (Cidadania), Marina Silva (PSB), Fernando Haddad (PT), e João Goulart Filho (PCdoB) não agregam um voto a mais do que já agregaram até agora. Mas servem para dar algum viço de prestígio.

Com Henrique Meirelles é diferente. Ele é, de longe, o que fala com o mercado e toda Faria Lima e é ouvido, Claro que não tem o peso de 2003 quando, como presidente do Banco Central, tinha muito mais prestígio que o próprio ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Mas tem prestígio. Aliás entra em qualquer sala de qualquer banco brasileiro com recepção de ministro mesmo.

Foto: ABr - Ex-ministro Henrique Meirelles

Faz sentido. Ele é uma das figuras mais respeitadas na área financeira internacional, desde que foi presidente internacional do BankBoston; presidente do BCB (2003 a 2011) e quando virou Ministro da Fazenda no Governo Michel Temer (2016 e 2018).

Para ser ter uma ideia do prestígio de Meirelles, é importante lembrar que quando assumiu a Fazenda a taxa de juros futuro no mercado internacional caiu quase 40%. Porque os banqueiros olhavam para o Brasil e viam futuro.

E esse é um problema de hoje, quando os mesmos banqueiros internacionais olham para uma eventual vitória de Bolsonaro. Hoje a taxa de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2023 é de 13,72% ao ano e subindo.

Agora todo mundo pergunta, e qual seria o papel do Meirelles num eventual Governo Lula?

Ele pode ser o que ele quiser. E onde for colocado dará prestígio mais a Lula do que ele mesmo pode ter. A questão é: ele está disposto? O tempo dirá. Mas é importante perceber algumas coisas que Meirelles ajudou a fazer na economia brasileira.

Quando a gente fala da governança das empresas brasileiras na B3 (a despeito do NuBank deixar de ser listado na bolsa do Brasil) está falando numa geral que Meirelles ajudou a fazer na CVM transformando-a numa cópia da U.S. Securities and Exchange Commission, geralmente referida pela sigla SEC. Foi Meirelles quem ajudou a mudar o perfil da nossa CVM, embora no Governo Bolsonaro ela também tenha sido desprestigiada como foi o CADE.

Então, a presença de Henrique Meirelles numa mesa de um monte de ex-presidenciáveis, especialmente a Marina Silva (junto ao pessoal do meio ambiente (um tema que está sendo alavancado nos últimos anos pelo valorização do conceito de sigla ESG advém do termo em inglês Environmental, Social and Governance - ESG) é mais um ponto de prestígio.

Embora ninguém deva deixar de reconhecer que existe hoje uma nova geração de executivos que formou seu conceito contra os governos do PT a partir da ideia de uma cleptocracia geral comanda pelo ex-presidente, mesmo que tenham sido suspensos os processos pelo STF.

Talvez o maior desafio de Lula não seja mais conquistar o andar de baixo. Cujo recall de benefícios sociais Bolsonaro nunca conseguiu se apropriar, mas de ao menos ter uma nova chance de provar que terá muito mais boa vontade nos mercados financeiros que teria uma Bolsonaro 2.0.

Uma coisa é a perspectiva de ter ajuda de Henrique Meireles num eventual governo Lula com mais prestígio que qualquer pessoa que ele possa escolher para o Ministério da Economia.

Outra bem diferente é ter a perspectiva de ter um segundo mandato de Paulo Guedes, depois que ele se converteu num bolsonarista mais radical do que Ricardo Sales e Ernesto Araújo, ao se submeter a dar explicações pseudoeconômicas às exigências de Arthur Lira, na presidência da Câmara Federal, para desorganizar o OGU e aprovar 11 PECs em apenas seis meses.

Ainda há outra coisa. Quando a situação das dívidas dos estados com a União começou a ficar sem controle, foi Meirelles que mandou a hoje economista-chefe do Banco Santander criar o sistema de Capacidade de Pagamento, que listou as contas de cada um dos 27 estados e o DF.

 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - Ana Paula Vescovi lembrou que o Tesouro antecipou R$ 10 bilhões em pagamentos de precatórios no primeiro semestre
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Foi uma pancada terrível, inclusive em Paulo Câmara. Mas ajudou muito a reestruturar as finanças do estados embora pareça claro que Rio de Janeiro Minas sejam um caso perdido.

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