COLUNA MOBILIDADE

Demanda por táxi cresceu 37% somente no Recife. Crescimento é provocado pelo serviço ruim dos aplicativos

Usuários dos apps seguem reclamando de problemas para fazer corridas, enquanto motoristas alegam baixas tarifas

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 11/08/2021 às 15:30
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JC IMAGEM
Levantamento aponta que muitos dos clientes que estão migrando já foram usuários do táxi e estão retornando à plataforma - FOTO: JC IMAGEM
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O crescimento da demanda de passageiros por táxis nos últimos seis meses de 2021 foi de 37% somente no Recife. Os dados fazem parte do levantamento da plataforma Vá de Táxi, que divulgou que esse crescimento é resultado da migração dos usuários dos aplicativos de transporte individual devido à queda na qualidade do serviço oferecido pelos apps como Uber e 99.

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O crescimento mensal na capital pernambucana foi de 9,26%. E, entre janeiro e junho, acumulou 37%. Segundo a Vá de Táxi, muitos dos clientes que estão migrando, inclusive, já foram usuários do táxi e estão retornando à plataforma. Na visão da Vá de Táxi, aplicativo de mobilidade fundado em 2013, o aumento do número de corridas também tem influência pela retomada das atividades econômicas e, consequentemente, o aumento do trânsito nas vias.

Mas o que tem pesado mesmo é a queda da qualidade dos apps, evidenciada durante a pandemia. "No Brasil, o crescimento tem sido em torno de 18% mês a mês nos últimos seis meses", afirma o diretor de Produto da Vá de Táxi, Fernando Chavarro.

Foto: Adige Silva/JC
Enquanto os usuários reclamam das dificuldades para conseguir uma corrida devido aos cancelamentos e sobre a qualidade dos veículos em circulação, os motoristas parceiros responsabilizam as plataformas pelas baixas tarifas - Foto: Adige Silva/JC

De fato, as reclamações sobre a qualidade do serviço têm sido constantes, pelo menos no Recife. São os próprios clientes que validam, nas ruas, os problemas enfrentados pelo transporte por aplicativo nos últimos meses. “O serviço está muito ruim mesmo. Os veículos são muito velhos e os cancelamentos estão sendo muito frequentes. Uso os apps desde o começo e me acostumei com um bom serviço, carros novos, água, bombom, conforto. Mas isso não existe mais. Esta semana passei por três cancelamentos seguidos depois de esperar por 8, 10 minutos. Não é surpresa ver que os clientes estão voltando para o táxi. Cheguei a comentar isso com o motorista quando fui atendida na quarta tentativa”, reclama a jornalista Ana Paula, que usa os apps todos os dias no percurso entre Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, e o Pina, na Zona Sul da capital.

O QUE DIZEM OS MOTORISTAS

Enquanto os usuários reclamam das dificuldades para conseguir uma corrida devido aos cancelamentos e sobre a qualidade dos veículos em circulação, os motoristas parceiros responsabilizam as plataformas pelas baixas tarifas. “´É importante citar que a queda de qualidade nos aplicativos de transporte está acontecendo porque há cinco anos a Uber e a 99 estão no Brasil e nunca reajustaram a tarifa aos motoristas. Ao contrário, chegaram até a diminuir nosso ganho como motorista. Enquanto tudo segue subindo, principalmente o combustível. Assim fica difícil realizar chamadas com uma miséria de ganhos”, alega Anderson Roberto da Costa, motorista de aplicativo.

O levantamento da Vá de Táxi também é questionado. Segundo o presidente da Associação dos Motoristas e Motofretistas por Aplicativos de Pernambuco (Amape), Thiago Silva, não é possível afirmar, com base em apenas uma plataforma de táxi, que houve um aumento significativo da demanda. E segue responsabilizando as plataformas como Uber e 99 pela queda na qualidade do serviço.

“Os motoristas de aplicativos continuam prestando um excelente serviço, apesar do alto preço dos combustíveis e do baixo preço das viagens. Vale dizer que nos últimos cinco anos o valor das viagens diminuiu cerca de 30% e quem paga essa conta é o motorista. Nós lutamos, durante todo esse tempo, por reajuste. Uma viagem de R$ 4.50 não se paga, considerando que o combustível em alguns lugares, já passa dos R$ 6”, alega.

“As empresas mudaram o cálculo de ganhos, puxando ainda mais o preço para baixo. E não é só isso: existia um multiplicador de tarifa dinâmica, que foi substituído recentemente por um preço fixo adicional, o que deixa a maioria das viagens pouco atrativas. Para que o usuário possa ter um tempo de espera menor, é necessário que haja reajuste de tarifas e a volta do formato de preço dinâmico anterior”, finaliza Thiago Silva.

 

TAXISTAS COMEMORAM

Os taxistas, lógico, comemoram o levantamento. E defendem que ele apenas reflete a realidade porque o serviço de táxi, mesmo com a redução, melhorou após a chegada dos aplicativos. Quem ficou no mercado está oferecendo mais qualidade ao passageiro. O fato de a tarifa dos táxis não ter sido aumentada nesses cinco anos também ajudou. “Foi feito um trabalho no sistema de táxi. Periodicamente nos reunimos com proprietários de frota autorizados pelas prefeituras. A ideia foi deixar uma renda acessível aos taxistas e não reajustar o tarifário. Assim, conseguimos conscientizar a população que não somos caros, temos apenas uma tarifa justa. Mantivemos uma frota das mais novas do Brasil. Por isso, a intenção das empresas de aplicativos de acabar com o táxi foi para o espaço”, argumenta o presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Flávio Fortunato.

“Nós sabíamos que a versão de que os carros particulares de aplicativo seriam baratos não se sustentaria. O cliente paga barato e, na primeira situação, atípica, como em dias de chuva, por exemplo, o aplicativo cobra o dobro do preço justo da corrida”, acrescentou.

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