COLUNA MOBILIDADE

Recife ganhará ciclovias nas grandes avenidas. Promessa da CTTU

Presidente da autarquia garantiu que a gestão municipal agora está voltada para a implantação de estrutura nos corredores viários

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 28/09/2021 às 15:16
FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Ciclovias nas avenidas é reivindicação antiga de ciclistas para o uso da bicicleta como transporte urbano, dando lógica e agilidade aos deslocamentos feitos de bike - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Leitura:

Reivindicação maior dos cicloativistas e determinação do Plano Diretor Cicloviário (PDC), as ciclovias serão implantadas em breve nos grandes corredores viários do Recife. A promessa foi feita nesta terça-feira (28/9) pela presidente da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), Taciana Ferreira. Eixos estruturadores da malha viária da cidade, como as Avenidas Caxangá (Zona Oeste), Agamenon Magalhães (área central) e Mascarenhas de Moraes (Zona Sul) estão na lista. Os investimentos na estrutura cicloviária seriam na ordem de R$ 3 milhões, realizados até o fim de 2021.

Arrecadação da Zona Azul poderá ser destinada para ampliar ciclovias e ciclofaixas no Recife

Um ousado plano para a bicicleta no Recife

Confira propostas de uma ciclovia para o Viaduto Capitão Temudo, no Recife

Ciclovia no Viaduto Capitão Temudo custaria pouco mais de R$ 1 milhão e transformaria mobilidade do Recife

Taciana Ferreira participou de um debate na Rádio Jornal e informou que a gestão municipal já está orientada e estudando a ampliação da malha cicloviária para os grandes corredores. Não deu muitos detalhes, mas prometeu. É fato que o Recife tem avançado na ampliação da rede - em oito anos de gestão do PSB, chegamos a 150 km -, mas o caminho ainda é longo porque a maioria das rotas estão distantes dos corredores que conectam a cidade e que permitiriam o uso da bicicleta como veículo de transporte urbano de fato, dando lógica e agilidade aos deslocamentos dos ciclistas que precisam ir e voltar do trabalho, por exemplo.

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Eixos estruturadores da malha viária da cidade, como as Avenidas Caxangá (Zona Oeste), Agamenon Magalhães (área central) e Mascarenhas de Moraes (Zona Sul) estão na lista - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

“O PDC prevê a rede cicloviária principal e a complementar. Inicialmente, o nosso olhar foi para a rede complementar, que temos ampliado ao longo desses anos e que é extremamente importante porque estão nos bairros e fazem a conexão entre eles. Mas agora vamos chegar aos corredores viários ainda neste semestre. É meta de gestão”, garantiu. A presidente da CTTU também explicou que os equipamentos serão ciclovias e, não, ciclofaixas, que representam mais de 90% da infraestrutura para bicicletas do Recife. “Por serem avenidas que têm velocidade de 60 km/h, o equipamento correto é a ciclovia. Para usarmos ciclofaixas, teríamos que reduzir o limite de velocidade para 50 km/h ou 40 km/h”, explicou.

Para quem não sabe, o equipamento que melhor protege os ciclistas é a ciclovia porque tem segregação total do trânsito de veículos - como exemplo as ciclovias da Avenida Boa Viagem e da Avenida Norte. Já as ciclofaixas não protegem tanto quem pedala porque a segregação é parcial. Geralmente, o isolamento é feito com tachões, além de pintura horizontal. A CTTU diz que em 2019 foram investidos R$ 7,7 milhões em sinalização viária e, em 2020, R$ 8,5 milhões. Até o momento, para o segundo semestre de 2021 serão R$ 6,5 milhões, sendo 3 milhões previstos para os serviços de expansão da malha cicloviária, incluindo as obras necessárias, 600 mil para as áreas de urbanismos táticos, 200 mil para serviços de Faixa Azul e 2,7 milhões para manutenção de sinalização, incluindo serviços de ordenamento de trânsito nos bairros e sinalização de áreas escolares.

CICLISTAS QUEREM MAIS

No último Dia Mundial Sem Carro, comemorado em 22/9, os ciclistas da Região Metropolitana do Recife apresentaram um pacote de propostas para dar à bicicleta e ao transporte público a atenção que merecem - já que respondem por 85% dos deslocamentos urbanos da população, segundo as três pesquisas de origem e destino realizadas na capital e no Grande Recife. O material foi produzido pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), a Rede Meu Recife e o Pernambuco Bike Anjo e proposto para a Lei Orçamentária Anual da Cidade do Recife (LOA), com foco na mobilidade.

Teve como base alguns eixos: segurança viária, pedestres, ciclistas, transporte público coletivo, e estacionamentos. As entidades alegam que, apesar de serem a força motora da mobilidade urbana das cidades, o transporte público, a bicicleta e o caminhar não recebem os mesmo investimentos destinados ao automóvel. Na verdade, recebem apenas uma fração dos recursos.

Confira a proposta na íntegra:

Proposta LOA MOB Recife 2021 by Roberta Soares on Scribd


“Entre 2017 e 2020, ações que privilegiam os automóveis individuais consumiram 83% do orçamento da mobilidade no Recife. Para efeito de comparação, entre 2013 e 2019 - anos em que houve maior expansão cicloviária no Recife - foram investidos menos de R$ 8 milhões com estrutura cicloviária, sendo a maioria embutida no orçamento de sinalização. No entanto, obras e ações para o automóvel consumiram, no mesmo período, muito mais, a exemplo da Via Mangue (R$ 625 milhões), pavimentação de novas vias (R$ 68 milhões), recapeamento de vias (R$ 341 milhões) e orientadores de trânsito (R$ 71 milhões) - totalizando R$1,1 bilhão de reais”, alegam no documento.

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Os investimentos na estrutura cicloviária seriam na ordem de R$ 3 milhões, realizados até o fim de 2021 - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

De forma geral, a proposta prevê um total de investimentos na ordem de R$ 163 milhões em políticas voltadas para a segurança viária, pedestres, ciclistas e transporte público coletivo. Seriam R$ 86,4 milhões a mais do que os R$ 76,7 milhões de 2019.

Política setorial - Valor em 2019 - Valor a ser acrescido - Total
Segurança viária - R$ 50,9 mi - R$ 17,4 mi - R$ 68,3 mi
Pedestres - R$ 22,1 mi - R$ 37 mi - R$ 59,1 mi
Ciclistas - Não consideramos as ciclofaixas no orçamento - R$ 22 mi - R$ 22 mi
Transporte público coletivo - R$ 3,7 - R$ 5,0 mi - R$ 8,7 mi
Outras ações de mobilidade - R$ 5,0 mi - R$ 5,0 mi
TOTAL - (não informado) - R$ 76,7 mi - R$ 86,4 mi - R$ 163,1 mi

FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
É fato que o Recife tem avançado na ampliação da rede - em oito anos de gestão do PSB, chegamos a 150 km -, mas o caminho ainda é longo porque a maioria das rotas estão distantes dos corredores que conectam a cidade - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

Comentários

Últimas notícias