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Alargamento da BR-232, na saída do Recife para o interior de Pernambuco, vai começar

Licitação pública foi concluída pelo governo do Estado e deverá ser homologada na próxima terça-feira (8/2). Obra custará R$ 99,8 milhões e tem prazo de execução de um ano

Roberta Soares
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Roberta Soares
Publicado em 03/02/2022 às 16:28 | Atualizado em 03/02/2022 às 17:17
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A Construtora Luiz Costa LTDA ficará responsável pelas obras, cuja licitação pública foi concluída no fim de janeiro e estará sendo homologada na próxima terça-feira (8/2) pelo governo do Estado, caso não haja recurso - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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O alargamento da BR-232 na saída do Recife, na Zona Oeste da capital, em direção ao interior de Pernambuco, começará a ser realizado ainda neste mês de fevereiro. A Construtora Luiz Costa LTDA ficará responsável pelas obras, cuja licitação pública foi concluída no fim de janeiro e estará sendo homologada na próxima terça-feira (8/2) pelo governo do Estado, caso não haja recurso. A obra custará R$ R$ 99.8 milhões e tem prazo de execução estimado em um ano. O alargamento será realizado entre o Km 4,70 (entroncamento com a BR-101), no fim da Avenida Abdias de Carvalho, no início do bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife, e o KM 11,50, (entroncamento com a BR-408), na mesma região da capital.

A garantia de início das obras foi dada pela secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco, Fernandha Batista, durante debate na Rádio Jornal ao lado do vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), Stênio Cuentro, para discutir estradas e desenvolvimento. Segundo a secretária, o alargamento da rodovia ainda custará mais barato do que o previsto porque a empresa vencedora deu um desconto de 8% no preço. O primeiro valor estimado para o alargamento era de quase R$ 93 milhões (R$ 92,87 milhões), mas em dezembro de 2021 passou para R$ 108,45 milhões devido à atualização da tabela de preços do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo a Seinfra, o índice é utilizado como base para a composição orçamentária no processo de contratação de obras viárias e que é diretamente impactado pelo recorrente aumento de preços e dos insumos asfálticos praticados pela Petrobras.

Divulgação/Seinfra
Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra
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A ciclovia, segundo promessa do governo de Pernambuco, será implantada em todo o trecho da rodovia que será alargado - Divulgação/Seinfra
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Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra
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Baias para os ônibus nos 15 pontos de embarque e desembarque, sinalização horizontal e vertical para garantir a travessia dos pedestres, e uma nova iluminação em LED também serão instaladas - DIVULGAÇÃO/SEINFRA

Nos R$ 99,8 milhões, entretanto, não está incluído o custo com as desapropriações necessárias ao alargamento da rodovia. “De fato, será um custo à parte. Mas conseguimos reduzir sensivelmente o impacto com as desapropriações. No início do projeto, estavam previstas desapropriações de mais de 300 imóveis, quantidade que foi reduzida para 32 imóveis. E, mesmo assim, serão desapropriações parciais. Uma garagem ou a relocação de um muro, por exemplo. Fizemos tudo com muita preocupação para reduzir os impactos para a população”, explicou Fernandha Batista.

A BR-232 ganhará uma terceira faixa no sentido Recife-Interior e outra no sentido contrário (Interior-Recife). A perspectiva do governo do Estado é que a adequação da capacidade viária do trecho rodoviário reduza o tempo de viagem nos 6,7 quilômetros em 58%, passando dos atuais 60 minutos para 25 minutos. Números da Seinfra apontam que são 67 mil veículos circulando apenas naquele trecho e 28 mil pessoas passando no transporte público coletivo operado por 13 linhas de ônibus. No total, são 4 milhões de usuários contínuos no trecho, também segundo o Estado. Os R$ 99,8 milhões são recursos do governo do Estado, dentro do Plano Retomada.

Conheça o projeto:

URBANIZAÇÃO

Além da recuperação do pavimento - que será de concreto nas pistas principais e centrais (onde o tráfego é mais pesado) e de CBUQ (asfalto) nas vias locais (onde o tráfego é menos pesado) -, o projeto de adequação viária da BR-232 na saída do Recife promete deixar a área urbanizada, integrada com o transporte coletivo e acessível aos modais ativos (bicicletas e pedestres).

Para isso, será implantada uma ciclovia ao longo dos 6,8 km do trecho, localizada sempre na margem sul da rodovia (do lado do Jardim Botânico do Recife). Baias para os ônibus nos 15 pontos de embarque e desembarque, sinalização horizontal e vertical para garantir a travessia dos pedestres, e uma nova iluminação em LED também serão instaladas.

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Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra
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Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra
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Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra
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Projeto de triplicação (alargamento) da BR-232 na saída do Recife - Divulgação/Seinfra

“O projeto vai transformar a saída do Recife numa grande avenida urbana, que é o perfil daquele trecho atualmente. Deixou de ser apenas uma rodovia. Sabemos da importância por ser o principal eixo rodoviário e logístico de Pernambuco, por fazer a ligação com o interior do Estado, mas tínhamos que encontrar uma solução que atendesse a fluidez do trânsito dos veículos, o acesso dos passageiros do transporte público e a segurança de pedestres e ciclistas. Acredito que conseguimos”, reforçou Fernandha Batista, em outubro de 2021, quando o projeto foi divulgado oficialmente.

A readequação prevê a construção de duas alças em nível - sem ser elevadas, o que puxou o valor da obra para baixo -, para retorno dos veículos - algo difícil de ser feito atualmente. E, ainda, a requalificação e construção de três passarelas no trecho. O custo inicial do alargamento era de R$ 145 milhões. “Precisamos considerar que existem diversos equipamentos urbanos importantes para a população do Recife, do Grande Recife e do Interior do Estado. É o caso dos hospitais existentes na área, da proximidade com a UFPE, por exemplo, além da presença do Comando Militar do Nordeste e de indústrias localizadas na região. Tivemos que considerar tudo isso para pensar o projeto”, explicou a secretária.

IMPACTOS

Vice-presidente do Crea-PE, o engenheiro civil Stênio Cuentro alertou o governo de Pernambuco sobre dois pontos do alargamento da BR-232: a necessidade de minimizar os impactos das obras no trânsito do Grande Recife e de garantir uma eficiente fiscalização dos trabalhos. “Todo mundo lembra o que o Recife e toda a Região Metropolitana sofreram com as obras de requalificação do chamado contorno urbano da BR-101. Foi muito transtorno exatamente porque não houve uma gestão do trânsito que previsse alternativas de circulação. É importante lembrar que aquele trecho tem um alto volume de veículos e é a principal conexão da capital com o interior do Estado. É preciso criar vias auxiliares, por exemplo, para receber o tráfego durante as obras”, alertou.

O governo de Pernambuco garantiu que um plano está sendo montado para minimizar os impactos no trânsito. E que a meta é garantir a circulação em quatro faixas, como acontece atualmente: duas no sentido Recife-interior e duas no sentido contrário.

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