TRANSPORTE PÚBLICO | Notícia

Greve de ônibus: rodoviários validam acordo firmado com empresários de ônibus em assembleias volantes no Grande Recife

Greve dos motoristas durou dois dias e foi encerrada à meia-noite desta quarta-feira (14), após acordo mediado pela Justiça do Trabalho em pernambuco

Por Roberta Soares Publicado em 14/08/2024 às 13:56

Como esperado, os motoristas de ônibus estão validando o acordo firmado entre o Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco e a Urbana-PE, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco, que deu fim à greve de dois dias da categoria na tarde de terça-feira (13/8). O movimento durou dois dias na Região Metropolitana do Recife, prejudicando 1,6 milhão de passageiros que dependem dos ônibus diariamente.

Segundo os rodoviários, algumas assembleias volantes foram realizadas nas principais garagens do sistema ainda na madrugada desta quarta-feira (14) e, em todas, a posição do sindicato em aceitar o acordo foi referendada. Também de acordo com a entidade, outras assembleias serão feitas nas garagens no decorrer da semana.

O entendimento dos rodoviários é de que o acordo foi bom para a categoria, embora, sob o aspecto financeiro, tenham sido aceitas as propostas apresentadas pelos empresários de ônibus desde o início das negociações, ainda em julho. “Vemos como uma vitória o acordo porque conseguimos avançar na discussão do plano de saúde da categoria, mediada pelo Ministério Público do Trabalho, e ajustes foram feitos na questão do controle de jornada por GPS. Eram dois pontos que a categoria não abria mão e, principalmente na questão do GPS, que prejudicava o trabalhador”, afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima, após a audiência de conciliação.

ENTENDA O ACORDO ENTRE RODOVIÁRIOS E EMPRESÁRIOS

JC IMAGEM
O entendimento dos rodoviários é de que o acordo foi bom para a categoria porque houve ajustes no controle de jornada por GPS e uma perspectiva de implantação do plano de saúde - JC IMAGEM

A audiência de conciliação aconteceu por mais de quatro horas na tarde desta terça-feira (13/8), na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), localizada no Cais do Apolo, Bairro do Recife, área central da capital.

Sob o aspecto financeiro, os rodoviários aceitaram basicamente o que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) tinha proposto anteriormente: reajuste de 4,2% (o que seria 0,5% acima da inflação), aumento de R$ 34 no vale-refeição e o abono de R$ 180 para a dupla função, paga a 6 mil motoristas.

Assim, o salário dos motoristas de ônibus passará de R$ 3.061 para R$ 3.189,80, o vale-refeição sairá de R$ 366,40 para R$ 400, e a dupla função subirá de R$ 150 para R$ 180.

MUDANÇAS NO CONTROLE POR GPS, MAS APENAS PROMESSAS PARA O PLANO DE SAÚDE PARA OS RODOVIÁRIOS

Divulgação
Urbana-PE afirma que três ônibus foram depredados e motorista foi ameaçado por pessoas encapuzadas - Divulgação

Os dois pontos principais que os rodoviários alegavam não abrir mão - o controle de jornada via GPS e a implementação de um plano de saúde para a categoria - foram conquistados parcialmente. No caso do plano de saúde, não houve um compromisso oficial de implantação no momento, mas o Ministério Público do Trabalho (MPT) teria se comprometido a discutir a questão em uma reunião que será marcada a partir de janeiro de 2025.

Sobre a questão do GPS, o acordado entre rodoviários e empresários - com a validação do TRT-6, vale ressaltar - é que as empresas de ônibus agora irão fornecer o histórico de 30 dias aos trabalhadores. Antes, o registro de trabalho era por tempo determinado, de apenas dois dias, o que revoltava a categoria.

Outra mudança em relação ao controle de jornada por GPS foi que, a partir de agora, a jornada será controlada com base no sistema: no momento em que o funcionário se “logar”, é iniciado o checklist do veículo e o encerramento acontecerá quando o profissional se “deslogar”, após a prestação de contas.

DESCONTO DOS DIAS DE GREVE VIRA IMPASSE NA AUDIÊNCIA

Um dos pontos que gerou impasse na audiência de mediação foi o desconto dos dois dias parados durante a greve. A Urbana-PE queria que os dois dias de greve fossem descontados em até 90 dias, mas os rodoviários questionaram.

Por fim, ficou acertado que o desconto das 12 horas não trabalhadas na greve (equivalente a dois dias) será feito em até 90 dias e com o desconto de apenas uma hora por dia do trabalhador.

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