Justiça

Caso Miguel: testemunha foi ouvida pela Justiça nesta terça-feira (02)

Agora, a Justiça poderá marcar o interrogatório da ré, Sarí Corte Real, acusada pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 02/02/2021 às 22:18
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ACERVO PESSOAL
TRAGÉDIA Miguel Otávio morreu ao cair do nono andar do edifício de luxo, no Recife, onde a mãe trabalhava - FOTO: ACERVO PESSOAL
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A Justiça ouviu, nesta terça-feira (02), mais uma testemunha de defesa relacionada ao processo do Caso Miguel. O depoimento aconteceu, sob discrição, na comarca de Tamandaré, Litoral Sul do Estado, onde a testemunha reside. Além dessa carta precatória, outra foi cumprida, no mês passado, na cidade de Tracunhaém. Por medida de segurança, os nomes das pessoas não foram informados pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Sabe-se, no entanto, que a testemunha ouvida nesta terça é uma funcionária da ré, Sarí Corte Real, acusada pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte do menino Miguel Otávio Santana, de 5 anos. A morte foi em junho do ano passado, após a criança cair do nono andar de um prédio de luxo, na área central do Recife.

Agora, esses depoimentos estão sendo encaminhados à 1ª Vara de Crimes Contra Criança e Adolescente da Capital, que marcará a data da segunda audiência de instrução e julgamento do caso, quando será o interrogatório de Sarí Corte Real. 

No dia 03 de dezembro do ano passado, 12 testemunhas (oito de acusação e quatro de defesa) prestaram depoimento na 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital. A primeira audiência, que durou cerca de oito horas, foi conduzida pelo juiz José Renato Bizerra. A imprensa não teve acesso ao local. Uma outra testemunha de defesa não compareceu e será ouvida no dia do interrogatório da ré. 

Após isso, o juiz dará dez dias para que o Ministério Público e a defesa da ré apresentem as alegações finais por escrito. Depois disso, o magistrado dará a sentença. A pena máxima para o crime, em caso de condenação, é de 12 anos de prisão. Sarí permanece respondendo ao processo em liberdade. A expectativa é de que a sentença seja anunciada ainda neste ano. 

RELEMBRE O CASO

Miguel morreu na tarde de 02 de junho de 2020. Na ocasião, Sarí estava responsável pela vigilância do menino, enquanto a mãe dele, Mirtes Renata, passeava com o cachorro da patroa.

A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística no edifício constatou, por meio de imagens, que Sarí apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador. Ao sair do equipamento, no nono andar, o menino passa por uma porta corta-fogo, que dá acesso a um corredor. No local, ele escala uma janela de 1,20 m de altura e chega a uma área onde ficam os condensadores de ar. É desse local que Miguel cai, de uma altura de 35 metros.

Sarí Corte Real, ex-patroa da mãe de Miguel, é esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio hacker (PSB). Na época do caso, Mirtes e a avó de Miguel trabalhavam na casa do prefeito, mas recebiam como funcionárias da prefeitura. A informação foi revelada pelo Jornal do Commercio.

Após a denúncia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou uma investigação, descobriu que outra empregada doméstica da família também era funcionária fantasma da prefeitura, e a Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Hacker. O MPPE descobriu ainda que a mãe e a avó de Miguel ganhavam até gratificação por produtividade, mesmo sem trabalharem na prefeitura, como revelou um documento obtido pela coluna Ronda JC. A assessoria do MPPE disse que o caso segue sob investigação. 

 

 

 

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