INVESTIGAÇÃO

Reprodução simulada da morte de Heloysa será nesta quinta-feira (12) em Porto de Galinhas

Após mais de 40 dias, polícia não esclareceu quem atirou na menina de 6 anos na comunidade de Salinas

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 11/05/2022 às 20:48 | Atualizado em 11/05/2022 às 20:58
ACERVO PESSOAL
MORTE Heloysa, de 6 anos, brincava na rua no momento em que se assustou com os tiros e tentou se proteger, mas acabou baleada no peito - FOTO: ACERVO PESSOAL
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Depois de ser adiada há duas semanas, a reprodução simulada para esclarecer a ação policial que resultou na morte da menina Heloysa Gabrielly, de 6 anos, na comunidade de Salinas, na praia de Porto de Galinhas, finalmente será nesta quinta-feira (12). Todos os envolvidos - policiais, familiares da vítima e outras testemunhas - foram convocados para a perícia técnica, que deve começar por volta das 9h.

A morte de Heloysa completou um mês no dia 30 de abril, mas, até hoje, a polícia não esclareceu quem atirou na menina.

A reprodução simulada, que popularmente é chamada de reconstituição, é utilizada para esclarecer a dinâmica de um crime, por isso a necessidade de todos os envolvidos no caso - apesar de não serem obrigados. 

No momento em que a criança foi atingida no peito acontecia uma perseguição de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) a um suspeito que passava de moto pela comunidade.

Na versão divulgada oficialmente pela Polícia Militar, no dia em que a menina foi morta, foi dito que houve uma troca de tiros entre os PMs e uma dupla suspeita de tráfico de drogas.

Mas a versão relatada por testemunhas, inclusive por uma tia que estava com a menina no momento em que houve a morte, é de que apenas os policiais atiraram. Imagens de câmeras de segurança só mostram um homem na moto.

Na última segunda-feira (09), familiares de Heloysa e policiais do Bope foram ouvidos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. Os depoimentos vão servir de base para o confronto na reprodução simulada. 

Serão utilizados, nesta quarta-feira, drones, scanner 3D e outros equipamentos de tecnologia de ponta.

AUDIÊNCIA

Nesta quarta-feira (11) foi realizada uma audiência na Câmara de Vereadores de Ipojuca para discutir o caso. Mas nem representantes da prefeitura nem do governo do Estado participaram. Uma ausência lamentável, importante pontuar. 

Na ocasião, um dossiê - com denúncias divulgadas pelos veículos de imprensa após o crime - foi apresentado por 13 organizações populares e movimentos sociais. Dentre as situações, o relatório cita possíveis excessos praticados por policiais militares em relação aos familiares da menina e também outros moradores. 

INVESTIGAÇÕES

Bruno Campos/JC Imagem
Movimentação em Porto de Galinhas, dois dias após morte de criança - Bruno Campos/JC Imagem

A morte de Heloysa aconteceu na tarde de 30 de março de 2022. Ela brincava na rua no momento em que foi baleada no peito. Indignados, moradores da comunidade de Salinas fizeram protestos durante três dias pedindo justiça e também denunciando excessos cometidos por policiais do Bope.

Porto de Galinhas, que é principal cartão-postal de Pernambuco, viveu dias tensos com comércio fechado, atos de vandalismo e medo entre turistas. O governo estadual precisou criar uma operação chamada Porto Seguro, com reforço de 250 policiais, para dar mais segurança à praia.

Na semana seguinte à morte de Heloysa, os policiais que atuaram na perseguição foram retirados de Porto de Galinhas. Eles seguem afastados de lá, mas trabalhando em outra unidade do Bope.

Além do inquérito sobre a morte da menina, também foi instaurada uma investigação pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) e outra pela própria Polícia Militar. Esses dois procedimentos visam avaliar a conduta dos policiais do Bope na ação que resultou na morte da menina.

Não há prazo para conclusão das três investigações.

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