SAÚDE

Pacientes com planos de saúde vão para o SUS por não conseguirem leitos, diz presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco

Médico sanitarista George Trigueiro revelou que hospitais privados também temem o desabastecimento de medicamentos e kits de intubação

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 26/05/2021 às 10:08
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HÉLIA SCHEPPA/SEI
UTI para tratamento da covid-19 - FOTO: HÉLIA SCHEPPA/SEI
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A pressão que a covid-19 vem colocando sobre o sistema de saúde de Pernambuco afeta, também, os hospitais privados do Estado. Com ocupação média de 93% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nem mesmo a rede particular dá conta, atualmente, da demanda de pacientes com problemas respiratórios causados pela doença.

Isso faz com que mesmo os infectados que têm plano de saúde precisem procurar por leitos na rede pública, segundo o médico sanitarista George Trigueiro, que ocupa a presidência do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas do Estado de Pernambuco (Sindhospe).

"A situação é gravíssima. Tem gente nas urgências de hospitais privados que tem bons planos de saúde e que não consegue mais leitos, e que tem que entrar na central de regulação do SUS. Isso não acontece só em Pernambuco, não, mas também em São Paulo e no Rio de Janeiro", disse Trigueiro em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quarta-feira (26).

Segundo o representante, os hospitais privados também temem o desabastecimento de medicamentos e kits de intubação. "Os hospitais privados estão sofrendo com essas internações. O perfil mudou nas UTIs, e os pacientes passam mais tempo, 20 ou 30 dias utilizando medicamentos e kits de intubação. O Governo do Estado garantiu alguns fornecimentos a hospitais privados e públicos, mas está chegando no momento em que não conseguiremos mais comprar esses insumos", esclareceu o médico.

Além disso, ele contou que a rede particular também enfrenta um "colapso econômico e financeiro" pela recorrente suspensão de cirurgias eletivas. "O que estamos vivenciando é que, embora os hospitais privados estejam sofrendo um colapso em termos econômico e financeiro, já que ano passado ficamos quase 7 meses sem cirurgias eletivas, e nesse ano já vamos em mais de 2 meses, não é o momento de fazer os atendimentos que não são de urgência", afirmou.

Segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) nessa terça (25), a Central Estadual de Regulação Hospitalar em Pernambuco está com ocupação média de 93% nos 2.972 leitos destinados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os leitos de UTI têm ocupação de 98%, enquanto os de enfermaria, 86%.

Na rede privada, a ocupação média é de 85% dos 695 leitos para pacientes com SRAG. Dos 468 leitos de UTI, 93% estão ocupados. Nos de enfermaria, a ocupação chega a 70% dos 227 leitos.

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