CARNAVAL 2022

Blocos e agremiações repercutem cancelamento do Carnaval em Olinda

A medida foi de encontro ao que blocos e agremiações tradicionais da cidade já esperavam do poder público

Bruno Vinicius
Bruno Vinicius
Publicado em 05/01/2022 às 16:01
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
INTERRUPÇÃO Pitombeira dos Quatro Cantos cancelou Carnaval de rua antes da Prefeitura de Olinda e solicitou que blocos e agremiações sejam ajudados pelo poder público - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Leitura:

Uma das maiores forças culturais de Olinda, o Carnaval de rua não será realizado pelo segundo consecutivo na cidade. Em decorrência da situação sanitária da pandemia, a Prefeitura do município cancelou a festa do momo na manhã desta quarta-feira (5). A medida foi de encontro ao que blocos e agremiações tradicionais da cidade já esperavam do poder público. Enquanto alguns se preparam para realizar festas em ambientes fechados - para ter um controle de circulação maior das pessoas no ambiente -, outros já tinham tomado a decisão do cancelamento dos festejos.

Além de interromper todo o funcionamento da cadeia criativa da cidade, o cancelamento da festa também interrompe ciclos centenários. Como é o caso da Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense. A agremiação faz uma das tradições mais conhecidas do Carnaval: desde 1921, um senhor barbudo sai em um burro do Largo de Guadalupe com uma chave simbólica de Olinda. A troça já não havia comemorado o seu centenário no ano passado e, em 2022, compreende que o Carnaval é feito na rua.

DAY SANTOS/JC IMAGEM
100 anos T.C.M. Cariri Olindense. - DAY SANTOS/JC IMAGEM

"A decisão já era esperada pelo Cariri. Nós só não sabíamos quais ações a prefeitura iria tomar em relação ao setor artístico, para os músicos, passistas e outras pessoas que tiram uma renda do Carnaval. A expectativa é que os repasses desses recursos não sejam demorados, que a verba do carnaval seja liberada para esses trabalhadores", disse o presidente da TCM Cariri, Hilton Santana. "Nós compreendemos que o Carnaval é feito na rua. Na saída oficial, até fazemos uma festa no clube, mas é algo voltado para os nossos diretores e colabores, sendo uma recepção para quem vai para a rua curtir a folia", afirma, sobre a possibilidade fazer festas fechadas.

Por outro lado, a Pitombeira já havia antecipado a decisão da governo municipal em não realizar a festa na rua. "O momento não apresenta segurança suficiente para uma festa aberta ao público, que não está 100% vacinado, e no dever de proteger o nosso povo, não poderia ser tomada outra decisão, senão a de não ir às ruas", tinha firmado a nota no mês passado.

O presidente da Pitombeira dos Quatro Cantos, Hermes Neto, afirmou que a alternativa que surgiu foi de voltar com os ensaios fechados, já que a sede da agremiação precisa ser mantida. "Ainda era muito perigoso pela quantidade de pessoas que não havia tomado a segunda dose. A gente não foi pego de surpresa, só fica triste por mais um ano sem ir às ruas. A gente pede que a prefeitura, junto ao Governo do Estado faça uma ajuda. Vamos para o terceiro ano parado, precisa de manutenção, então por isso a gente abre para vender camisa e abre o bar para movimentar", explica o presidente, que está fazendo eventos a partir da reserva de mesas e apresentação do comprovante vacinal.

Macuca aguarda decreto do Estado

A decisão em Olinda era esperada nos bastidores das organizações mais tradicionais. Para o diretor da Macuca, Rudá Rocha, concorda que há a possibilidade de realizar algo dentro dos protocolos sanitários que estiverem vigentes durante o Carnaval. "Ainda não definimos o que vai ser, mas queremos ocupar o espaço que for possível dentro do Carnaval. Como é um cenário de incerteza, aguardamos o decreto do Governo do Estado para a realização de qualquer evento", disse Rudá.

Boi da Macuca - Foto: Lívia Neves / Divulgação
Boi da Macuca - Foto: Lívia Neves / Divulgação - Boi da Macuca - Foto: Lívia Neves / Divulgação

O cancelamento do Carnaval de Olinda é, por enquanto, relacionado apenas ao que é realizado na rua. A respeito das festas privadas, a prefeitura aguarda a decisão do Governo do Estado, que é quem monitora e regulamenta os planos de convivência com a pandemia de covid-19. Por enquanto, é permitida a realização de eventos para um público de 7,5 mil pessoas. Caso o atual decreto permaneça, as festas privadas poderão ser realizadas durante os dias de Festa do Momo.

Eu Acho é Pouco mantém decisão

Já o Eu Acho é Pouco decidiu não realizar nenhum evento prévio ou durante os quatro dias de festas por entender que a situação sanitária em Pernambuco ainda não permite os festejos. "Com a certeza de que é preciso estar atentos e fortes, em especial no que ainda estamos a atravessar nessa pandemia, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco comunica que não vai sair no Carnaval 2022. Se neste 2021 demos a nossa “pausa de mil compassos”, no próximo ano permaneceremos em casa", comunicou o bloco antes da decisão do poder público. 

"E nós acalentamos no nosso coração vermelho e amarelo as lembranças de tudo que já vivemos no Carnaval de Olinda desde 1977. Essas memórias nos alimentam, como um farol a iluminar tempos sombrios. É que temos esperança em abundância e vamos usá-la para equilibrar a saudade gigante de estar nas ruas. Um recado para vocês que seguem o dragão: guardem seu fogo!", afirmou a nota do bloco.

Comentários

Últimas notícias