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Pernambuco é o estado do Nordeste que mais fechou vagas de trabalho durante a pandemia

Dados do Caged divulgados nesta quarta-feira (27) apontam perda de 1,1 milhão de postos em todo o País apenas nos meses de março e abril

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 27/05/2020 às 15:24
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LEO MOTTA/JC IMAGEM
Fila para requerer o seguro desemprego na agência do trabalho - FOTO: LEO MOTTA/JC IMAGEM
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Assim como o restante do País, Pernambuco chegou ao fim do mês de abril de 2020 contabilizando grandes estragos provocados pela pandemia do novo coronavírus no mercado de trabalho formal. O Estado encerrou os primeiros quatro meses deste ano liderando o fechamento de postos de trabalho no Nordeste e se consolidou como a quarta unidade da federação com pior saldo, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Ministério da Economia. Quando levado em conta os meses com maior avanço da pandemia (março e abril), o Estado continua liderando as perdas, ficando à frente das duas outras maiores economias da região (Bahia e Ceará).  

No acumulado do ano, somando os meses de janeiro, fevereiro, março e abril, Pernambuco teve 105.763 admissões, mas fechou 159.313 vagas de trabalho, gerando um saldo de -53.550. No mesmo período, a Região Nordeste gerou 592.704 vagas, mas perdeu outras 782.785. O saldo negativo foi de -190.081, e Pernambuco representa quase 30% desse resultado. 

Abertura e fechamento de vagas estados do Nordeste acumulado de 2020:

Estado * admissões * Demissões * Saldo

Maranhão * 44.429 * 48.388 * -3.959

Piauí * 25.885 * 30.336 * -4.451

Ceará * 116.666 * 142.265 * -25.599

Rio Grande do Norte * 40.043 * 53.151 * -13.108

Paraíba * 36.810 * 52.221 * -15.411

Pernambuco * 105.763 * 159.313 * -53.550 

Alagoas * 27.988 * 54.967 * -26.979

Sergipe * 22.445 * 31.931 * -9.486

Bahia * 172.675 * 210.213 * -37.538

Os números do quadrimestre foram inflados pela pandemia do novo coronavírus, que passou a pressionar os resultados econômicos e do mercado de trabalho nos meses de março e, principalmente, abril. No caso de Pernambuco, o mês de janeiro teve um saldo de -2.385 postos; fevereiro chegou ao fim com menos 1.309 vagas. No mês de março, já houve um salto para -24.891 vagas fechadas. Mantendo-se o mesmo nível em abril, com -24.965. 

Entre os setores econômicos, as principais perdas no mês de abril se concentram da seguinte forma: Serviços (- 9.702); Comércio (7.788) e Indústria (-7.524). Do total das perdas no setor industrial, a construção representa -3.047 postos.

“O impacto foi muito sério porque, primeiro, grande parte das vagas que a gente perdeu nesse processo foi no setor de comércio e no setor de serviços, importantes para a economia local. Outra questão é que, ao que parece, outras regiões aderiram ao programa de suspensão do contrato ou redução da jornada de trabalho com maior intensidade do que em Pernambuco”, explica o economista Edgard Nery.

Em abril, o saldo de Pernambuco foi menor do que o da Bahia (-32.482) e do Ceará (-29.870), mas no mês de março esses mesmos estados fecharam menos vagas, apresentando, respectivamente, os saldos de -15.074 e -6.059. Comparando o resultado nacional, no acumulado do ano, o Estado está atrás apenas de Minas Gerais ( -76.957); Rio de Janeiro ( -125.154) e São Paulo ( -227.660). 

“Por unidade da federação, o estado que sozinho tem o maior peso nesse saldo negativo, é São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais. Pernambuco vem em quarto lugar, praticamente empatado com o Rio Grande do Sul ( - 53,1 mil). O nosso estado tem uma população de 9 milhões de habitantes, não é a mesma do Rio Grande do Sul (11 milhões), mas teve o mesmo volume de perda de vagas. A quantidade de pessoas aqui se equipara ao Ceará, mas estamos à frente deles e da Bahia, que foi o sexto estado em número de fechamento de vagas. A gente teve 40% a mais de perdas do que o estado baiano”, reforça Nery.

Brasil

O mercado de trabalho brasileiro perdeu 763 mil vagas com carteira assinada entre janeiro e abril deste ano. Em janeiro e fevereiro, antes da crise de saúde pública, o país criou 338 mil vagas. Em março e abril, já sob efeito de medidas restritivas nas cidades, com fechamento de comércio e empresas, o saldo de empregos foi negativo em 1,1 milhão.

Só em abril foram fechados 860.503 postos de trabalho, o pior resultado para meses de abril desde o início da série histórica da Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia - iniciada em 1992. O resultado de agora foi o maior registrado para meses de abril em 29 anos.

Os dados compilados, tanto a nível nacional quanto à regional, fazem parte da primeira divulgação do Caged este ano. A estatística, que costumava ser mensal, estava suspensa desde o início do ano após mudanças de metodologia e dificuldades do governo em receber dados das empresas por conta da pandemia. O último dado apresentado, até então, era do mês de dezembro do ano passado.

 

 

 

 

 

 


 

 

 

postos de trabalho - gerou 592.704 vagas, mas perdeu outras 782.785. 

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