MERCADO DE TRABALHO

Suspensão do contrato e redução de salário e jornada abrangem 25% dos empregos formais em Pernambuco

Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, instituído pelo governo em abril, teve maior adesão de setores como serviços e comércio

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 19/08/2020 às 16:57
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AGÊNCIA BRASIL
Pernambuco, entre janeiro e junho deste ano, teve o pior saldo de vagas com carteira assinada no Nordeste - FOTO: AGÊNCIA BRASIL
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O saldo de 67 mil empregos formais perdidos em Pernambuco, entre os meses de janeiro e junho de 2020, poderia ser ainda maior caso as empresas pernambucanas não tivessem aderido ao Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), do governo federal. De acordo com recorte feito pelo economista da Fecomércio, Rafael Ramos, o BEm já representa o equivalente a 25% do total de empregos formais registrados no Estado e foi fundamental para conter um maior avanço do desemprego por aqui.

Pelos dados do Ministério da Economia, Pernambuco já acumula 632.198 acordos dentro do BEm. Desse total, 293.835 dizem respeito à suspensão do contrato de trabalho. “O programa conseguiu segurar 371 mil empregos, se colocarmos em cima do total de registros da Rais, é quase 25% dos empregos formais em Pernambuco. Foi um resultado importante que o BEm teve no Estado e que, de fato, conseguiu segurar um pouco o desemprego. Se não tivesse o programa, é provável que boa parte das vagas preservadas tivessem sido encerradas”, avalia o economista Rafael Ramos.

Excluindo-se os trabalhadores com contratos intermitentes (aos quais o BEm paga parcelas de R$ 600), Pernambuco registrou ainda 43.668 reduções de 25% da jornada de trabalho e salário. Outros 107.724 optaram pela redução de 50%, enquanto a maioria, 179.397, reduziram em 75% o valor do pagamento aos funcionários e o tempo de trabalho.

“Dentro do programa, percebemos que setores mais intensivos em mão de obra optaram pela suspensão. A redução da carga se fez presente mais nos casos de mão de obra qualificada, que puderam continuar prestando o serviço de maneira remota. Outra coisa que também contribuiu para que o empresário aderisse foi justamente o foco do programa na redução do custo, diferente do que aconteceu em relação ao programa de financiamento da folha de pagamento, no qual o ônus continuava sendo do empregador, ao financiar o pagamento”, reforça Ramos.

Dentre os setores, Serviços teve 323.892 acordos. Comércio, 174.040, e a Indústria registrou 108.105 acordos. Quando comparadas as adesões aos resultados dos setores no Caged, quem menos aderiu, mais demitiu no mesmo período. A indústria fechou 22 mil postos, seguido dos Serviços (17 mil) e do Comércio (16 mil).

Ampliação e demissões

No último dia 14 de julho, o presidente Jair Bolsonaro ampliou o prazo para suspensão ou redução da jornada de trabalho e salário para até 120 dias (4 meses), a ampliação, na visão do economista da Fecomércio também foi salutar. “Acredito que o prazo condiz com a realidade. Temos um movimento já de recuperação, com a questão da reabertura. Mesmo aqueles que estão com faturamento pré-crise, ainda podem utilizar a medida para se adequar ao tipo de horário e demanda que estão funcionando”, aponta.

O uso do BEm, no entanto, não significa que o mercado de trabalho do Estado não tenha sido fortemente impactado pela pandemia. No acumulado do ano, somando os meses de janeiro a junho, Pernambuco teve 146.248 admissões, mas fechou 214.144 vagas de trabalho, gerando um saldo de -67.896, representando mais de 26% das perdas de emprego formal no Nordeste. De janeiro a junho, o Estado teve o segundo maior número de desligamentos da região (214.144), atrás apenas da Bahia (294.103). Em relação ao saldo, no período, o pior é o de Pernambuco.

Na última pesquisa Pulso Empresa, divulgada pelo IBGE, há sinais de ainda um longo caminho para recuperação. Das 2,8 milhões de empresas em funcionamento na primeira quinzena de julho, 44,8% informaram que a pandemia afetou negativamente suas atividades. No Nordeste, o percentual é de 32%.

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