LIBERAÇÃO

A expectativa de Fernando de Noronha pela reabertura para o turismo

O primeiro voo para turistas acontecerá no dia 5 de setembro, mas a redução da malha aérea continua até outubro. Donos de pousadas, no entanto, criticam a reabertura parcial

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 01/09/2020 às 12:09
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Os novos pacientes são moradores de Fernando de Noronha e cumprem quarentena em isolamento domiciliar - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A Ilha de Fernando de Noronha está autorizada a receber turistas que já foram infectados pelo novo coronavírus a partir desta terça-feira (1º), após ter tido o aeroporto fechado por ordem estadual no dia 19 de março, quando casos suspeitos surgiram no local. Desde então, apenas residentes, servidores e autoridades públicas que precisavam se deslocar podiam desembarcar no destino, em um único voo semanal, aos sábados. O primeiro voo aberto para turistas acontecerá no dia 5 de setembro, já que a redução da malha aérea continua até outubro.

Segundo o administrador de Noronha, Guilherme Rocha, o turismo representa 98% da economia da Ilha, que é pertencente ao estado de Pernambuco. “Por isso a nossa urgência e atenção total em trabalhar nesse protocolo. Mas, por outro lado, há a responsabilidade sanitária, para que a pressa não atrapalhe todo o trabalho que foi feito até hoje, [feito] com base na ciência, salvando vidas, e conseguindo controlar a pandemia na ilha”, afirmou.

É debatido no comitê de combate à covid-19, do Governo de Pernambuco, um protocolo geral de prevenção para quando o turismo abrir por completo, inclusive para as pessoas que não apresentarem o exame da doença. “Todas as atividades vêm sendo flexibilizadas pelo Governo de forma gradual”, disse o administrador. No entanto, segundo ele, está “nas mãos do secretário de saúde, André Longo, e do governador, Paulo Câmara” decidirem quando irá acontecer a abertura total. “É uma decisão de Governo e que vai depender das próximas decisões com relação ao protocolo geral dos turistas”, disse.

Empresário que deu nome à Pousada Zé Maria, a mais famosa em Fernando de Noronha, discorda da medida estadual. Para ele, a liberação já deveria ter sido feita há cerca de dois meses, quando os índices epidemiológicos da Ilha desaceleraram. Em funcionamento há 28 anos, a pousada não reabrirá até que todos os turistas sejam liberados a desembarcar no local. "Não vamos abrir, nem a pousada, nem o restaurante, porque não concordamos com esse protocolo da administração. Não houve bom senso, nem as companhias aéreas abriram os voos porque entendem que não vai ter público", criticou Zé Maria. Com cinco meses de portas fechadas, ele precisou demitir 13% dos seus funcionários, e conta que sustenta o negócio por meio de empréstimos. 

Há temor por eventual reinfecção?

Não há consenso entre pesquisadores sobre a possibilidade de reinfecção do vírus. Um estudo preliminar do Universidade de Nevada investiga um possível caso de reinfecção de coronavírus em uma paciente de 25 anos, de Nevada, nos Estados Unidos. Outros três casos também chamaram atenção da comunidade científica: um em Hong Kong, um na Holanda e outro na Bélgica.

Ao ser questionado se há um temor que estes turistas já infectados sejam contaminados novamente, Rocha afirmou que o Governo “trabalha com os protocolos que tenham o máximo de segurança e o mínimo de risco possível com relação à contaminação e a prejudicar a população”. “Seguimos as autoridades sanitárias do Estado, que seguem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). A gente está se apegando mais ao fato geral do mínimo risco de infecção e ao consenso da imunidade de quem já pegou para que a gente inicie essa reabertura com o máximo de segurança possível.

Comprovação de infecção

Para poder entrar na Ilha, o turista deverá comprovar, por meio da apresentação de exame, que já contraiu o vírus. A comprovação deve ser feita por meio do teste RT-PCR, com diagnóstico positivo há mais de 20 dias, ou por meio da apresentação do exame sorológico, que informa se a pessoa possui anticorpos para o vírus. O resultado dos exames deverá ser enviado no ato do pagamento da Taxa de Preservação Ambiental, que a partir de agora será feita, exclusivamente, por meios digitais.

O que dizem as companhias aéreas

Apenas duas companhias aéreas operam voos com destino a Noronha: a Azul e a Gol. Desde a suspensão do turismo na Ilha até hoje, só há voos aos sábados.

O primeiro voo da Azul liberado para turistas com destino ao arquipélago será no dia 5 de setembro. Por nota, a companhia informou que já iniciou as vendas em todos os canais oficiais, e ampliará, a partir de outubro, a malha para quintas-feiras e domingos, além dos sábados. Os voos serão comercializados até três dias antes da partida, prazo limite para que o cliente que adquiriu o bilhete entre no site oficial do Arquipélago, pague a taxa de preservação ambiental e envie a documentação solicitada.

A Gol, no entanto, informou que “até o momento não tem voos programados para a Ilha de Fernando de Noronha, mesmo com a reabertura em setembro.“

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