CESTA BÁSICA

Representante nacional dos supermercados diz para brasileiro consumir macarrão ao invés do arroz

Presidente da Abras participou de reunião com o presidente Bolsonaro para falar sobre a alta dos produtos da cesta básica

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 09/09/2020 às 20:59
Notícia

REPRODUÇÃO
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto - FOTO: REPRODUÇÃO
Leitura:

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados, João Sanzovo Neto, disse que deve haver uma campanha para os brasileiros substituírem o consumo do arroz pelo macarrão, pois, segundo ele, não há um prazo específico para que o preço do produto seja reduzido para os consumidores. Sanzovo fez a declaração depois de se reunir com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta quarta-feira (09), em Brasília, para falar sobre a questão do aumento dos preços dos produtos da cesta básica nas gôndolas.

>> Arroz, leite e óleo sobem mais de 15% e ajudam a manter o Recife com a 2ª maior inflação acumulada do ano no País

>> Do cimento ao arroz: veja os itens com maior alta de preços no Grande Recife em agosto

>> Supermercados em São Paulo restringem venda de arroz para clientes

"Vamos estar promovendo o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz. E vamos orientar o consumidor que não estoque [arroz]", disse ao Estadão.

Em alta, o preço dos alimentos foi destaque para o crescimento de 0,24% na inflação oficial do Brasil em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os dados nesta quarta. Dois alimentos chamaram atenção: o arroz, com valorização de 19,2% no ano, e o óleo de soja, que teve alta de 18,6% no período.

Em 2014, governo Dilma Rousseff sugeriu trocar carne por ovo

Na época do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, quando a carne era a vilã da inflação, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugeriu que a população substituísse a carne por alimentos mais baratos, como ovos e aves.

Sobre a declaração do presidente Bolsonaro, que cobrou patriotismo, nos últimos dias, aos donos de supermercados e que trabalhem com lucro "próximo de zero", Sanzovo Neto declarou que já explicou ao presidente que o setor "já está fazendo isso". "Sempre fizemos isso nos produtos essenciais", declarou o representantes em entrevista coletiva.

Após a conversa com Bolsonaro, o representante da Abras disse ainda, em entrevista, que os mercados não são os "vilões" da alta da cesta básica, e que o problema está relacionado ao excesso de demanda, principalmente no exterior, e à falta de oferta. Isso significa, na prática, que o preço aumenta porque falta o produto.

"É a lei de mercado, é oferta e procura. Se você tem menos produtos sendo ofertados, e no caso foi exportado, muitos dos nossos produtos estão sendo exportados, o produtor prefere exportar porque o câmbio está alto e tem uma receita maior do seu produto", explicou Sanzovo.

Governo não vai interferir em preços, diz ministra

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, explicou ao Estadão, na terça-feira (08), que o governo não vai fazer nenhum tipo de intervenção nos preços dos principais alimentos da cesta básica. “Estamos vivendo uma situação de transição, é uma questão pontual e que vai passar. O governo não vai fazer nenhuma intervenção em preços de mercado, o que estamos fazendo é monitoramento constante”, disse.

>> Mourão afirma que alta no arroz também é provocada por Auxílio Emergencial

Governo zera imposto de importação do arroz até o final do ano

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Economia, decidiu nesta quarta zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado. A isenção tarifária valerá até 31 de dezembro deste ano.

De acordo com a pasta, a redução temporária está restrita à cota de 400 mil toneladas, incidente arroz com casca não parboilizado e arroz semibranqueado ou branqueado, não parboilizado, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Até então, a Tarifa Externa Comum (TEC) incidente sobre o produto era de 12%, para o arroz beneficiado, e 10% para o arroz em casca.

A decisão foi tomada durante reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Camex, a partir de um pedido formulado pelo Ministério da Agricultura. O colegiado é integrado pela Presidência da República e pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

PIXABAY
Preço do arroz sofreu aumento de 3,43% - FOTO:PIXABAY

O jornalismo profissional precisa do seu suporte.

Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Comentários

Últimas notícias