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Auxílio Emergencial elevou de 0,8% para 34% número de domicílios recebendo programas sociais no Nordeste

PNAD Contínua 2020: Rendimento de todas as fontes, do IBGE, divulgou os dados nesta sexta-feira (19)

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 19/11/2021 às 10:47
Marcello Casal JrAgência Brasil
Saque do auxílio emergencial - FOTO: Marcello Casal JrAgência Brasil
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 O percentual de pessoas recebendo dinheiro de algum programa social do governo federal saltou de 0,8% para 34% e elevou a participação de "outros rendimentos" na composição da renda per capita dos domicílios do Nordeste em apenas um ano. Historicamente, a região já detinha o maior volume de beneficiários dentro do Bolsa Família e também recebendo outros benefícios sociais. Os dados são da PNAD Contínua 2020: Rendimento de todas as fontes, do IBGE e foram divulgados nesta sexta-feira (19). 

Levando-se em conta apenas o Bolsa Família, o percentual da população beneficiária caiu de 29% para 14,2% na região, em virtude da inclusão da maioria dos beneficiários no Auxílio Emergencial, pago entre 2020 e 2021. 

“Historicamente, Norte e Nordeste sempre receberam mais Bolsa Família e outros programas sociais do que as outras regiões. Além disso, as ocupações das duas regiões estão mais ligadas aos setores de serviços e comércio e, durante a pandemia, foram esses segmentos que dependem de clientes que mais sofreram. Então elas tiveram o mercado de trabalho muito afetado”, afirma a analista da pesquisa, Alessandra Scalioni. 

O Auxílio Emergencial entrou na rubrica de “outros rendimentos”, que abarca também ganhos de aplicações financeiras, seguro-desemprego, seguro-defeso e outros programas sociais como o Bolsa Família. Na conta nacional, com a presença do Auxílio Emergencial, a participação de outros rendimentos no rendimento domiciliar per capita atingiu 7,2%, a maior proporção dessa categoria desde 2012, início da série histórica da pesquisa. Em 2019, essa proporção havia sido de 3,4%.

Enquanto a fatia de outros rendimentos cresceu em 2020, o rendimento de todos os trabalhos caiu de 74,4% para 72,8%  do rendimento domiciliar per capita em 2020. Os 27,2% restantes se dividiam, além de outros rendimentos (7,2%), em rendimentos de aposentadoria ou pensão (17,6%), aluguel e arrendamento (1,5%) e pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador (0,8%).

A categoria outros rendimentos foi a única a crescer na comparação com 2019. “Houve uma combinação de fatores. O mercado de trabalho sofreu bastante com a pandemia. Por causa do distanciamento social, alguns setores que dependiam de movimentação de pessoas, como o setor de serviços, foram ainda mais afetados. O trabalho em si perdeu espaço. Isso explica a perda da participação do rendimento de todos os trabalhos, que cai de 74,4%, em 2019, para 72,8%, em 2020”, ressalta a analista da pesquisa.

Segundo ela, por outro lado, o pagamento do Auxílio Emergencial fez com que os outros rendimentos ganhassem participação na composição do rendimento domiciliar per capita. Mas o rendimento do trabalho continua sendo a principal fonte de renda dos domicílios.

No Norte, a participação de outros rendimentos aumentou de 5,1% para 12,5%, enquanto no Nordeste foi de 5,5% para 13,7%.

A proporção de pessoas que tinham outros rendimentos atingiu 14,3% em 2020, o que representa 30,2 milhões de pessoas. É a primeira vez, desde o início da série histórica da pesquisa, que esse percentual superou o dos que recebiam Aposentaria e Pensão (12,4%). No Norte (17,5%) e no Nordeste (19,7%), os percentuais dos que recebiam outros rendimentos ficaram acima da média do País.

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