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Pioneirismo feminino ganha voz no debate da Rádio Jornal

No comando da bancada da SuperManhã, as jornalistas Mônica Carvalho e Mirella Martins conversaram com três convidadas via Zoom

JC
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Publicado em 09/03/2021 às 7:04
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FOTOS: LUISI MARQUES/JC IMAGEM
BANCADA FEMININA Mônica Carvalho (E) e Mirella Martins apresentaram o debate especial da SuperManhã - FOTO: FOTOS: LUISI MARQUES/JC IMAGEM
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No Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem (08/03), o Debate da SuperManhã da Rádio Jornal recebeu três mulheres fortes, pioneiras, que modificam o ambiente em que vivem e trabalham e que, acima de tudo, lutam por mais respeito para todas as mulheres. Para falar sobre os desafios e importância de mulheres assumirem cargos de liderança, foram convidadas a advogada Manoela Alves, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB–PE; a empreendedora Simony César, que foi destaque da lista Under 30 da revista Forbes em 2020, e a doutora Alzira Almeida, cientista e pesquisadora emérita da Fundação Oswaldo Cruz. A edição especial do debate foi apresentada pelas jornalistas Mônica Carvalho e Mirella Martins.

Em 88 anos de fundação da seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil, Manoela Alves é a primeira conselheira negra. Na avaliação dela, isso representa um avanço, mas ainda há muito a se fazer. "É um grande avanço para mulheres pretas e institucionalmente para a OAB. Quando a gente enfrenta o racismo, a gente enfrenta o racismo institucional. A OAB sai na vanguarda quando coloca uma pessoa preta neste espaço. Muito ainda tem a se andar. Num conselho com 80 indivíduos, sou a única pessoa negra. Precisamos avançar para que tenha ainda mais representatividade", analisa.

Ela acredita que, em breve, a seccional poderá ter também a primeira mulher como presidente da instituição. "A OAB vem democratizando seus quadros. Tivemos a nomeação de várias pessoas pretas para a Escola Superior, como diretores e diretoras. Não estamos longe de ter uma presidente mulher, que seja aguerrida e que, de fato, esteja lá para garantir pautas de gênero", frisou.

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Mobilidade

Filha de uma ex-cobradora de ônibus, foi no transporte público do Recife que Simony César descobriu que precisava fazer algo pelas mulheres. "Eu morava em Dois Unidos e pegava três ônibus para ir e outros três para voltar da faculdade. Vi muito assédio contra mulheres e entendi o quanto a violência de gênero é um fator impeditivo à presença de mulheres no ensino superior e no mercado de trabalho", explicou no Debate.

Simony criou então a Nina, uma plataforma tecnológica compatível com diversos aplicativos e que registra denúncias de assédio nos serviços de mobilidade urbana. "Andando por várias cidades, só conversei com uma secretária [mulher] de Mobilidade, em Natal [capital do Rio Grande do Norte]. Isso mostra que não são as mulheres que tomam as diretrizes do setor", alerta Simony, que também já foi vítima da violência urbana no transporte público. "Em 2019, estava em uma parada de ônibus na frente do estádio do Santa Cruz, às 18h, ao lado de dois homens. Um assaltante chegou, me encurralou e me deu três facadas. Os homens correram e a minha sorte foi uma mulher que estava passando de carro, parou e me socorreu", lembra.

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Ciência

Muito antes da pandemia do novo coronavírus, quando a peste bubônica se alastrava pelo Brasil, a doutora Alzira Almeida já estava nos laboratórios para pesquisar e ajudar milhares de pessoas que padeciam do mal. Mas nem por isso ela deixou de enfrentar dificuldades. "Eu era casada com com o chefe da equipe brasileira, mas ele era chefe porque era homem. Nós tínhamos a mesma titulação. Tive que lutar muito para me impor, para mostrar minha capacidade e não ser apenas a esposa do médico", destaca. "Depois, ele se aposentou e eu fui chefiar a equipe, mas tinha muita resistência. Eu determinava algo e a equipe, predominantemente masculina, respondia: 'mas o doutor fulano não fazia isso' e eu tinha de explicar que o doutor fulano já havia se aposentado, que a ciência se atualizava e que as informações que valeriam, a partir de então, seriam as que eu preconizava", relembra.

Hoje, Alzira fica feliz em ver mais rostos femininos no meio científico. "Atualmente, as mulheres conquistaram grande espaço na pesquisa científica. Muito diferente de quando eu comecei, há 55 anos, onde predominavam os homens. Mulheres eram consideradas menos capazes. Havia uma espécie de boicote contra as mulheres. Vejo com muita alegria que as mulheres ganharam muito espaço", afirmou.

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