CASO MIGUEL

Primeiro ano da morte do menino Miguel: manifestação faz projeções sobre o caso em prédios do Recife e São Paulo

A criança morreu aos cinco anos após cair de um prédio de luxo no Recife

Vanessa Moura Julianna Valença
Vanessa Moura
Julianna Valença
Publicado em 31/05/2021 às 13:04
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DAY SANTOS/JC IIMAGEM
Mirtes Renata é mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que caiu do nono andar de um prédio de luxo na área central do Recife depois de ser deixado sozinho no elevador - FOTO: DAY SANTOS/JC IIMAGEM
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Nesta terça-feira (1°), prédios do Recife Antigo, na Região Centro do Recife, e da Consolação, em São Paulo, terão frases e fotos projetadas para lembrar do um ano da morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, a partir das 18h. O menino tinha apenas 5 anos de idade quando caiu do 9º andar de um prédio de luxo na área central de Recife, Pernambuco, no dia 2 de junho de 2020.

 

A ação é organizada pela plataforma de abaixo-assinados online e webativismo Change.org e tem como objetivo não deixar que o caso caia no esquecimento. Os ativistas também cobraram da justiça o avanço do processo, que tramita no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e, segundo eles, está permeado por irregularidades.

Mirtes Renata Santana de Souza, a mãe de Miguel, participará da manifestação. “Esse primeiro ano está sendo bem difícil sem o Miguel, mas a gente vai levando, tentando sobreviver, ocupando a mente para não lembrar dos momentos ruins”, conta ela. “Esse ato vai ajudar a pressionar a Justiça. O que está acontecendo no processo da morte do Miguel é um desrespeito à memória do meu filho”, lamenta Mirtes.

No Recife, a projeção acontecerá na Avenida Rio Branco, 162, no Recife Antigo, das 18h às 19h.
Serão projetadas frases como “O resto da vida sem meu filho”, “Justiça por Miguel” e "Vidas negras importam".

"Esse um ano sem justiça sobre a morte do menino Miguel escancara o racismo e o abismo social em que vivemos. A dor de uma mãe e a vida de uma criança negra simplesmente não são consideradas pela Justiça”, ressalta a diretora executiva da Change.org Brasil, Monica Souza.

Criada um dia após a morte de Miguel no site Change.org, a petição, que pede por conclusão do caso Miguel e adoção das medidas cabíveis, chegou à marca de 1 milhão de assinaturas em apenas um dia. Em 48 horas, já havia dobrado de tamanho. Esse é o maior abaixo-assinado já criado sobre um tema racial em toda a história da Change.org no Brasil.

Atualmente, a petição reúne mais de 2,8 milhões de assinaturas. “Mirtes Renata se tornou coautora do abaixo-assinado com o objetivo de intensificar a pressão nas autoridades para uma conclusão rápida e isenta do caso, com a adoção das medidas criminais, cíveis e trabalhistas cabíveis, bem como para protestar contra os injustificáveis meses de lentidão da Justiça”, afirmou Débora Pinho, coordenadora de campanhas na Change.org Brasil.

 

RELEMBRE O CASO

Miguel morreu na tarde de 02 de junho de 2020. Conforme investigação, na ocasião, Sarí estava responsável pela vigilância do menino, enquanto a mãe dele, Mirtes Renata, passeava com o cachorro da patroa.

A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística no edifício constatou, por meio de imagens, que Sarí apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador. Ao sair do equipamento, no nono andar, o menino passa por uma porta corta-fogo, que dá acesso a um corredor. No local, ele escala uma janela de 1,20 m de altura e chega a uma área onde ficam os condensadores de ar. É desse local que Miguel cai, de uma altura de 35 metros.

Sarí Corte Real, ex-patroa da mãe de Miguel, é esposa do ex-prefeito de Tamandaré Sérgio hacker (PSB). Na época do caso, Mirtes e a avó de Miguel trabalhavam na casa do prefeito, mas recebiam como funcionárias da prefeitura. A informação foi revelada pelo Jornal do Commercio.

Após a denúncia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou uma investigação e descobriu que outra empregada doméstica da família também era funcionária da prefeitura, e a Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Hacker. O MPPE descobriu ainda que a mãe e a avó de Miguel ganhavam até gratificação por produtividade, mesmo sem trabalharem na prefeitura, como revelou um documento obtido pela coluna Ronda JC. A assessoria do MPPE disse que o caso segue sob investigação.

Em nota, a Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) esclareceu que o processo está respeitando todos os procedimentos legais e informou que "todas as reclamações estão sendo analisadas pelo Juízo da 1ª Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente da Capital, bem como pelo Ministério Público (MPPE) e advogados de Defesa". Por fim, afirmou que o pedido de anulação da oitiva de uma testemunha encontra-se com o MPPE para análise e parecer.

A CHANGE.ORG

Nascida há 14 anos, a plataforma Change.org tem o objetivo de empoderar cidadãos para gerar mudanças a nível local e global. Desde então, as pessoas podem utilizar-se de uma nova maneira de criar mobilizações, reunir apoiadores e convencer políticos e autoridades sobre a necessidade de transformar realidades na sociedade.

A organização atua sem fins lucrativos e se sustenta unicamente por meio de doações. Além disso, 100% das doações são usadas pela Fundação Change.org para apoiar movimentos liderados por cidadãos, sendo revertidas em ações de impacto para os abaixo-assinados e manutenção da plataforma e sua equipe

“A plataforma é plural e gratuita e, através de abaixo-assinados online, contribui com o fortalecimento da democracia em 196 países e conta com mais de 400 milhões de usuários, contabilizando uma vitória por hora em petições online no mundo”, declara a empresa.

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