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Municípios de Pernambuco estão autorizados a reduzir intervalo da segunda dose da Pfizer

Informações foram divulgadas no fim da tarde, durante coletiva do Governo do Estado

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 09/09/2021 às 17:25
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Segunda dose do imunizante poderá ser aplicada após 60 dias - FOTO: NE10
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O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, anunciou nesta quinta-feita (9) que o governo decidiu reduzir, em todo o Estado, o intervalo de aplicação da segunda dose da vacina Pfizer/BioNTech de 90 para 60 dias. A determinação foi pactuada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco (Cosems). A nota técnica já foi encaminhada aos gestores municipais, que irão organizar sua rede e informar a sua população sobre quando será feita a alteração.

Mais cedo, a Prefeitura de Olinda comunicou que iniciou a aplicação de segundas doses do imunizante em quem tomou a primeira dose há menos de 90 dias. A gestão municipal informou que a população não precisa agendar a aplicação do reforço da vacina.

"Os municípios de Pernambuco já estão autorizados a reduzir o intervalo da segunda dose da vacina da Pfizer de 90 para 60 dias. Para aqueles que têm estoque de Pfizer específico para a segunda dose em estoque, não tem mais porque aguardar os 90 dias", declarou Longo, durante coletiva de imprensa. O secretário explicou, ainda, que a decisão foi tomada com o objetivo de aumentar o número de pessoas no Estado com o esquema vacinal completo em menor tempo, sobretudo por conta da circulação da variante Delta no País.

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"Precisamos acelerar o processo de vacinação dos pernambucanos. A proteção da vacina é mais efetiva quando aplicadas as duas doses, por isso a importância dessa redução. Além disso, a população que está com a segunda dose em atraso também precisa finalizar seu esquema. Atualmente, são mais de 650 mil pernambucanos com a segunda aplicação em atraso. Os municípios precisam convocar esse público e fazer busca ativa para que possamos garantir a proteção ideal", completou o secretário de Saúde.

De acordo com o sistema de informação do Ministério da Saúde (MS), que é alimentado pelos municípios, atualmente, há 653.671 pessoas com segundas doses das vacinas contra a covid-19 em atraso em Pernambuco. Desse total, 459.493 precisam finalizar o esquema vacinal com a Astrazeneca/Oxford/Fiocruz, 160.486 com a Coronavac/Butantan e 33.692 com a Pfizer/BioNTech.

Sobre o quadro atual da covid-19 em Pernambuco, Longo disse que o Estado verifica estabilidade da doença na semana epidemiológica número 35. "Continuamos com um patamar de menos de 400 casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) por semana e com baixa positividade. Na semana epidemiológica 35 foram 380 casos, o que representa sete casos a mais do que na semana epidemiológica 34, mas uma queda de 20% com relação a 15 dias, na semana epidemiológica de número 33", observou o auxiliar do governador Paulo Câmara (PSB).

André Longo afirmou, ainda, que dados da Central de Regulação de Leitos do Estado também reforçam essa estabilidade nos casos da enfermidade, pois foram realizadas 289 solicitações por leitos de UTI na semana epidemiológica 35, dois a menos do que na semana 34, quando houve a contabilização de 291 pedidos.

Apesar dos números favoráveis, o secretário lamentou o comportamento de parte dos pernambucanos durante o feriadão de 7 de Setembro, período em que não foi difícil encontrar cenas de aglomeração e desrespeito aos protocolos sanitários em várias partes do Estado. "Gostaria de externar a minha preocupação com as cenas de aglomeração e de falta de cuidado que observamos durante o feriado. A pandemia não acabou, e atitudes como esta podem causar aumento na contaminação, nas hospitalizações e, consequentemente, nos óbitos, suscitando, assim, a adoção de novas medidas restritivas. Por isso, se quisermos continuar avançando na retomada das atividades, nós precisamos reforçar os cuidados, o uso correto da máscara, sempre cobrindo a boca e o nariz, o distanciamento físico possível e o cumprimento dos protocolos setoriais de cada uma das atividades que estamos retomando", detalhou Longo.

Destacando a importância da detecção precoce de casos de covid, o gestor ainda reforçou a necessidade de que todas as pessoas que apresentam sintomas gripais procurem um ponto de testagem da enfermidade. "Quanto mais cedo nós detectarmos os casos ativos de covid-19 e isolarmos essas pessoas, menos o vírus vai circular entre nós", pontuou. Desde o mês de agosto, o governo tem disponibilizado testes gratuitos de covid em vários pontos do Estado. A ideia é garantir que, dentro de seis meses, 10% da população tenha sido testada.

AstraZeneca

Questionado se a paralisação na produção de novas doses da AstraZeneca pela Fiocruz poderá afetar Pernambuco, Longo afirmou que a administração estadual sempre orientou os municípios a resguardar as vacinas enviadas para aplicação de segundas doses, mas, se houver algum problema, a população que necessita da vacina poderá completar o ciclo vacinal com a Pfizer. 

Segundo o representante da Sociedade Brasileira de Imunizações no Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação contra a Covid-19, Eduardo Jorge da Fonseca, não haveria nada que contra-indicasse a prática. "Se houver necessidade de substituição, nós temos hoje evidências de que o sistema heterólogo, ou seja, aquele que começa com a AstraZeneca e termina a Pfizer, é tão ou mais eficaz do que o esquema com a mesma vacina. Mas eu acredito que isso é uma questão transitória e daqui a aproximadamente 15 dias tudo já estará resolvido quanto à produção da AstraZeneca", observou.

Diluente

Durante a coletiva, o titular da pasta da Saúde também alertou que o Estado está há mais de 20 dias sem receber do governo federal o diluente usado obrigatoriamente para aplicação da vacina da Pfizer. Hoje o déficit do insumo em Pernambuco seria de 38 mil frascos, o suficiente para aplicação de 228 mil doses da vacina.

"O envio do diluente é uma obrigação do Ministério da Saúde, mas este tem sido um problema recorrente, que já está afetando a vacinação em alguns Estados. O Governo de Pernambuco tem feito um grande esforço para garantir este insumo, a partir de empréstimos com as redes públicas e privadas, evitando atraso na proteção da população, mas reforço que essa situação não deveria ocorrer e pode, em algum momento, comprometer o andamento da campanha de vacinação", comentou André Longo.

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