POLÍCIA

Feminicídio: acusado de assassinar dentista pernambucana passa por primeira audiência 

A vítima morreu em fevereiro deste ano após ter sido socorrida para o Hospital de Nossa Senhora do Ó, em Paulista, no Grande Recife, com sinais de asfixia

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 19/11/2021 às 13:28 | Atualizado em 19/11/2021 às 18:22
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VÍTIMA Perícia apontou que Emelly foi morta por esganadura - FOTO: REPRODUÇÃO/TV JORNAL
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Atualizada às 18h do dia 19 de novembro de 2021

Aconteceu nesta sexta-feira (19) a primeira audiência de instrução e julgamento do comerciante Lívio Quirino de Oliveira Neto, de 24 anos, no Juízo da Primeira Vara Criminal da Comarca de Paulista, no Grande Recife.

Ele é réu pelo crime de feminicídio contra a ex-esposa, a dentista pernambucana Emelly Nayane da Silva Ribeiro, de 24 anos. A vítima morreu em fevereiro deste ano após ter sido socorrida para o Hospital de Nossa Senhora do Ó, em Paulista, no Grande Recife.

A Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que a juíza da Primeira Vara Criminal da Comarca de Paulista, Danielle Christine Silva Melo Burichel, determinou que o acusado continuará preso preventivamente, como também prolatou a decisão de pronúncia, indicando que o julgamento do réu será realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Paulista.

"Na audiência, foram ouvidas nove testemunhas arroladas pela Defesa. O acusado Lívio Quirino de Oliveira Júnior foi ouvido na condição de informante, e também interrogado como réu. Lívio é apontado como autor de suposta prática do crime de homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel (asfixia), e feminicídio íntimo contra a vítima Emelly Nayane da Silva Ribeiro", diz trecho do informe do Tribunal de Justiça.

O pai e a mãe de Emelly acompanharam a sessão de forma remota, na companhia do advogado da família. O acusado foi ouvido diretamente do Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, onde está preso. 

Em frente ao local, nesta sexta, amigos e familiares de Emelly protestaram com camisas e cartazes que pediam por justiça. "Ela ligou para mim nessa pandemia e disse: tia, eu sonhei com a senhora chorando. Para mim, ela fez uma viagem. Eu ainda não acredito [que isso aconteceu]. Ela gozava de saúde, era prestativa, amada por toda a família", relembrou a tia Roseane Bento.

"Lívio, como você está conseguindo sobreviver saber da sua total e verdadeira culpa? Porque é absurdo homens como você continuarem dizendo que amam", desabafou a tia Vânia Ribeiro.

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Em frente ao local, amigos e familiares de Emelly protestaram com camisas e cartazes que pediam por justiça - REPRODUÇÃO/TV JORNAL

Segundo noticiou a coluna Ronda JC, o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) apontou que Emelly morreu vítima de asfixia por esganadura. Havia lesões no pescoço dela. Antes de ser socorrida e levada para um hospital, ela estava na residência do ex-marido, onde teve uma discussão e indícios de luta corporal. Eles foram casados por quatro anos e tinham um filho.

Inicialmente, a morte de Emelly havia sido tratada como "a esclarecer". À época, a família já apontava Lívio como o culpado. "Ele queria recomeçar e, como ela não aceitou, ele matou minha filha", declarou a mãe da dentista, Josymeri Bento muito abalada, durante o sepultamento.

Quando foi morta, ela estava separada de Lívio há cerca de um mês. A tia Conceição Leite falou que a relação da sobrinha com o comerciante era conturbada. "A gente viu a situação em que ela se encontrava, com o corpo com vários hematomas. Essa era a segunda vez que ela tentava sair desse relacionamento. Ela dizia 'eu quero viver tranquila, em paz. Ele no canto dele, e eu no meu'. Mas ele não permitiu isso."

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