MEIO AMBIENTE

Exército defende que Escola de Sargentos no Grande Recife será "polo de desenvolvimento socioeconômico"

Projeto conta com a escola, um parque de tiros, uma vila olímpica e uma vila militar

JC
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Publicado em 03/12/2021 às 13:08
Entrevista
FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Comandante Militar do Nordeste, Richard Fernandez Nunes, no Debate em Rede, da Rádio Jornal - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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O comandante Militar do Nordeste, Richard Fernandez Nunes, defendeu que a construção da Escola de Sargento de Armas (ESA) em Abreu e Lima, no Grande Recife, será um "polo de desenvolvimento socioeconômico” e a centralização do ensino militar no Brasil. O assunto foi abordado no Debate em Rede, da Rádio Jornal, na manhã desta sexta-feira (3).

"É um benefício para o exército e para o país. A região vai ganhar um pólo pedagógico, com muita parceria, somos muito abertos e sempre buscamos o que a sociedade tem de melhor para agregar. Em termos econômicos, nem se fala, porque uma escola dessa gera renda em seu entorno", pontuou o general.

O projeto que conta com a escola, um parque de tiros, uma vila olímpica e uma vila militar que devem ocupar cerca de 140 hectares na Área de Preservação Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, facilitará, segundo ele, a centralização do ensino militar no Brasil. “Do ponto de vista pedagógico, serve para formar o exercito, cuja formação hoje está pulverizada em 13 organizações militares em todo país, e não temos uma escola capaz de concentrar por dois anos os 2 mil alunos em lugar nenhum”.

A disputa para implantação da escola começou há dois anos com 15 cidades no páreo. O atual comandante fez uma defesa significativa de Pernambuco para a comitiva, levando em conta a bagagem histórica que o Estado tem para o Exército Brasileiro, formado nas Batalhas dos Guararapes, nestas terras. “Fiz uma defesa apaixonada com o argumento geopolítico, de que tínhamos que deixar enaltecer e mostrar a origem pernambucana. Além disso, dar oportunidade aos jovens do norte e nordeste que normalmente têm mais dificuldade de fazer um curso no Sul. Todos terão bebido dessa fonte, recebido essa carga simbólica e cultural pernambucana. Isso é um ganho anímico, que não é tangível, mas talvez seja o mais importante”, explicou.




O assunto foi abordado um dia após audiência pública que discutiu o projeto na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe), onde contrários defenderam que a construção traria impactos abrangentes para a biodiversidade local. “Qualquer que seja a supressão, repercute na reprodução de animais, na disponibilidade de água ou no clima. Por isso, é importante preservar as zonas de proteção que ainda possuímos e pensar em reflorestar, em vez de desmatar”, defendeu a representante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no Conselho Gestor da APA, Bruna Bezerra.

Mas o comandante defendeu que a implantação da Escola será “será modelo de preservação”. 
“Onde o exército ocupa o terreno, temos exemplo de preservação ambiental. Como o Campo de Instrução Marechal Nilton Cavalcanti, criado em 1940 para mandar esforço de guerra para a Itália. Lá era um canavial, e se hoje se discute preservação lá, foi porque fizemos um belíssimo trabalho de replantação. Essa preocupação para nós é inerente a qualquer projeto”, afirmou o comandante.

Projeto Cultural Memória Militar

A carga emotiva de Pernambuco para o Exército levou o comandante a citar, também, a criação do Projeto Cultural Memória Militar - Origens do Exército, que em breve deve incluir os principais locais da guerra contra os holandeses, ainda pouco visitados, em um roteiro turístico e cultural, feito em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado e prefeituras do Recife e de Jaboatão dos Guararapes.

"Agência de viagens e operadores já se interessam por isso. Isso vai permitir o emprego de pessoas locais como guias nessas atividades. Esse já é um projeto em andamento que só vai avançar se houver um interesse da sociedade em enxergar nesse projeto oportunidade de crescimento. Todo nosso patrimônio vai ser empregado nessa realidade", garantiu Nunes.

Deveres e aprendizados

Em curso um projeto de diminuir 10% do efetivo do Exército Brasileiro em 10 anos, o General respondeu não ter condições de expandir vagas militares no momento, apesar de ser uma carreira desejada por muitos jovens. No último ano, por exemplo, foram 130 mil candidatos na disputa de concurso. No entanto, Nunes aponta que este engajamento pode ser feito de outras formas, como em projetos sociais de iniciação esportiva.

Ele também explicou que o Exército é convidado pelo Ministério de Infraestrutura para tocar obras, e que normalmente consegue "áreas menos compensadoras do ponto de vista econômico". "O comando do Nordeste tem o privilegio de ter um grupamento de engenharia em João Pessoa, que enquadra batalhões de construção. Eles são demandados tanto para realizar obras militares em quarteis e campos de instrução, quanto de cooperação em rodovias e ferrovias. No interior da Bahia um trecho está sendo construído pelos nossos batalhões. Também temos obras de perfuração de poços e a Transposição do Rio São Francisco, mas a iniciativa não é nossa, temos que ser contratados", explicou.

Algo semelhante acontece quando o Exército toma secretarias de segurança no Brasil, como aconteceu no Rio de Janeiro no governo Michel Temer em 2018. "O exército tem a missão constitucional para garantia da lei e da ordem, mas isso é quando há um esgotamento dos meios. Não podemos ser o primeiro engajamento, para isso existem os órgãos de defesa social. Quando entramos, é porque não temos a quem recorrer", disse o comandante, que foi foi posto como Secretário de Defesa Social à época.

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