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Bolsonaro critica Globo por reportagem com detenta trans

Presidente afirmou que "graças à internet livre o povo não é mais refém de manipulações"

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 09/03/2020 às 18:45
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Foto: Agência Brasil
Bolsonaro demitiu a diretoria do Inmetro - Foto: Agência Brasil
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Com Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a Rede Globo por conta de uma reportagem exibida no Fantástico, no dia 1º de março, que contou histórias de mulheres trans em presídios masculinos. Bolsonaro fez um post em sua conta pessoal no Twitter. Lá, o presidente da República afirmou que a emissora tratou "um criminoso como vítima" e omitiu os crimes praticados por "ele". "Estupro e assassinato de uma criança", escreveu.

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Durante a reportagem, exibida na edição de 1º de março, Suzy recebeu um abraço de Drauzio ao revelar que não recebia visitas há sete ou oito anos. "Solidão, né, minha filha", disse o médico no momento. A exibição gerou uma onda de compaixão nas redes, com internautas buscando maneiras para enviar cartas à detenta e organizando vaquinhas virtuais

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Bolsonaro afirmou ainda que "infelizmente a Constituição não permite prisão perpétua para crimes tão cruéis". O post feito por ele, contém ainda uma imagem com as fotos do médico Dráuzio Varella e da detenta Suzy.

Detenta trans, Drauzio Varella e Globo se manifestam

Suzy Oliveira ficou conhecida nacionalmente ao ser entrevistada e abraçada por Drauzio Varella durante a reportagem exibida no Fantástico. No entanto, mais detalhes sobre a história da detenta se tornaram públicos nos últimos dias.

De acordo com a Revisão Criminal nº 0045326-61.2015.8.26.0000, Suzy foi condenada por estuprar e matar uma criança de 9 anos. O crime ocorreu na zona leste de São Paulo, em 2010, quando Suzy ainda utilizava seu nome masculino. Ela está presa desde então.

A advogada de Suzy, Bruna Castro, publicou em seu Instagram uma carta atribuída à detenta, onde ela diz que não foi perguntada pelo programa sobre seus crimes. "Eu sei que errei e muito. Em nenhum momento tentei me passar como inocente. Desde aquele dia me arrependi e hoje estou aqui pagando tudo que cometi".

As informações sobre a condenação foram divulgadas pelo perfil do Grupo de Ciências Criminais no Instagram, que posteriormente apagou o post. "O processo já transitou em julgado e Suzy está cumprindo sua pena, sem necessidade de linchamento ou julgamento virtual", informa nota divulgada pelo grupo..

Drauzio e o programa foram criticados nas redes sociais por supostamente esconder os crimes cometidos por Suzy.

Após a repercussão, Drauzio divulgou neste domingo, 8, um comunicado na qual afirma que há 30 anos frequenta penitenciárias para tratar da saúde de detentos e que não pergunta o que seus pacientes possam ter feito de errado.

"Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico". O médico afirma que segue os mesmos princípios em seu trabalho televisivo, e que não perguntou para nenhuma das entrevistadas sobre os delitos cometidos. "Sou médico, não juiz", conclui.

As reações contra o médico e a rede Globo continuaram, inclusive com publicações nas redes sociais do ministro da educação Abraham Weintraub e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

As tags #DrauzioVarellaLixo e #BoicoteAGlobo figuraram entre os trending topics do Twitter desde a revelação. Nota lida durante o Fantástico afirma que "os crimes das entrevistadas não foram divulgados, porque este não era o objetivo". O programa também declarou apoio integral ao comunicado divulgado por Drauzio.

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