Eleições 2020

''De minha parte, a campanha não vai ser de baixaria'', diz Marília Arraes sobre oposição ao PSB

Durante entrevista, a petista ainda fez críticas à atual gestão do Recife, disse não estar preocupada com o fato de o PT ainda possuir cargos na administração municipal e apresentou propostas de governo

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Publicado em 18/08/2020 às 21:27
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Marília Arraes (PT) foi a candidata desta terça-feira (18) do Resenha Política - FOTO: TV JC
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Quarta pré-candidata à Prefeitura do Recife entrevistada pelos jornalistas Igor Maciel e Jamildo Melo no programa Resenha Política, da TV JC, a deputada federal Marília Arraes (PT) afirmou, na noite desta terça-feira (18), que diferentemente do que tem sido divulgado por seus opositores e até mesmo por petistas, fará, sim, oposição ao PSB durante a campanha, mas garantiu que não usará de "baixaria" para atingir seus adversários. Na ocasião, a parlamentar ainda fez críticas à atual gestão da cidade, disse não estar preocupada com o fato de o PT ainda possuir cargos na administração municipal e apresentou propostas de governo que vão desde a construção de creches até a erradicação das palafitas.

Prima do também deputado federal e pré-candidato João Campos (PSB), Marília fez questão frisar que, apesar do vínculo familiar, não possui nenhum tipo de proximidade ou afinidade política com o grupo do filho do ex-governador Eduardo Campos. "Se (a nossa candidatura) fosse a mesma coisa, eu não teria, lá atrás, rompido com o PSB e me tornado uma das políticas mais perseguidas (do Estado). Eu acho que nunca na história pegaram uma cachorra vira-lata em um comitê e colocaram o nome de uma política (como fizeram comigo). Pixaram a cidade inteira, inclusive a casa da minha mãe com ofensas pessoais contra mim. Se fôssemos a mesma coisa, eu estaria lá, batendo palma para um monte de coisas que estão fazendo", pontuou.

Marília afirmou, contudo, que não pretende rebaixar o nível do debate eleitoral durante a campanha. "Uma coisa eu garanto a vocês, de minha parte a campanha não vai ser de baixaria, de estar apontando o dedo, de falar de um ou do outro. Eu estou preocupada com as nossas propostas. Aliás, parece que eu sou a única preocupada em debater o Recife", cravou a deputada.

 

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Questionada sobre um possível acordo referendado pela Executiva Nacional do PT para que a sua campanha não criticasse partidos aliados, como o PSB do prefeito Geraldo Julio e de João, Marília foi taxativa ao afirmar que a sua candidatura não é "chapa branca". "Críticas precisam ser feitas. Eu sempre fui defensora de que os próprios aliados fizessem críticas, porque elas fazem com que a gente melhore, por isso a oposição é tão importante. A nossa candidatura é de oposição. Claro que não é uma candidatura de gestão e muito menos uma candidatura chapa branca. (...) O meu perfil é combativo", declarou.

Depois da resistência que a sua pré-candidatura sofreu entre petistas recifenses e pernambucanos, as instâncias locais do partido acataram a decisão da Executiva Nacional e aceitaram o nome de Marília no pleito. Os membros do partido que possuem cargos nas gestões do PSB, porém, ainda não deixaram a administração municipal. Perguntada se a situação a incomoda, a parlamentar disse não se importar com o fato. "Eu nunca indiquei cargos nessa gestão. Quem tiver seus cargos e seja lá qual for a orientação do partido, eu não vou interferir, não vou pedir pra ninguém entregar cargos, porque eu não faço política desse jeito. (...) Não interessa a mim quem vai continuar em cargo e quem não vai, o que eu sei é que a gente precisa formar uma aliança programática, de identificação com o que a gente pensa para a cidade. Se a, b ou c quer continuar em cargo ou discorda, eu acho que essa página já está virada", disparou.

Propostas

Durante a entrevista, Marília também apontou a saúde como o principal problema do Recife atualmente e criticou o fato de a prefeitura, segundo ela, não se antecipar aos problemas do município. "A saúde é um dos maiores gargalos que a gente tem, além do trânsito e da mobilidade, que afetam inclusive a qualidade de vida das pessoas. Mas na saúde, de uma maneira geral, o que a gente precisa é de um investimento de fato na atenção básica. Hoje, você conversa na periferia com a população e nunca ficou muito claro na cabeça da população qual o papel da Upinha. A Upinha é para suprir uma deficiência das UPAs? É para substituir o posto de saúde? E isso gera uma insatisfação generalizada. Temos que focar nos postos de saúde da família, nas equipes de saúde da família que, com certeza, num momento como esse, de pandemia, de crise, daria conta do recado", destacou a petista.

Entre as propostas de governo apresentadas pela deputada no programa, uma delas relembra uma velha bandeira do PT do Recife, a erradicação das palafitas na cidade. "Quando a gente passa por fora e vê as palafitas, é bem diferente de quando a gente está lá e vê a situação em que as pessoas vivem. A gente não pode admitir que existam pessoas, recifenses, vivendo daquela maneira. É de uma insensibilidade muito grande. É algo que pode e precisa ser resolvido", disse.

"O Recife hoje tem o pior trânsito do país e 70% da população usa o transporte coletivo, mas ele não anda, não consegue fluir. Além disso tem 15% que usa o carro e outros 15% que usa a mobilidade ativa, que é a bicicleta e o transporte a pé. (..) É preciso que a mobilidade seja estudada mediante a ótica de quem usa o ônibus, que precisa andar. Precisa ter faixas exclusivas que sigam uma rota que leve os grandes bolsões de moradia aonde estão os trabalhos", detalhou Marília, ao comentar a mobilidade na cidade.

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