Eleições

Apoiada por Bolsonaro quando concorreu à Prefeitura do Recife, Delegada Patrícia não garante voto no presidente em 2022

Em entrevista à Rádio Clube na manhã desta sexta-feira (21), a policial falou sobre os cenários políticos local e nacional, e disse ter se decepcionado com algumas ações do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 21/05/2021 às 19:35
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Delegada Patrícia durante o Debate na TV Jornal - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Candidata que alcançou o quarto melhor resultado no primeiro turno das eleições municipais do Recife em 2020, a delegada Patrícia Domingos (Pode) tomou gosto pela política e diz que voltará às urnas em 2022, muito embora ainda não crave qual cargo irá disputar, se do Legislativo ou do Executivo. Em entrevista à Rádio Clube na manhã desta sexta-feira (21), a policial falou sobre os cenários políticos local e nacional, e disse ter se decepcionado com algumas ações do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia, fato que a faz não garantir voto nele nas próximas eleições. No ano passado, quando ela disputou a Prefeitura do Recife, Bolsonaro declarou publicamente apoio à sua postulação, mas ela não chegou a alcançar o segundo turno.

"Como eu já externei algumas vezes, eu tenho discordâncias com relação à forma como o combate ao coronavírus tem sido feito por parte do governo federal. Há a questão da compra das vacinas, quando houve uma oferta muito grande há um tempo atrás, e que se tivesse sido feita hoje ela teria tido um reflexo muito positivo, muitas vidas teriam sido poupadas. (...) A gente vê tantas pessoas falecendo, as pessoas que nós conhecemos e as pessoas que nós não conhecemos, todos são pais, são filhos, têm famílias, têm amigos, não são números, não são 400 mil pessoas. São nomes. E cada uma dessas perdas é irreparável. Tenho minhas críticas ao modo como o governo tem conduzido a pandemia, não sei como vou me posicionar (em 2022)", declarou a delegada, dizendo torcer para que uma terceira via "viável" surja no contexto nacional para que o País "saia dessa polarização".

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Apesar disso, Patrícia diz não se arrepender de atrelar a sua imagem a de Bolsonaro durante a campanha à prefeitura, pois, segundo ela, o apoio que recebeu não foi exatamente do presidente, mas do governo federal. "A gente sempre externou que era muito mais o apoio do governo federal. E a gente sabe que município não sobrevive sem esse apoio, sem essa porta aberta. Na ocasião, o próprio presidente Bolsonaro mencionou que não concorda com todos os meus posicionamentos, que a gente pensa diferente em vários pontos, mas que resolveu apoiar a nossa candidatura porque ela tinha condições de quebrar a hegemonia da esquerda aqui no Recife. O apoio foi nesse sentido", pontuou.

Analisando o próprio desempenho nas eleições passadas, a policial afirmou que o erro da centro-direita recifense não foi nem tanto ter entrado dividida na disputa, mas sim o fato de Mendonça Filho (DEM) ter "errado o alvo". "Ano passado infelizmente o problema não foi nem a divisão na oposição, o problema é que o candidato Mendonça errou o alvo. Ao invés de atacar a situação, os verdadeiros oponentes, que eram o PT e o PSB, ele resolveu iniciar uma guerra dentro do mesmo campo ideológico. Para a gente isso foi uma falha estratégica que resultou em um segundo turno entre PT e PSB, que era o pior resultado possível", cravou a delegada.

Posts antigos de Patrícia em que ela se referia de maneira pejorativa à capital pernambucana em redes sociais vieram à tona durante a campanha de 2020 e foram usados tanto por aliados quanto por adversários políticos para enfraquecê-la na disputa. Apesar de a candidata do Podemos ter perdido força no pleito, os votos dela não migraram para o postulante do DEM, o que levou o Recife a um segundo turno entre Marília Arraes (PT) e João Campos (PSB), ambos representantes da centro-esquerda no Estado.

A assessoria de imprensa de Mendonça foi procurada para comentar o caso, mas afirmou que o ex-governador e ex-ministro da Educação não responderia às declarações de Patrícia.

Questionada sobre as suas pretensões para 2022, a delegada disse que tem a intenção de continuar na política, mas que não definiu o cargo que vai perseguir. "Para mim foi uma alegria muito grande debutar na política em uma eleição majoritária e até hoje eu recebo muito carinho das pessoas. Eu fiz política do jeito que eu sonhava fazer, de uma maneira limpa, honesta, uma política de voluntariado, de votos orgânicos, e eu pretendo continuar, em 2022 serei candidata novamente. Não decidi ainda o cargo, mas em 2022 haverá eleições com Patrícia de novo", disparou.

Sobre a disputa para o governo estadual, Patrícia afirmou que aposta em uma única candidatura no campo de oposição e disse que se o grupo for representado pelos prefeitos Raquel Lyra (PSDB), de Caruaru, ou Miguel Coelho (MDB), de Petrolina, ele estará em boas condições para vencer. "Na conjuntura atual, eu ainda sou favorável a um palanque único. Falando de forma bem pragmática, somando o meu percentual de votos com o de Mendonça, a gente estaria no segundo turno, se fosse um único candidato. Ainda que não tivessem ocorrido os desgastes que ocorreram no campo da oposição, eu acredito que uma candidatura única teria sido o melhor caminho. E a gente buscou isso, só que não foi possível chegar a um consenso", observou.

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