Levantamento

Veja o que a pesquisa CNT aponta sobre uma terceira via contra Bolsonaro e Lula nas eleições de 2022

De acordo com a pesquisa, 30,1% preferem que algum candidato que não seja ligado a Bolsonaro, nem a Lula, ganhe as eleições para presidente

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 06/07/2021 às 11:44
Ricardo Stuckert/Divulgação e Marcos Corrêa/PR
O ex-presidente Lula lidera a corrida eleitoral, com Bolsonaro em segundo - FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação e Marcos Corrêa/PR
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No próximo ano, os brasileiros voltam às urnas para escolher quem ocupará a Presidência da República entre 2023 e 2026. Será a 8ª eleição direta para presidente desde redemocratização no País. Entre os candidatos devem estar nomes que têm experiência em disputar a Presidência, como o atual Chefe do Executivo Jair Bolsonaro, o ex-presidente Lula (PT), que concorreu pela primeira vez ainda em 1989, e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que em 1998 já se lançava ao posto de presidente.

Há ainda a expectativa sobre o resultado de estreantes na disputa, como João Doria ou Eduardo Leite, pelo PSDB, Luiz Henrique Mandetta, pelo DEM, e o ex-juiz Sergio Moro. Porém, ainda não há certeza sobre qual desses será realmente candidato. O PSDB realizará prévias para bater o martelo e decidir quem será o candidato após um racha interno. O DEM pode não dar chance a Mandetta e apoiar Bolsonaro e Sergio Moro ficou distante dos holofotes após romper com o presidente e, recentemente, ter sofrido derrotas no Supremo Tribunal Federal (STF), quando sua condenação no caso Lula foi anulada e ele julgado parcial no processo.

Neste cenário, com indefinições no centro, Lula e Bolsonaro vão perpetuando seus nomes nas cabeças das pesquisas eleitorais e sinalizando para uma polarização esquerda versus direita ou Lulismo versus Bolsonarismo em 2022.  Todavia, como há tempo para o pleito, o centro deve tentar uma mobilização, caso queira se viabilizar e construir um discurso e um projeto coeso para aglutinar aqueles que são tanto antipetistas quanto antibolsonaristas.

Hoje, os números dos candidatos de centro seguem pulverizados, visto que não se sabe quem vai de fato disputar a eleição. Uma nova rodada da pesquisa CNT/MDA foi divulgada nessa segunda-feira (5). Confira qual o cenário do primeiro turno, em uma pesquisa estimulada (quando os nomes dos candidatos são apresentados):

  • Lula - 41,3% 
  • Bolsonaro - 26,6%
  • Ciro Gomes - 5,9%
  • Sérgio Moro - 5,9%
  • João Doria (PSDB) - 2,1%
  • Luiz Henrique Mandetta (DEM) - 1,8%
  • Brancos e nulos - 8,6%
  • Indecisos - 7,8%

Cientista político, Antonio Lavareda comentou a pesquisa durante o Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta terça-feira (6), e reforçou a cautela com as pesquisas realizadas com certa distância do período eleitoral. "Essas pesquisas realizadas com tanta distância do pleito, o conceito de intenção de voto talvez seja um pouco exagerado. As pessoas ainda não estão pensando em campanha, em quem votar para presidente. O mais importante agora é a avaliação do governo, já que teremos um presidente candidato. Será como um plebiscito sobre a percepção do presidente", destacou. 

Somados, os números de indecisos e brancos/nulos somam 16,4%. Porém, na visão de Lavareda, esse número pode ser ainda maior. "Provavelmente, a alienação nas urnas, ou seja, quem desperdiça o voto, deve ser o dobro, deve ser parecida coma eleição de 2018 e, se acompanhar a eleição municipal de 2020, deve ultrapassar os 30%", disse.

Terceira via

Sobre a possibilidade de um candidato competitivo que não seja Lula ou Bolsonaro, Lavareda ressalta trecho da pesquisa que perguntou sobre a preferência das pessoas para o próximo ano. Neste quesito, 40,3% preferem que Lula ganhe as eleições e volte a ser presidente.  Outros 30,1% preferem que algum candidato que não seja ligado a Jair Bolsonaro, nem a Lula ganhe as eleições e 25,1% prefere que Jair Bolsonaro ganhe as eleições e continue por mais 4 anos. Por fim, 4,5% não sabe ou não respondeu.

Segundo Lavareda, a partir do momento em que 30,1% afirmam preferir um candidato que não seja ligado a Lula ou Bolsonaro, abre-se espaço para uma candidatura de terceira via e que, pelos números de hoje, ela teria chances de ultrapassar o presidente e ir ao segundo turno contra o petista.

Em entrevista recente ao O Globo, Andrei Roman, diretor do Atlas Intelligence, disse que "para emplacar o centro no segundo turno, você precisa de duas coisas: uma redução muito rápida da fragmentação do campo e alguém que consiga agregar um apoio muito mais espontâneo do que temos agora".

Mas aqueles que querem evitar a polarização ainda não possuem um nome único para tentar capitalizar esse público. Na visão do deputado federal Aécio Neves (PSDB), que disputou a Presidência em 2014 e chegou ao segundo turno, sendo derrotado por Dilma Rousseff (PT), se quiser vencer, o centro precisa de uma terceira via única, ao invés de lançar vários candidatos.

Em entrevista ao quadro Café com Política, da rádio Super, nessa segunda-feira (5), Aécio disse que o Brasil não ''merece'' a polarização que se forma para as eleições presidenciais em 2022, entre Bolsonaro e Lula. O deputado defende que seja criada uma terceira via mesmo que não seja encabeçada por seu partido.

Ele também criticou a postura do tucano João Doria, governador de São Paulo, a quem definiu uma possível candidatura como "projeto pessoal". "Uma candidatura presidencial não pode ser vontade pessoal, vale pelo governador de São Paulo e para os outros. Vivemos um momento dramático, com dois polos de alguma forma consistentes, mas com altíssima rejeição", ponderou. "O PSDB é um ator extremamente importante, mas, se não admitir conversar, vamos estar, na verdade, dinamizando o centro", completou. 

Ele também citou nomes dentro do PSDB que considera mais interessantes que o de Doria para 2022. "Dentro do PSDB, vejo mais nomes com maior capacidade de aglutinar, como de Tasso Jereissati (senador) e de Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul). Como novidades, temos o ex-ministro Luiz Mandetta e o nome do senador Rodrigo Pacheco é sempre lembrado. São alternativas que estão no jogo, mas precisarão trabalhar muito, para ter uma candidatura de terceira via", analisou. 

Na última semana, em entrevista à Rádio Jornal, o deputado Daniel Coelho, líder do Cidadania na Câmara,  partido que defende uma terceira via, disse que o Brasil escolherá um caminho de centro. Para ele, Bolsonaro quer manter seu eleitorado fiel para ir ao segundo turno contra Lula no próximo ano.

"Nas últimas eleições ficou provado que você não precisa da maioria. As abstenções são crescentes então com um terço dos votos você vai ao segundo turno e, se manter isso, pode vencer. Bolsonaro tenta manter a base de um terço e aposta em um segundo turno no qual o antipetismo possa ser decisivo. É a estratégia de Lula, que quer ir ao segundo turno contra Bolsonaro. Por isso, a preocupação de Lula é não ter um terceiro candidato competitivo, compreendendo que a vitória dele é contra Bolsonaro. O desafio é dizer que não se vence por antecipação, precisa fazer com que as pessoas analisem e escolham o melhor e, quem sabe, ter opção diferente dessas dos dois polos", colocou Daniel.

Segundo turno

Num eventual segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por 52,6% a 33,3%. Ciro também venceria o atual presidente em um eventual segundo turno, por 43,2% a 33,7%. Bolsonaro aparece numericamente à frente, mas dentro da margem de erro num confronto com Doria, 36,3% a 33,5%. O instituto MDA realizou 2.002 entrevistas nos dias 1º e 3 de julho e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

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