MINISTRO DO GSI

General Heleno diz tomar 'Lexotan na veia' diariamente para não levar Bolsonaro a atitude mais drástica contra STF

A declaração foi feita na terça-feira (14) durante a formatura do Curso de Aperfeiçoamento e Inteligência, para agentes já em atividade na Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 15/12/2021 às 7:14
Marcos Corrêa/PR
Ministro de Estado do Gabinete de Segurança Institucional, General Augusto Heleno - FOTO: Marcos Corrêa/PR
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O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, um dos auxiliares mais próximos do presidente Jair Bolsonaro (PL), foi gravado realizando ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos áudios, publicados na coluna do jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles, o militar afirma que precisa tomar remédios psiquiátricos “na veia” diariamente para evitar que o chefe do Poder Executivo tome “uma atitude mais drástica” contra a Suprema Corte.

"Eu, particularmente, que sou o responsável, entre aspas, por manter o presidente informado, eu tenho que tomar dois Lexotan na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF que está aí", afirmou Augusto Heleno.

As declarações foram feitas na terça-feira (14) durante a formatura do Curso de Aperfeiçoamento e Inteligência, para agentes já em atividade na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O evento é um encontro fechado da agência.

De acordo com a bula do medicamento, o Lexotan é indicado para ansiedade, tensão e outras queixas físicas ou psicológicas associadas à síndrome de ansiedade. "É indicado também como auxiliar no tratamento de ansiedade e agitação associadas a quadros psiquiátricos, como transtornos do humor (doenças psiquiátricas em que o indivíduo apresenta depressão ou euforia desproporcionais) e esquizofrenia (doença psiquiátrica em que costumam ocorrer alucinações)."

Em sua fala, o general disse que o STF está “tentando esticar a corda até arrebentar”, se referindo à relação do Judiciário com o Poder Executivo, e que rezará para que Bolsonaro não sofra um novo atentado em 2022.

“Temos um dos Poderes que resolveu assumir uma hegemonia que não lhe pertence, não é, não pode fazer isso, está tentando esticar a corda até arrebentar. Nós estamos assistindo a isso diariamente, principalmente da parte de dois ou três ministros do STF”, disse Heleno, sem citar nomes.

“Tenho uma preocupação muito grande com esse 2022, porque acho também que uma medida muito simples para mudar, em dez segundos, 20 segundos, totalmente o panorama brasileiro. Um atentado ao presidente da República bem-sucedido modifica totalmente a história do Brasil. Tenho plena consciência disso”, emendou.

Em seguida, o general contou que já no mês que vem, início de 2022, rezará todos os dias em igrejas católicas, evangélicas, centros espíritas e “tudo o que tiver por aí”. O objetivo da peregrinação é torcer para que Bolsonaro não seja “eliminado”.

Relação conturbada

O relacionamento da gestão Bolsonaro com o STF está 'azedado' há algum tempo. Membros do governo avaliam que o Supremo se intromete em questões que não são de sua alçada. Inclusive, fala parecida foi dita por Heleno na terça. Para ele, o Judiciário “resolveu assumir hegemonia que não lhe pertence”.

Neste rol de ações que fogem da competência do STF, o governo aponta questões como a decisão da Corte que permitiu a prefeitos e governadores adotarem medidas contra a covid-19 e a proibição, em 2020, de o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, assumir o comando da Polícia Federal.

A relação chegou ao limite quando Bolsonaro convocou manifestações antidemocráticas para o feriado de 7 de setembro, usando como estopim a prisão do presidente do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os protestos pediam expressamente o fechamento do STF, entre outras pautas. Bolsonaro fez discursos repetidas vezes xingando ministros do Tribunal, além de ter ameaçado descumprir decisões da Corte. Depois da reação aos eventos, Bolsonaro publicou uma carta, escrita com Michel Temer, em que acenava com o respeito ao Supremo.

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