PARA REFLETIR

É de bom tom? Entenda por que algumas fantasias devem ser evitadas

Algumas fantasias podem ofender determinado grupo de pessoas ou reforçar determinados estereótipos

Samantha Oliveira
Samantha Oliveira
Publicado em 03/11/2021 às 14:41 | Atualizado em 03/11/2021 às 18:42
Alessandra Negrini no Carnaval de São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)
Alessandra Negrini no Carnaval de São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)
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O Halloween tomou conta de vez do roteiro de festas dos brasileiros. Por conta disso, anônimos e famosos apostaram na fantasia fora de época. Entre eles, a atriz Bruna Marquezine, que vem sendo criticada por ter escolhido um look de enfermeira.

Antes de tudo, é necessário entender que existem algumas roupas e costumes que podem ser problemáticos ao virarem fantasia. Seja por serem de um simbolismo sagrado para determinado grupo ou uma "sátira" sobre determinado tema.

Pode ser fácil argumentar que "o mundo está muito chato" ou que essas sejam reclamações da "geração mimimi", mas esse tipo de piada ou satirização de algo ou algum grupo é algo que acontece há tempos e, de fato, incomoda.

Além disso, pensar em uma fantasia divertida não perde a graça por conta disso, mas sim estimula a ser mais criativo nos looks.

Assim, confira a lista de algumas fantasias que é melhor deixar de fora no próximo Carnaval (ou Halloween).

Enfermeira

Afinal, por que a fantasia de Bruna Marquezine foi tão criticada pelo Conselho Regional de Enfermagem? O órgão argumenta que esse tipo de fantasia não só descrebiliza a profissão como propaga um estereótipo sobre as enfermeiras.

"Por ser uma categoria predominantemente feminina, com mais de 80% de mulheres, sofre impactos das desigualdades de gênero, o que inclui episódios de violência e assédio", explicou em publicação.

Em resumo, a fantasia de enfermeira "sexy" tem impactos diretos em como a profissão é vista por muitos - perpetuando estigmas sobre essas profissionais.

Blackface ou Nega Maluca

Esse tipo de fantasia já foi bastante "clássica" nos carnavais passados, mas deixou de ser aceitável há muito tempo. Isso porque o ato de se pintar de preto, usar peruca ou fazer "piadas" sobre a população negra é nada menos que racismo.

Além disso, satirizar características físicas como traços do corpo ou corpo, como é feito na fantasia de Nega Maluca, perpetua estereótipos sobre mulheres negras.

Indígena

Todos os anos, a discussão sobre se fantasiar ou não com itens que remetem à cultura indígena vêm à tona. Porém, mais de uma vez tanto órgãos quanto personalidades que representam o movimento indígena explicam que não há nada de "divertido" se customizar com itens que podem ser sagrados para certas culturas.

Além disso, em um breve olhar pela história do Brasil é possível perceber que os povos originários e suas terras foram - e continuam sendo - desprezados. Lembrando também que um cocar e as pinturas corporais não podem definir a diversidade das tribos que habitam no nosso território.

Terrorista

É um pensamento comum - e igualmente errôneo - associar o islamismo ao terrorismo. Isso, contudo, é mais um preconceito enraizado desde a "popularização" de ataques terroristas.

Não só em relação à população islâmica, mas também aos povos árabes, que possuem sua cultura atrelada ao terrorismo e a homens-bomba.

Figuras religiosas

Religiões de matrizes africanas sofrem, diariamente, com o preconceito e racismo religioso no Brasil. Para além disso, os orixás, por exemplo, são de um significado sagrado para os seus fiéis - e não devem virar uma mera fantasia para uma festa.

O mesmo também pode se aplicar a outras religiões - como fantasias de freira "sexy", padre, etc. Lembrando que religiões católicas não são alvo de preconceito tanto quanto a umbanda e o candomblé, por exemplo, mas ainda assim se ofendem com esse tipo de sátira.

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