SEM TABUS

Mês da Masturbação: 25 anos depois de proclamado, masturbação feminina ainda é tabu na sociedade

As mulheres têm tido mais liberdade para falar sobre masturbação, mas desinformação é empecilho para conversas aprofundadas sobre o tema

Lívia Maria
Lívia Maria
Publicado em 13/05/2022 às 18:56 | Atualizado em 20/05/2022 às 17:39
Deon Black/Pexels
Maio é considerado o Mês Internacional da Masturbação - FOTO: Deon Black/Pexels
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Maio é o Mês Internacional da Masturbação, proclamado em 1995 em homenagem à médica Joycelyn Elder, então secretária de Saúde dos Estados Unidos. Elder foi demitida por sugerir a inclusão da masturbação na educação sexual nas escolas.

A masturbação ainda é um tabu para muitas pessoas, em especial para as mulheres. Recentemente uma campanha sobre os benefícios da masturbação causou controvérsias na Colômbia. Para alguns, a campanha foi desnecessária e causou desconforto, para outros foi educativa.

Aqui no Brasil, a novela "Um Lugar ao Sol", da Rede Globo, exibiu uma cena em que a personagem Rebeca (Andréa Beltrão) protagoniza uma cena de masturbação íntima. A personagem vivia uma crise no casamento e para satisfazer seus desejos, se tocou. A cena, exibida em rede nacional, na TV aberta, repercutiu, chocou alguns, e mais uma vez trouxe para o debate os benefícios da masturbação para a saúde íntima.

Apesar de alguns avanços para falar sobre masturbação, o tabu permanece. Entre as mulheres, um grande estigma é falar sobre o órgão genital e conhecer seu próprio corpo.

“Falar sobre a mulher se tocar, conhecer seu corpo, sua vulva, se dar prazer, gozar, ainda é encarado por muitas pessoas e instituições como algo ‘errado’, ‘pecaminoso’, ‘sujo’, e por aí vai”, diz a sexóloga Andréia Paro, em entrevista à IstoÉ.

Vamos falar sobre masturbação e prazer da mulher?

Segundo a fundadora e CEO da femtech Feel, Marina Ratton, as mulheres estão vivendo uma jornada de autoconhecimento e autocuidado. Falar sobre masturbação, brinquedos eróticos, como vibradores, orgasmo e sexo com amigas tem se tornado mais fácil, especialmente para as mulheres mais jovens.

Entretanto, é preciso que a mulher conheça seu corpo e seus desejos a fundo, para que se sinta confortável em compartilhar suas experiências. Muitas ainda têm dificuldade de entender as diferenças entre vulva e vagina, por exemplo.

"Intimidade é uma parte importante de nossas vidas, merece ser abraçada sem culpa e sem vergonha. Buscar qualidade para nossa intimidade é um movimento que deve ser natural assim como comprar um bom creme para o rosto”, acredita Marina Ratton.

Para a ginecologista Roberta Grabert, antes de falar de masturbação feminina, precisamos falar de prazer feminino. “Durante muito tempo, o prazer feminino foi elevado a um segundo plano, ou era pecado, ou não podia existir. O mais importante da masturbação é o autoconhecimento, conhecer seus pontos de prazer e como você pode explorar o seu corpo”, analisa.

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