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Moro critica advogados de Lula e elogia João Dória

Livro será lançado no Recife, no domingo 5 de dezembro, em evento no Rio Mar

Jamildo Melo
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Jamildo Melo
Publicado em 30/11/2021 às 0:10 | Atualizado em 30/11/2021 às 0:41
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A juíza Gabriela Hardt, substituta do juiz Sérgio Moro, vai conduzir a oitiva - FOTO: Foto: Reprodução
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Na obra Contra o sistema de corrupção, Sérgio Moro (Podemos) parece poupar Lula de maiores críticas, enquanto foca sua atenção a Bolsonaro, dando a impressão de que planeja polarizar com o ex-presidente em outro momento. O livro será lançado no Recife, no domingo 5 de dezembro, em evento no RioMar.

No capítulo que descreve a polêmica com os áudios de Dilma para a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil, Moro recorre a Obama para chamar Lula de "ladrão", citando um trecho da recente biografia do ex-presidente dos EUA.

"A defesa construiu um álibi de que ele era perseguido", diz.

"É hipócrita quem fala em criminalização da política. Alguém tem que me convencer de que pagar ou aceitar suborno é boa política", em outro trecho.

Na página 171, no capítulo Pecado Original, ele diz que o processo gerou desgastes (irreversíveis) com Bolsonaro e defende que o presidente deveria ter sido "estadista" e "não olhar os filhos". No mesmo capitulo, ele revela que o presidente teria lhe aconselhado a não se envolver na polêmica. "Se não vai ajudar, não atrapalha", teria dito Bolsonaro. "Fui acusado de traição, mas não entrei no governo para servir a interesses pessoais", afirma antes de concluir que no quesito da ética Bolsonaro e Lula seriam iguais.

"Vejo atualmente o governo Bolsonaro muito parecido com o governo Lula, especialmente na parte ética. Algumas coisas diferem, sim, mas nem tanto. Vale a pena igualar-se ao adversário para alcançar e manter o poder?", questiona.

"Aquele era o momento em que o governante deveria adotar uma postura de estadista, colocando os interesses do pais acima das pessoas, ainda que o próprio filho fosse afetado".

Valeska Teixeira e Cristiano Zanin, advogados de Lula (Foto: Paulo Pinto/Agência PT)
Valeska Teixeira e Cristiano Zanin, advogados de Lula (Foto: Paulo Pinto/Agência PT) - Valeska Teixeira e Cristiano Zanin, advogados de Lula (Foto: Paulo Pinto/Agência PT)
 

Crítica aos advogados

Os advogados do ex-presidente por mais de uma vez são criticados, direta ou indiretamente, embora seus nomes jamais sejam citados. Logo no começo do livro ele reclama que os advogados não tem mais recato e são muito agressivos.

Moro virou juiz aos 24 anos, atuando como juiz de execução fiscal e já reclamava da baixa eficácia da Justiça nestes casos. Na obra, ele revela que seu primeiro impulso, antes do Direito, era uma formação em jornalismo.

Ao comentar a audiência de Lula em Curitiba, em maio de 2017, na vara da Lava Jato, no capítulo Um Domingo Qualquer, o ex-juiz classifica a defesa de "desagradável".

"Aceitei a denúncia em 20 de setembro de 2016. Começava ai um calvário. A tramitação deste processo foi muito desgastante. Desde o início a defesa do ex-presidente adotou uma postura bastante agressiva contra o Ministério Público e contra mim... As audiências eram quase sempre muito desagradáveis diante da hostilidade adotada pela defesa do ex-presidente", descreve.

"Deveria haver limites para os ataques (nas redes sociais) sem no entanto haver censura prévia ou qualquer restrição excessiva à liberdade de expressão", sugere, depois de comparar as críticas que recebia de petistas e aliados do PT com as ofensas disparadas hoje contra o Judiciário, em especial o STF, no governo Bolsonaro. Moro diz acreditar que isto tudo começou bem antes, ainda no Mensalão, com os ataques ao ex-ministro do STF Joaquim Barbosa.

Quando fala das empreiteiras, Moro critica o que chama de 'capitalismo de compadrio' e sugere que se elas tivessem reconhecido erros e adotado boas práticas quando foram questionadas em 2015 teriam se saído melhor. "Todos merecem uma segunda chance e ninguém desejava que as empresas fossem a bancarrota", declara, citando em especial a Odebrecht.

Sobre o episódio da Vaza Jato, que trouxe supostas conversas entre procuradores e com o então magistrado responsável pela Lava Jato, ele é peremptório. "No fundo, foi construída uma farsa em cima de um crime com o objetivo de anular condenações e processos por crimes de corrupção", diz.

"Com todo o respeito ao STF, a afirmação de que eu teria atuado com imparcialidade ou com suspeição não é minimamente sustentável. Foi um erro cometido sob a influência de um crime, no caso, a invasão de celulares de procuradores e juízes por hackers"

GOVESP / Luis Blanco
O governador do Estado de São Paulo, João Doria, e ex-Ministro Sergio Moro - GOVESP / Luis Blanco

João Dória

Na publicação, o ex-ministro gasta um capitulo inteiro ao explicar o golpe no Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2019, com a transferência de chefões dos criminosos de São Paulo para prisões de segurança máxima federais. Neste momento, ele elogia o governador João Doria, pela parceria na empreitada, enquanto sugere ter havido leniência nas gestões passadas do PSDB em relação ao tema. Com o receio de que a população sofresse com rebeliões ou retaliações.

Aécio Neves

Outro mea culpa que Moro faz no livro foi ter aparecido ao lado do tucano Aécio Neves. "Foi um descuido aparecer ao lado de Aécio Neves".

 

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