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IMPULSIVO?

Psicóloga analisa comportamentos recentes de Hernanes, meia do Sport; confira

Meia do Sport tem protagonizado episódios impulsivos, que já lhe renderam até uma expulsão

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 07/10/2021 às 21:37
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ANDERSON STEVENS/ SPORT CLUB DO RECIFE
Na última quarta-feira (6), Hernanes virou um cooler sobre a própria cabeça. - FOTO: ANDERSON STEVENS/ SPORT CLUB DO RECIFE
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O meia Hernanes desembarcou no Recife como a principal contratação do Sport para a temporada, mas recentemente não é o futebol dele que tem chamado a atenção. O jogador demonstrou, em mais de uma oportunidade, comportamentos impulsivos e até mesmo descontrolados durante os jogos da equipe rubro-negra. E fora dos gramados, alguns vídeos publicados pelo atleta viralizaram, tanto pelo conteúdo falado por ele quanto pela forma de falar. A reportagem do Blog do Torcedor conversou com a psicóloga Aritana Azevedo, que analisou o comportamento que o camisa 8 tem apresentado. 

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Aritana tem especialização em formação de equipes e alta performance e já trabalhou como psicóloga do Náutico e do próprio Sport. No rubro-negro, inclusive, ela ainda realiza trabalhos pontuais. Diante do panorama atual de Hernanes, ela elencou vários pontos que podem ter influência sobre o comportamento do jogador.

A lista de comportamentos impulsivos de Hernanes conta com uma expulsão contra o Athlético-PR, com direito a peitar o árbitro e ficar descontrolado. Na última quarta-feira (6), durante a partida contra o Juventude, depois de ter sido substituído e ter levado um cartão amarelo mesmo fora do jogo, o meia virou um cooler com gelo na própria cabeça e depois arremessou o recipiente no chão. Horas depois, publicou um vídeo explicando sua atitude e uma frase marcou a publicação: "eu era ovelha, mas agora eu sou leão". Não parou por aí. Ainda no pós-jogo do Juventude, o atleta disse que o gramado da Arena de Pernambuco é um pasto. 

Sobre a expulsão e o episódio com o cooler, Aritana destacou que Hernanes pode ter agido movido puramente pela emoção, pela raiva. "Na raiva existem os sequestros neurais e aí a gente só sente e faz. Não usa a parte cognitiva, que é o pensar. A gente funciona assim: o que eu penso, eu sinto. O que eu sinto, eu faço. Todos nós temos emoções básicas: medo, raiva, alegria, amor e tristeza. Então quando a gente é levado pelos impulsos, que são as emoções, nós sentimos e fazemos", detalhou. 

Outro ponto destacado pela psicóloga é o de que, nas situações em que reagiu de forma impulsiva, Hernanes ficou incomodado por algum motivo anteriormente, como as atitudes dos árbitros que o advertiram com cartões amarelos nas duas situações.

"Ele provavelmente se sentiu injustiçado. O que é que representa raiva? Regra interna violada. Cada um tem seu critério de raiva. Só que, quando é que a gente consegue mudar comportamento? Quando a gente assume a consequência. Levando em consideração que imagem está passando para o torcedor ao virar o cooler na cabeça. Se questionando porque age e pensa só depois. Existem outras técnicas para esfriar a cabeça. Eu posso respirar, entender o que foi isso. Mas isso é uma habilidade mental, uma competência que é treinada. O meio - dos clubes de Série A - está tão competitivo que qual é o grande diferencial? A inteligência emocional. Fisicamente os jogadores estão muito bem, tecnicamente são bons, taticamente conseguem cumprir. A grande diferença é esse estado mental, essa capacidade de lidar com frustração. É resiliência, como é que gerencia as adversidades, ansiedade, estresse, é isso que vai fazer a diferença", acrescentou. 

Hernanes tem histórico de liderança pelos elencos que passou e chegou ao Sport com essa expectativa sobre ele, além, claro, de ser referência técnica para a equipe - o que ficou ainda mais em evidência depois das saídas de André e Thiago Neves. "Ele vem com uma expectativa muito alta, tem até a história do "profeta". Então ele vem com essa expectativa muito alta e encontra um cenário, talvez, muito diferente do que ele esperou. Ele está lidando com esse estresse, com as questões internas do clube, saídas de André e Thiago. Como ele está administrando isso, dá a entender, o quanto ele está sendo puramente emocional", disse Aritana. 

Com um comportamento majoritariamente guiado pela emoção, Hernanes dá brecha para que se questione a inteligência emocional dele. Aritana Azevedo explica que essa é a habilidade que quanto mais se tem, mais se consegue agir de forma assertiva. "Quando a gente vai falar de maturidade, tem o intervalo entre o que eu sinto, o meu impulso e o que eu faço", explicou. 

Ainda sobre ser um líder no elenco do Sport, Aritana lembrou que esse papel não se desempenha apenas dentro de campo, mas reúne todo o comportamento do atleta, desde o momento que ele chega para o treino, como trata as pessoas e faz suas escolhas. 

"A gente tem exemplos de grandes lideranças no Sport que foram Magrão e Durval. São referências por quê? Pelo jeito de ser. A gente precisa entender que, a partir do momento que ele assume esse papel, que ele vem com um propósito, com essa história de profeta, precisa fazer com que as ações sejam coerentes", disse.  

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