Trapeiros

Associação Trapeiros de Emaús completa 20 anos de atuação solidária

Entidade faz aniversário nesta terça-feira (16) reafirmando a missão de recuperar objetos usados, vendidos a baixo custo a famílias carentes

Da Editoria de Cidades
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Publicado em 16/08/2016 às 7:30
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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São duas décadas dedicadas à solidariedade e sustentabilidade em um trabalho pioneiro no Estado. A Associação Trapeiros de Emaús faz aniversário nesta terça-feira (16) reafirmando a missão de recuperar objetos e móveis usados, vendidos a baixo custo a famílias carentes, e a responsabilidade de transformar a vida dos que vivem na periferia, através da educação. Um trabalho que depende de colaboração para continuar acontecendo.

O movimento Emaús nasceu na França há 67 anos, criado pelo sacerdote francês Abbé Pierre. Em Pernambuco, a associação foi fundada pelo arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Helder Camara (1909-1999), em parceria com o italiano e ativista Luis Tenderini.

O trabalho de recuperação é feito com o auxílio de três caminhões. De casa em casa, são coletadas doações de objetos prestes a serem descartados, mas que ainda podem ser restaurados. Na oficina, que funciona em um galpão no bairro da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos ganham nova vida. No espaço também funciona uma central de reciclagem de papel e reaproveitamento de livros. Quando restaurados, os utensílios são vendidos a baixo custo em bazares comunitários todas as quintas e sábados em outro espaço mantido pela associação no bairro de Dois Unidos, também na Zona Norte. Às quartas, acontece um bazar literário no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

Os reparos são feitos por trapeiros capacitados na Escola de Formação Profissional Luís Tenderini, mantida pela instituição desde 2001. O centro de capacitação é um dos maiores legados nas duas décadas de atuação. “Um dos aspectos que sempre valorizamos foi dar oportunidade a pessoas, de alguma forma excluídas, entrar no mundo do trabalho através da aprendizagem de uma profissão. Por aqui passaram dezenas de jovens e adultos que tiveram a oportunidade de trabalhar e ganhar seu pão”, destaca Tenderini. O valor conseguido com a venda dos utensílios é rateado para pagar aos associados.

Por ano, cerca de 200 pessoas são capacitadas gratuitamente nos cursos de manutenção de computadores, eletricidade civil e industrial, eletrônica industrial e refrigeração. Além das disciplinas técnicas, a formação humana não é deixada de lado e, dentro do currículo, os alunos participam das Oficinas de Formação para Cidadania. 

Foi o trabalho na associação o responsável por mudar a vida de Maria da Paz de Oliveira, 47 anos. Assim como coletou o material para ser recuperado, foi de porta em porta que Tenderini chegou a ela, há 14 anos. Viúva, desempregada e com seis filhos para criar, recebeu o convite para trabalhar como trapeira. “Entrar para os Trapeiros mudou minha vida. Aqui aprendi a ler, a partir dos livros que a gente reaproveitava”, conta Maria da Paz. Dois de seus filhos estão matriculados em cursos no centro de formação. 

O presidente da associação, o trapeiro Alexandro Angelo da Silva, 35, também começou sua trajetória, há 11 anos, nas salas de aula do centro de formação. Se capacitou em refrigeração, passou pela tesouraria, até ser eleito pelos associados para ocupar o cargo nos próximos três anos. “Aqui foi o primeiro trabalho que tive na vida e devo aos Emaús todos os conhecimentos que adquiri. Aqui aprendemos que a vida não é só de conquistas, mas também de partilha”, ressalta. 

Desafio

O desafio é continuar expandindo o trabalho. De acordo com Tenderini, além dos bazares tradicionais, a associação quer aumentar o número de bazares volantes, quando os objetos são vendidos em comunidades carentes do Grande Recife. Periodicamente, os trapeiros fazem doação de objetos a entidades sociais da periferia, como creches que estão precisando de algum móvel ou escolas que necessitem de livros didáticos. Outra meta é melhorar a coleta de material eletrônico e de informática. Os trapeiros buscam empresas parceiros na Região Metropolitana do Recife. Um apoio para retirar o excesso de madeira descartável, sem possibilidade de recuperação, também é necessário.

Para marcar a data comemorativa, está programada para o dia 21 de agosto uma missa de ação de graças na Igreja das Fronteiras, na Boa Vista, Centro do Recife, templo onde Dom Helder Camara viveu por 31 anos. “Nossa busca é dar a atenção a quem está precisando, pois o lema do movimento é justamente esse: ajudar quem mais sofre, quem mais precisa”, frisa Tenderini. 

Para continuar transformando vidas, os trapeiros precisam de doações, que podem ser feitas pelo (81) 3451-2247 ou pelo site http://www.emausrecife.org/.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
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