Mutirão de limpeza do Canal do Arruda vai durar um mês

Há nove meses, Emlurb retirou 2,6 mil toneladas de resíduos do mesmo local
Margarette Andrea
Publicado em 22/11/2017 às 8:26
Há nove meses, Emlurb retirou 2,6 mil toneladas de resíduos do mesmo local Foto: Filipe Jordão/JC Imagem


Nove meses depois de retirar 2,6 mil toneladas de lixo do Canal do Arruda, na Zona Norte do Recife, um novo mutirão de limpeza está sendo realizado no local, com previsão de durar 30 dias e remover quantidade semelhante de resíduos. Conforme a Autarquia de Limpeza Urbana (Emlurb), posteriormente será feito um amplo trabalho de controle urbano na área, a fim de coibir descartes indevidos e empresas de reciclagem irregulares, estando em análise a possibilidade de instalação de câmaras de monitoramento na Avenida Professor José dos Anjos, que margeia o canal.

O mutirão deveria ser feito só no próximo ano, mas diante da imensa quantidade de entulhos no curso d’água ele foi antecipado. Estimado em R$ 300 mil, ele é executado por 15 homens, com apoio de uma retroescavadeira, dois caminhões e cinco caçambas. “Vamos apertar a fiscalização e o controle urbano no local e coibir também que o lixo seja colocado fora do horário na rua”, alerta o presidente da Emlurb, Roberto Gusmão.

O gestor, contudo, reconhece que cerca de 95% dos resíduos que se acumulam no Canal do Arruda vêm de outros 12 canais da região. Depois seguem para o Rio Beberibe. “Temos realizado campanhas educativas em todos esses pontos, com conscientização ambiental e pedindo que denunciem o descarte irregular do lixo. Sem a população não vamos sair desse impasse”, diz.

O lixo que se acumula no rio é fonte de renda para algumas famílias que margeiam o canal. Como Francisco Júnior, 36, que diz receber uma média de uma tonelada de material para reciclagem por dia. “Eu pago R$ 0,20 pelo quilo do papelão e do papel branco e R$ 0,50 pelo quilo de garrafas pet, mas não tenho quem pegue de dentro do canal”, afirma. “No sábado, um catador retirou uns 40 sacos, cerca de 1,2 mil quilos, mas foi vender em outro lugar”.

RECICLAGEM

Na tentativa de facilitar o descarte correto dos resíduos, a prefeitura instalou, na margem do canal, uma das nove ecoestações em funcionamento na cidade, que recebem, principalmente,resíduos volumosos como sofás, geladeiras e metralhas, comumente descartadas no curso d’água. Das 11.700 toneladas recebidas este ano nos postos até outubro, 1.021 tonelada foi só no ponto do Arruda.

Ao lado da ecoestação também funciona, desde junho do ano passado, um galpão de reciclagem para onde são levados papel, papelão, pet, plástico, sucata, todo o material possível de ser reciclado coletado pela Emlurb. Até outubro, foram 2.131 toneladas. “A população também pode doar esse material no local”, salienta Paula Marinho, gerente de economia solidária da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife. “Uma cooperativa de 31 mulheres faz a triagem, prensa e comercialização”.

REQUALIFICAÇÃO

O município chegou a dar início a um projeto de requalificação do Canal do Arruda, em 2013, que previa cinco áreas de lazer e esporte, ciclovia, pista de cooper, quiosques e calçada. Mas sem os R$ 83 milhões necessários para retomar o projeto, paralisado desde 2015, a prefeitura está fazendo ações paliativas.

Até fevereiro, devem ser concluídos serviços de recuperação do talude do canal e de trechos do pavimento, construção de calçadas, arborização e instalação de iluminação em led, um investimento de 1,1 milhão.

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