Instituto Arqueológico lança catálogo das peças em exposição no museu

Localizado no Centro do Recife, o Museu do Instituto Arqueológico é um dos mais antigos em atividade no Brasil
Cleide Alves
Publicado em 16/12/2017 às 17:17
Localizado no Centro do Recife, o Museu do Instituto Arqueológico é um dos mais antigos em atividade no Brasil Foto: Foto: Edmar Melo/JC Imagem


O Museu do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), inaugurado em 1866, é um dos mais antigos em atividade no Brasil e tem aproximadamente 200 peças em exposição, dos séculos 17 ao 19. Quase todas elas estão registradas no primeiro Catálogo do Museu do Instituto, que será lançado no Recife, em dois eventos.

Colorida e com 140 páginas, a publicação custa R$ 30 e vem acompanhada de um CD com audiodescrição, uma narrativa para cegos e pessoas com baixa visão. Haverá um lançamento na Livraria Jaqueira (Rua Antenor Navarro, 138, Jaqueira, Zona Norte do Recife), às 18h desta terça-feira (19/12), e outro na sede do IAHGP (Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Centro da cidade), às 19h da quarta-feira (20/12).

Além de informações a respeito dos objetos em exposição, o catálogo traz um texto analítico sobre o museu do Instituto Arqueológico. “Volto ao passado e mostro que o museu nasceu como o gabinete de curiosidades instalado no Palácio de Friburgo por Maurício de Nassau (governador do Brasil holandês de 1637-1644)”, diz o arquiteto José Luiz Mota Menezes, sócio do IAHGP e autor da publicação.

Os gabinetes de curiosidades ou quartos das maravilhas, são precursores dos museus atuais, observa o arquiteto. Eram espaços onde se colecionavam objetos raros e estranhos (animais empalhados, plantas), na época das grandes navegações nos séculos 16 e 17. “Nassau, um humanista, trouxe a tradição da Europa para o Recife e as instituições deram continuidade a esse modelo”, declara José Luiz Mota Menezes.

De acordo com ele, o Instituto Arqueológico, criado em 1862, começou a reunir peças a partir de 1864, com a doação de sócios e de órgãos públicos. “Temos pinturas e fotografias assinadas por artistas que documentavam a classe média e a aristocracia do açúcar, originários do desmonte de mais de 60 palacetes”, comenta o arquiteto. As famílias entregaram os quadros ao IAHGP.

RARIDADES

O sócio do instituto Reinaldo Carneiro Leão destaca, no acervo, a espada com a qual o capitão José de Barros Lima (Leão Coroado) matou seu comandante no Exército e deu início à Revolução Pernambucana de 1817, movimento de caráter separatista que completou 200 anos em 6 de março último. “Temos o único canhão que restou em Pernambuco da Companhia das Índias Ocidentais (empresa que financiou a ocupação holandesa no Nordeste brasileiro de 1630 a 1654)”, diz.

O acervo completo do Instituto Arqueológico chega a quase cinco mil peças. “O catálogo é uma forma de o público conhecer o museu e se sentir atraído. Apesar de sermos um dos mais antigos do País, somos desconhecidos dos pernambucanos”, declara o historiador e presidente do IAHGP, George Cabral.

Desde 2014 com acessibilidade (elevador, piso tátil e legendas em Braille), o museu funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 16h, e aos sábados das 8h às 12h. O ingresso custa R$ 2. As peças, hoje, são organizadas em salas temáticas. O catálogo foi executado a partir de levantamento realizado pelo historiador e ex-presidente do IAHGP, José Antônio Gonsalves de Mello (1916-2002), e publicado na revista do Instituto Arqueológico.

Quinhentos exemplares serão distribuídos com instituições públicas e 500 serão vendidos pelo Bureau de Cultura, que produziu o catálogo, na Livraria Jaqueira e na sede do IAHGP. O projeto teve apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).

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