Jogos vorazes é o novo queridinho do público

Filme dirigido por Gary Ross está há duas semanas no primeiro lugar das bilheterias americanas
Do JC Online
Publicado em 07/04/2012 às 6:00


Jovens de 12 distritos dos Estados Unidos são recrutados para uma espécie de reality show. No final do programa, televisionado para todo o país, só um deles sai vivo. Em um futuro onde a maior nação do mundo entrou em colapso e precisou se fragmentar, a morte e o medo são as formas mais eficazes de controlar as camadas sociais menos privilegiadas. O arrasa-quarteirão Jogos vorazes, dirigido por Gary Ross, parte de uma distopia para se transformar no maior blockbuster da temporada. Lançado há duas semanas, o filme está no primeiro lugar das bilheterias americanas e pode ser o maior sucesso de arrecadação do ano.

Baseado no best-seller da escritora americana Suzanne Collins, Jogos vorazes foi vendido pelos estúdios como o novo Crepúsculo e deve ter mais duas continuações, muito embora seja melhor do que qualquer episódio da saga vampiresca. É bem verdade que o filme tem todos os elementos que atraem os adolescentes: um triângulo amoroso, brigas, disputas e muito corre-corre. A obra está longe de ser perfeita e revela os excessos da indústria norte-americana na sua construção. No entanto, é interessante ver os perigos e as consequências do sistema capitalista serem falados tão abertamente através do que deveria ser mais um blockbuster.

Em um período no qual a televisão brasileira se despede de uma edição do Big Brother Brasil e reality shows brotam a cada semana na TV paga, é curioso ver como Suzanne Collins revela o desejo sádico dos espectadores de acompanhar os prazeres e, principalmente, os desprazeres dos participantes desse tipo de programa. No entanto, Jogos vorazes perde em quase todos os aspectos técnicos, é um filme que poderia ter sido bem executado, mas ficou no meio do caminho, criando um universo brega e pouco inventivo quando analisamos pontos como a direção de arte e os figurinos. 

A escolha de Jennifer Lawrence para o papel da heroína Katniss Everdeen foi a decisão mais acertada. Ciente da força da sua personagem, Lawrence, que já havia chamado a atenção em Inverno da alma (2010), surpreende pela correta contenção da personagem. Katniss Everdeen, diferentemente das heroínas juvenis que se perdem em meio a “força” do amor adolescente à la Crepúsculo, usa o elemento amoroso como como um passaporte para a liberdade e não sabemos se ela gosta ou se aproveita do menino que a ama. Suzanne Collins acaba revelando aos seus leitores que o interesse vence na maioria das vezes.

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