Versace abre com glamour e Dior traz novo realismo para Alta-costura de Paris

Evento é o mais renomado no calendário da moda internacional
AFP
Publicado em 26/01/2016 às 8:56


As mulheres fatais de Versace abriram nesta segunda-feira as coleções de Alta-costura de Paris e Dior trouxe um "novo realismo" ao evento de maior prestígio, elegância e glamour do calendário da moda internacional, com 25 desfiles previstos.

No domingo à noite, Donatella Versace apresentou silhuetas sedutoras esculturais e muito seguras de si mesmas para a primavera-verão 2016. Os vestidos acompanham as curvas do corpo, valorizado com bordados e brilhos que lembram teias de aranha. Calças justas no estilo dos anos 1980 aparecem com saltos 'estileto' e jaqueta muito curta. As pernas são valorizadas com vestidos tomara-que-caia, looks brilhantes brancos, pretos e coral com grandes fendas.

Cordas e tiras ajustam os looks, evocando o universo bondage erótico popularizado pelo filme "Cinquenta Tons de Cinza", que também apareceu nas passarelas masculinas na semana passada. Foi uma coleção de "Alta-costura esportiva" e dedicada "a mulheres que seguem seu próprio caminho", disse Donatella Versace.

Três meses depois da saída do diretor artístico Raf Simons, o primeiro desfile da Dior preparado pelo ateliê da 'maison' propôs uma coleção de looks femininos que buscam "um novo realismo na Alta-costura".

Os decotes, alguns assimétricos, deixam os ombros nus na coleção da Dior, que jogou com as variações da famosa jaqueta 'Bar' de cintura de vespa. A coleção foi menos arriscada e estruturada que as anteriores -lembrando do valor de um diretor artístico para uma marca- homenageando a mulher parisiense "espontânea e longilínea".

Por causa da semana de moda, a 'maison' Dior se associou com o restaurante de um grande hotel vizinho, o Plaza Athénée, que propõe um menu especial inspirado em receitas feitas por Christian Dior. O fundador da marca, que morreu em 1957, almoçava muitas vezes no Plaza Athénée e o bar do famoso hotel foi a inspiração de sua famosa jaqueta 'Bar', ícone do estilo "New Look".

Alta-costura gastronômica com Schiaparelli

A maison Schiaparelli também celebrou os prazeres da mesa, lembrando sua fundadora, Elsa Schiaparelli, que usou em seus modelos estampas de lagostas. Um vestido de festa bordado com cerejas, um conjunto coquetel decorado com cebolas e estampado com pratos apareceram na coleção.

O estilista francês Bertrand Guyon, ex-Valentino, criou este casamento de Alta-costura e gastronomia para "despertar as papilas gustativas e os sentidos, introduzindo o extraordinário no ordinário".

Esplendor artesanal de Antonio Ortega

O mexicano Antonio Ortega apelou para o conhecimento de artesãs do México e da Europa para suas criações e parte do vestido de noiva que encerrou seu desfile levou mais de 6 meses para ser feito.

"A artesã levou dois anos para poder terminar um painel com essa técnica, que é como uma rede bordada", disse o estilista em entrevista à AFP. A coleção "Encontros" celebra a união de técnicas artesanais com a Alta-costura que dá subsistência para muitas das artesãs.

Bordados e rendas, transparências e a sobreposição de materiais apareceram na coleção de Ortega. "Sempre estive muito alerta sobre o artesanato", disse o estilista. "São técnicas ancestrais, eu não as inventei, mas as reinvento, as utilizo da minha maneira para dar um estilo mais contemporâneo".

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