Obras do Prêmio Nobel de Literatura Kazuo Ishiguro lançadas no Brasil

Prêmio Nobel Kazuo Ishiguro teve seis obras lançadas no Brasil
JC Online
Publicado em 05/10/2017 às 9:44
Prêmio Nobel Kazuo Ishiguro teve seis obras lançadas no Brasil Foto: Divulgação


Novo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, o nipo-britânico Kazuo Ishiguro tem seis livros publicados no Brasil. Sua obra mais famosa, Os Vestígios do Dia, que ganhou uma adaptação para o cinema de James Ivory com Anthony Hopkins, ganhou uma nova edição no ano passado, quando foi publicado também o romance Não me Abandone Jamais

CONFIRA AS OBRAS DE KAZUO ISHIGURO

Os Vestígios do Dia (Cia. das Letras, 2016)
O mordomo Stevens, já próximo da velhice, rememora as três décadas dedicadas à casa de um distinto nobre britânico, lord Darlington, hoje ocupada por um milionário norte-americano. Por insistência do novo patrão, Stevens sai de férias em viagem pelo interior da Inglaterra. O mordomo vai ao encontro de miss Kenton, antiga companheira de trabalho, hoje mrs. Benn.

No caminho, recorda passagens da vida de lord Darlington e reflete sobre o papel dos mordomos na história britânica. Num estilo contido, o narrador-protagonista acaba por revelar aspectos sombrios da trajetória política do ex-patrão, simpatizante do nazismo, ao mesmo tempo que deixa escapar sentimentos pessoais em relação a miss Kenton, reprimidos durante anos.

O romance de Ishiguro recebeu o Booker Prize 1989 e virou filme de prestígio. A edição traz o conto inédito "Depois do anoitecer".

Não me Abondone Jamais (Cia. das Letras, 2016)

Kathy, Tommy e Ruth são clones criados para doar órgãos. ResíKathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição.

Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Finalista do Man Booker Prize 2005.

O Gigante Enterrado (Cia. das Letras, 2015)

Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?
Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, O gigante enterrado fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

Noturnos (Cia. das Letras, 2010)

Nesta reunião de cinco narrativas, Kazuo Ishiguro deixa de lado a solenidade distendida dos romances para dedicar-se à concisão, à leveza e ao humor concentrado do gênero curto. Noturnos traz contos sobre instrumentistas e amantes da música, de diversas partes do mundo.

Tony Gardner, um velho crooner americano, já não desfruta do mesmo prestígio, mas para o jovem músico Jan ele ainda é um ícone. O consagrado cantor o surpreende ao convidá-lo para uma parceria inusitada.

Um professor de inglês que vive na Espanha, amante dos standards americanos, vai a Londres visitar um casal de amigos, e se descobre numa roda-viva de ressentimentos e neuroses. Na mesma cidade, um músico procura emprego em uma banda, mas decide recuperar a inspiração nas colinas britânicas.

Um saxofonista competente se rende à ideia de fazer uma plástica facial em Beverly Hills para entrar para o primeiro time da música. Um violoncelista húngaro procura se estabelecer na Itália, mas acaba seduzido por uma viajante americana.
Nestas histórias, emoções suscitadas por belas melodias convivem com as limitações do mundo da música. Se o poder de tocar o sentimento faz dos músicos seres próximos da genialidade, as exigências do senso comum e da profissionalização os submetem a situações muitas vezes patéticas e hilariantes.]

Quando Éramos Órfãos (Cia. das Letras, 2010)

Quando éramos órfãos marca a volta de Kazuo Ishiguro à ficção, depois de um silêncio de cinco anos. Com sutileza temperada por um humor fino e certeiro, o autor de Os vestígios do dia escreve sobre o poder do passado de determinar, para o bem ou para o mal, o presente das pessoas.

Christopher Banks, um garoto inglês nascido na Xangai do início do século, fica órfão aos nove anos de idade, quando seus pais desaparecem misteriosamente. De volta à Inglaterra, torna-se um detetive de renome e circula nos meios mais refinados. Vinte anos depois, Banks resolve rever Xangai - agora palco da guerra sangrenta entre China e Japão. A partir desse momento, sua busca pelos pais passa a confundir-se com a busca pela ordem num mundo órfão, vitimado pela sombra.

Envolvente, a narrativa ganha ritmo de trama policial na voz controlada e minuciosa do protagonista. A aparente frieza do relato, entretanto, não esconde o que Christopher Banks não quer ou não pode ver: que sua memória, sua visão de mundo, não estão imunes às tragédias da infância. No vaivém das reminiscências, o lirismo colide dolorosamente com a matéria dura da realidade.

Um Artista do Mundo Flutuante (Rocco)

História de um homem e de todas as mudanças que ocorrem em seu país, o Japão, depois da guerra. Masuji Ono, pintor famoso caído em desgraça, venera o passado guerreiro de sua nação e é recheado pelo caos e pela desintegração do presente: o "mundo flutuante" de bares e casas de gueixas. Com estilo elegante e preciso, Kazuo Ishiguro envolve o leitor nesse mundo com uma prosa límpida que capta com realismo e beleza todas as nuanças da vida japonesa.

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