Sem CPMF, cenário é 'muito ruim', diz agência de risco Moody's

A principal questão é o Orçamento do ano que vem, disse representante da agência
Da Folhapress
Publicado em 22/09/2015 às 12:03
A principal questão é o Orçamento do ano que vem, disse representante da agência Foto: Foto: divulgação


Mauro Leos, responsável pela classificação da América Latina na agência de classificação de risco Moody's, diz que, sem a recriação da CPMF no Brasil, o "cenário fica muito ruim".

No curto prazo, a principal questão é o Orçamento do ano que vem, disse Leos. O analista afirmou que uma aprovação do imposto do cheque seria fundamental para evitar o terceiro ano consecutivo de deficit primário.

"É difícil ver o Orçamento sem CPMF. Pode não ser a solução mais eficiente, mas parece ser a única solução", disse. "A comunidade de negócios tem expectativa de que haja algum consenso [entre o governo e o Congresso]."

O Brasil está no limite do grau de investimento na classificação da Moody's, mas já se perdeu o selo de bom pagador da agência Standard & Poor's.

Leos participou de um evento da Americas Society-Council of Americas, em Nova York, nesta terça-feira (22).

O analista disse que a Moody's anteciparia uma revisão da nota do Brasil "somente se tiver eventos que não previmos".

"A aprovação ou não [da CPMF] seria um indicativo de quão forte ou quão fraca é a habilidade do governo de alcançar consenso . Não acho que por causa disso mudaríamos o rating, mas levaríamos em consideração em termos de análise."

Leos afirmou que o peso da dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil, ao atingir 70%, pesou no rebaixamento do país ao último grau antes do especulativo.

Mas perspectiva está estável porque a Moody's enxerga como possíveis um crescimento de 2% do PIB e um superavit primário de 2% a partir de 2017.

Leos comparou o Brasil a países com a mesma nota, como a Croácia, cujo peso da dívida saltou de 35% para quase 100%, porém registrou um crescimento econômico de menos 1%.

"Ainda que o Brasil esteja passando por tempos difíceis, não é tão ruim quanto na Croácia", ponderou.

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