Trump diz que evitou guerra com Coreia do Norte

"Se eu não fosse eleito, haveria uma guerra", afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
AFP
Publicado em 26/09/2018 às 22:50
"Se eu não fosse eleito, haveria uma guerra", afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Foto:John Moore / Getty Images North America / AFP


O presidente Donald Trump disse nesta quarta-feira (26), em uma longa entrevista em Nova York, que os Estados Unidos teriam sido arrastados para uma guerra com a Coreia do Norte caso ele não fosse eleito e tivesse apresentado perspectivas de um acordo de paz com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

"Se eu não fosse eleito, haveria uma guerra", disse Trump antes de acrescentar que "ninguém mais está falando sobre isso".

"Temos um relacionamento muito bom. Ele (Kim) gosta de mim, eu gosto dele", disse Trump em entrevista coletiva em Nova York.

"Eu realmente acredito que ele quer concluir (um acordo). Ele quer fazer um acordo, eu quero fazer um acordo".

Trump, cujo secretário de Estado, Mike Pompeo, deve viajar para Pyongyang no mês que vem, se negou a se comprometer com um cronograma sobre quando a Coreia do Norte irá se desnuclearizar.

"Eu não quero entrar nesse jogo de tempo. Sabe o por quê? Eu disse a Mike Pompeo. Eu disse 'Mike, não entre nesse jogo de tempo'. Nós o paramos. Eles estão derrubando usinas, estão derrubando várias áreas diferentes de testes".

"Eles vão derrubar mais algumas. Você vai ouvir sobre isso muito em breve. Eu não quero me colocar à frente de mim mesmo. Mas você vai ouvir sobre isso em breve".

Plano para Oriente Médio

Sobre o Oriente Médio, Trump declarou que tem um novo plano de paz para a região, algo "muito justo", que será revelado até o final do ano.

"Ele ama Israel mas também será muito justo com os palestinos", disse Trump em referência a seu genro e principal assessor, Jared Kushner, que tem trabalhado no tema.

"Concluindo: se israelenses e palestinos querem um Estado, tudo bem. Se desejam dois estados, está bom para mim. Estou feliz se eles ficarem felizes".

Trump também se atribuiu o crédito por salvar a província síria de Idlib, controlada pelos rebeldes, de um ataque que teria "matado milhões de pessoas" e que "teria sido uma vergonha".

China e Japão

Sobre a economia, Trump insistiu que a crescente disputa comercial entre seu governo e a China não terá "absolutamente nenhum impacto" sobre os Estados Unidos.

"Temos que fazer o que for justo. Estamos em 250 bilhões agora, uma taxa de 25%", declarou sobre o pacote de tarifas impostas às importações chinesas.

"Muito dinheiro está entrando em nossos cofres. E não houve nenhum impacto em nossa economia".

Trump disse que a amizade com o presidente chinês Xi Jinping pode ter acabado depois que ele acusou a China de tentar minar suas chances nas eleições de meio mandato, que acontecem em novembro nos EUA.

Xi "talvez já não seja mais meu amigo, mas acredito que provavelmente ele me respeita", disse Trump.

Trump também anunciou que Estados Unidos e Japão chegaram a um acordo para iniciar negociações comerciais, após se reunir com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

"Hoje concordamos em iniciar as negociações comerciais entre Estados Unidos e Japão", disse Trump aos jornalistas à margem da Assembleia Geral da ONU.

Na mesma entrevista, Trump revelou que se negou a encontrar o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, à margem da Assembleia Geral, porque o Canadá trata "muito mal" os Estados Unidos.

"Sim, fiz isto", respondeu Trump quando questionado por um jornalista se havia rejeitado uma reunião com Trudeau em Nova York.

"O Canadá nos trata muito mal. Tem tratado nossos agricultores do Wisconsin, do estado de Nova York e de muitos outros estados muito mal".

Política interna 

Na mesma entrevista, Trump declarou que está aberto a retirar a indicação de Brett Kavanaugh à Suprema Corte se forem encontradas evidências contra ele de assédio sexual.

"Eu sempre posso ser convencido", declarou Trump a jornalistas em Nova York. "Se eu considerar que ele é culpado de algo sim, com certeza. Eu quero ver. Eu quero observar".

O Comitê Judicial do Senado irá analisar a evidência contra Kavanaugh na quinta-feira. O caso se transformou em uma tempestade política antes das eleições de meio de mandato do Congresso, com o escândalo ameaçando atrapalhar a tentativa de Trump de conseguir uma maioria conservadora na

Sobre a polêmica com o número dois do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, que teria sugerido que o presidente dos EUA é incompetente e deveria ser destituído, Trump declarou que "preferiria" mantê-lo no cargo.

"Prefiro deixar Rod Rosenstein" onde está, revelou Trump, que tem uma reunião marcada com ele nesta quinta-feira na Casa Branca, mas "pode haver um pequeno adiamento".

Na sexta-feira, Rosenstein negou enfaticamente ter discutido em 2017 a possibilidade do impeachment de Trump mediante a Emenda 25 da Constituição dos Estados Unidos, como noticiou o The New York Times.

TAGS
EUA coreia do norte
Veja também
últimas
Mais Lidas
Webstory