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Editorial: A urgência em preservar o planeta Terra

O atual estágio da civilização traz junto uma série de consequências, desequilíbrios e lições para as gerações do presente e do futuro

Marcelo Aprigio
Marcelo Aprigio
Publicado em 21/08/2019 às 7:19
Editorial
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O atual estágio da civilização traz junto uma série de consequências, desequilíbrios e lições para as gerações do presente e do futuro - Foto: Pixabay
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O atual estágio da civilização traz junto uma série de consequências, desequilíbrios e lições para as gerações do presente e do futuro – se conseguirmos transformar a experiência em aprendizado, e preservar as condições mínimas de sobrevivência da nossa e das demais espécies no habitat planetário. Afinal, pelo que temos ao redor, o universo não nos brinda com outra Terra em proximidade viável, no nível tecnológico em que estamos. O planeta é a ilha em que a raça humana nasceu, cresceu e pode padecer, com o nosso destino intrinsecamente ligado ao nosso berço na vastidão do cosmo. 

Neste sentido, a recorrente alegação de que os países ricos devastaram seus territórios e não querem, depois de explorar tudo que podiam, que os outros países façam o mesmo, lança o destino da humanidade num beco sem saída. Seguindo a lógica da compensação voraz e cega, vamos roer a Terra feito cupins, porque teríamos que atender aos mesmos parâmetros de desenvolvimento postos em prática no passado. A esse propósito, em recente polêmica – mais uma – o presidente Jair Bolsonaro repetiu o mantra da destruição solidária, sugerindo que países europeus se preocupassem mais em reflorestar seus territórios, do que no desmatamento da Amazônia brasileira. Como já se destacou na imprensa nacional, Bolsonaro não foi inovador na questão, apenas compartilhando o bordão que denuncia, entre outras coisas, um certo despeito com a Europa. 

O Velho Continente abriga contradições que englobam desde o surgimento das religiões até o palco de guerras mundiais que deixaram cicatrizes profundas no nosso tempo. Sem dúvida, o impasse ambiental diante do desenvolvimento faz parte do rol de contradições que os europeus também carregam. Mas, à diferença de outros continentes, e governantes que preferem apontar o dedo a demonstrar responsabilidade, a Europa têm buscado, de fato, inverter a seta do enriquecimento à custa dos recursos naturais. As potências europeias investem pesado em energia renovável, inclusive além dos seus antigos muros. E o reflorestamento não é mero discurso, e sim prática usual, nesses países. 

Sustentabilidade

Não é à toa que a comunidade internacional aponta a sustentabilidade como uma meta de todos os ocupantes do planeta. Resguardada a soberania de cada país sobre seus domínios, todos devem zelar pela preservação do ambiente natural e da biodiversidade. Assim, os sinais já declarados pelo governo Bolsonaro vão na direção oposta do bom senso, apostando numa disputa insustentável visando afirmar o potencial de desenvolvimento do Brasil perante o que teria sido conquistado, de maneira predatória, por outros países. 

Ao contrário do que o presidente da República pensa, não é a divulgação do aumento do desmatamento florestal que prejudica o Brasil – e sim, a persistência de um modelo econômico baseado em visão de mundo ultrapassada, que não leva em conta o prejuízo global, cada vez mais grave, dos impactos negativos da ação humana sobre o meio ambiente.

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