GOVERNO FEDERAL

Regina Duarte é convidada para substituir Roberto Alvim na Secretaria de Cultura

A atriz, conhecida por suas posições de direita prometeu responder até este sábado (18)

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 17/01/2020 às 18:18
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Foto: Jair Bolsonaro via Twitter
A atriz, conhecida por suas posições de direita prometeu responder até este sábado (18) - Foto: Jair Bolsonaro via Twitter
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Atualizada às 18h54

A atriz Regina Duarte, conhecida por suas posições de direita, foi convidada pelo governo federal para assumir a Secretaria Nacional de Cultura no lugar de Roberto Alvim, exonerado nesta sexta-feira (17) após gravar um vídeo com discurso quase idêntico ao do ideólogo nazista Joseph Goebbels. Ela prometeu responder sobre a proposta até este sábado (18). As informações são da Folha de S.Paulo.

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Regina já havia sido chamada anteriormente para o posto pelo presidente Jair Bolsonaro, mas recusou. A atriz, segundo a Folha, vem sendo cortejada por membros do entorno do presidente desde o anúncio da exoneração de Alvim. Ela teria dito a interlocutores que ficou animada com o convite, mas está em dúvida sobre assumir a posição.

Saída de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura

O governo federal formalizou nesta sexta-feira (17), no Diário Oficial da União (DOU) a exoneração do dramaturgo Roberto Alvim do cargo de secretário especial da Cultura. A demissão de Alvim está em edição extra do documento. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro já havia confirmado, em nota, a demissão do secretário. Bolsonaro disse que a situação de Alvim no governo ficou "insustentável" após ele gravar um vídeo com discurso quase idêntico ao do ideólogo nazista Joseph Goebbels. A fala teve ampla repercussão negativa entre autoridades do País e na comunidade judaica nesta manhã, o que contribuiu para a rápida demissão do secretário.

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"Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", escreveu o presidente.

Alvim diz que houve 'infeliz coincidência' com frase de Goebbels

Alvim disse que houve "infeliz coincidência" com frase de Goebbels. Inicialmente, o secretário afirmou que não poderia pedir desculpas pelo episódio porque alega não ter copiado os trechos de Goebbels de forma proposital. De acordo com ele, algum assessor teria colocado a frase em sua mesa sem identificar a fonte com base em uma busca sobre nacionalismo e arte na internet.

Ele disse, ainda, que investigará quem sugeriu a frase e por quê "Essa casca de banana que foi plantada será aferida. Não conhecia a origem disso", afirmou. "Evidentemente que eu não sabia (que a frase reproduzida era de Goebbels), se soubesse não usaria."

Depois, ao final, foi indagado sobre a indignação da comunidade judaica e acabou pedindo desculpas se alguém se sentiu ofendido pela referência indireta ao ideólogo nazista.

Diante da reação negativa, Alvim afirmou que o que mais o entristeceu foi a reação de Olavo de Carvalho, que disse que ele não parecia "estar bem da cabeça". "Vou provar ao professor Olavo, que é o meu mestre, que estou são, estou perfeito."

Ainda assim, Alvim afirmou que escreveu 90% do discurso e que a frase reescrita por ele é "perfeita". "A frase que foi reescrita a partir da frase do Goebbels é perfeita", disse. "A vinculação dessa ideia (sobre nacionalismo e arte) com campos de extermínio, eugenia, é produto de má intencionalidade ou analfabetismo funcional."

Ao ser questionado, ele negou ser nazista e afirmou repudiar o regime que exterminou milhões de pessoas. "É claro que não, qualquer pessoa com o mínimo de sanidade mental não pode ser simpático a um regime que exterminou pessoas", afirmou

Alvim disse que foi sua a escolha de usar uma ópera de Richard Wagner, tocada ao fundo do vídeo. Ele alegou, no entanto, que embora fosse a favorita de Hitler, a ópera não deve ser associada ao nazismo. Ele justificou a escolha pela ligação da música com o cristianismo, sua religião.

Passagem pela Secretaria de Cultura

Alvim foi nomeado secretário de Cultura em novembro, semanas após ofender a atriz Fernanda Montenegro nas redes sociais. Ele já estava no governo desde junho, como diretor do Centro das Artes Cênicas da Fundação Nacional das Artes (Funarte).

Na curta passagem pelo cargo, Alvim ganhou brigas com os ministros da Cidadania, Osmar Terra (MDB), e do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), ao receber aval de Bolsonaro para nomear quem quisesse. Na ocasião, Bolsonaro mudou a estrutura da Esplanada para retirar a secretaria de Alvim do guarda-chuva de Terra e evitar atritos entre eles. Toda a estrutura da Cultura agora está vinculada ao Ministério do Turismo.

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