Possibilidade de eleição indireta está descartada, afirma FBC

Em entrevista ao JC, o senador que participou da última eleição indireta para presidente há 32 anos defende a continuidade da gestão Temer
Paulo Veras
Publicado em 12/03/2017 às 8:02
Em entrevista ao JC, o senador que participou da última eleição indireta para presidente há 32 anos defende a continuidade da gestão Temer Foto: Foto: Pedro França/Agência Senado


Deputado estadual na época, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) participou do Colégio Eleitoral que deu fim à ditadura militar, em 1985. Hoje, 32 anos depois, ele defende a continuidade do governo Michel Temer (PMDB) e diz que a possibilidade de uma eleição indireta está descartada.

JORNAL DO COMMERCIO - O senhor participou de uma eleição indireta para escolher o mais alto cargo da República, em 1985. O senhor enxerga diferença, em termos de legitimidade, entre as eleições diretas e o processo de escolha pelo Congresso?

FERNANDO BEZERRA COELHO - Em primeiro lugar devo fazer um registro histórico por uma questão de justiça. Em 1985 eu era deputado estadual e líder do Governo de Roberto Magalhães na Assembleia Legislativa. Houve uma disputa na Alepe para apontar os deputados estaduais que fariam parte do colégio eleitoral. Graças ao empenho pessoal de Roberto Magalhães, pudemos eleger internamente um grupo que estava alinhado aos anseios da sociedade e defendia a candidatura de Tancredo Neves. Quero dizer que Roberto Magalhães foi o grande fiador daquela vitória no âmbito da bancada pernambucana. Em 1985 estávamos saindo de um regime que comandava o país havia 20 anos. Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas, a eleição pelo colégio eleitoral tornou-se o caminho mais viável para a retomada da democracia. O voto popular, livre e direto é sempre o melhor caminho. A população tem o direito de manifestar sua opinião e escolher as propostas e candidaturas que prefere. Esta foi uma conquista cara para o Brasil: reencontrar a democracia em sua mais expressiva forma de escolha.

JC - Em 85, que critérios eram mais importantes para definir os candidatos que disputaram a eleição no Colégio Eleitoral? E como o senhor definiu o seu voto?

FBC - Tivemos dois candidatos: Tancredo, que liderou uma ampla coligação política em defesa da retomada democrática e Paulo Maluf, que contava com o apoio de parte do governo. A candidatura de Tancredo simbolizava a esperança de novos tempos para o país e este simbolismo, expresso nas ruas, acabou definindo o resultado. Votei em Tancredo, como a maioria da delegação pernambucana.

JC - Hoje, fala-se na possibilidade de uma nova eleição indireta para presidente, através do Congresso. Que impacto o senhor acha que isso teria para o País? Poderia agravar a crise política?

FBC - O governo do presidente Michel Temer assumiu diante de uma grave crise econômica e política. A atual gestão tem feito um enorme esforço para que o Brasil volte a crescer e possamos recuperar os empregos perdidos nos últimos anos. Temos mais de 13 milhões de brasileiros desempregados e nossa prioridade agora deve ser devolver estes postos de trabalho à população. O governo Temer tem uma base sólida no congresso e precisa continuar trabalhando. Esta possibilidade de eleição indireta, um ano e meio antes do pleito marcado para 2018, creio que esteja descartada.

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