OPINIÃO

Com recorde no desemprego entre os jovens, como conseguir emprego num mercado em recessão?

Entre as pessoas de 18 a 24 anos, essa taxa sobe para 31%, de acordo com o IBGE. Na prática, um em cada três jovens está desempregado, enquanto a média geral é de um em cada sete.

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 08/02/2021 às 8:59
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Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Durante os meses mais difíceis da pandemia, houve uma enxurrada de demissões e as novas contratações miaram a um nível jamais visto - FOTO: Foto: Tony Winston/Agência Brasília
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Repetidamente, tenho falado, aqui na coluna, sobre a taxa de desemprego no Brasil; 14,3% da população economicamente ativa está em busca de uma nova oportunidade de emprego. É a maior taxa da história. Eos jovens sofrem ainda mais. Entre as pessoas de 18 a 24 anos, essa taxa sobe para 31%, de acordo com o IBGE. Na prática, um em cada três jovens está desempregado, enquanto a média geral é de um em cada sete.

Durante os meses mais difíceis da pandemia, houve uma enxurrada de demissões e as novas contratações miaram a um nível jamais visto. Segundo o CIEE, a contratação de estagiários caiu 83%. A equação para a catástrofe é simples: pandemia, economia em crise e mudanças no mercado de trabalho. Parece mentira, mas 75% dos estagiários colaboram com a renda familiar – mesmo 54% deles ganhando até um salário-mínimo. E como os pais também perderam o emprego, a pressão financeira atingiu a família toda.

Um estudo da Companhia de Estágios, mostra uma série de dados preocupantes; um deles é o aumento de estudantes que fazem estágio gratuito. Em 2019 eles eram 4%, em 2020, 10%. A Lei de Estágio prevê a modalidade de estágio facultativo e setores como saúde e pedagogia usam comumente. Os dados vinham caído com os anos - de 17% (em 2016 e 2017) para 6% (2018) e depois 4% (2019) - mas com a pandemia, um em cada dez estagiários trabalha para mostrar suas habilidades e torcer para surgir uma vaga CLT quando o período de estágio acabar.

De acordo com Ricardo Gadelha, sócio da Audens One, consultoria especializada em recrutamento e seleção de profissionais em início de carreira, as empresas não conseguem absorver todos os jovens que estão entrando no mercado. “Com o mercado em crise e os mais velhos se aposentando cada vez mais tarde, as empresas não têm espaço para efetivar todos os estagiários. Muitas delas esticam os programas de estágio até o limite, mas não conseguem efetivar todos”, pondera Gadelha.

Parece óbvio que a economia impacta diretamente na geração de emprego. E com os jovens não é diferente.

Mas, não é só isso. Gadelha ressalta o crescimento do uso da tecnologia para vagas mais operacionais, que substituem, principalmente, as vagas antes ocupadas pelos mais jovens. “Essa mudança no modelo de trabalho impacta diretamente a empregabilidade dos mais jovens e mostra a necessidade deles se adaptarem a um mercado mais ágil e disruptivo.”, diz Gadelha. Um caso clássico é o do telemarketing, historicamente uma porta de entrada no mercado de trabalho. O uso de inteligência artificial vem substituindo o trabalho humano e tirando uma série de vagas antes ocupadas por jovens.

Em pesquisa, o IBGE concluiu que, com o desaquecimento do mercado, a maioria dos candidatos de até 24 anos não é chamada para uma entrevista de emprego desde 2018 (56% no caso dos estagiários e 61% dos formados). Com isso, estima-se que 30% dos jovens deixaram de procurar emprego em 2020. Apesar das notícias negativas, não há por que desistir. E a dica principal é se qualificar; buscar cursos extra curriculares, especialização na área de seu interesse e sempre se aprofundar. Conhecimento nunca é demais.

A partir do momento que está estagiando, dedique-se como se fosse um emprego formal. Mesmo que não seja uma posição formal, o estágio é o começo da sua jornada profissional, a base do que pode ser sua carreira. Sendo assim, engaje-se com o time, envolva-se nos projetos, mostre-se proatividade e curioso.

Não há fórmula mágica, nem certeza de que seu estágio se tornará um emprego, mas faça sua parte.

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