ELEIÇÕES EM PERNAMBUCO

Com rusgas no SD e cabo de guerra na Frente Popular, esquerda em Pernambuco tropeça antes da corrida eleitoral

Rusgas, trocas de farpas e indefinições marcam pré-campanhas de esquerda na eleição de 2022 em Pernambuco

Augusto Tenório
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Augusto Tenório
Publicado em 17/04/2022 às 15:36 | Atualizado em 18/04/2022 às 11:18
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Pré-candidatos ao Governo, Danilo Cabral (PSB) e Marília Arraes (SD) disputam imagem de Lula; pré-candidatos ao Senado, André de Paula (PSD) e Carlos Veras (PT) querem vaga ao Senado pela Frente Popular - FOTO: Reprodução
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Como mostrou-se nesta coluna, o Solidariedade e o PT enfrentam rusgas no plano nacional, podendo afetar a campanha de Marília Arraes (SD) ao Governo de Pernambuco. Ela disputa com Danilo Cabral (PSB) a associação a Lula (PT). Na Frente Popular, o cabo de guerra pela vaga ao Senado vem dividindo aliados do socialista, que corre sozinho na pré-campanha. Enquanto isso, centro, direita e bolsonaristas correm soltos.

Na última semana, o Blog de Jamildo apurou que, nos bastidores, uma ala expressiva do PT se recusa a fazer campanha para a Frente Popular caso André de Paula, presidente estadual do PSD, fique com a vaga ao Senado.

Petistas, mesmo após a saída de Marília Arraes, exigem a candidatura ao Senado.  O grupo majoritário indicou Carlos Veras, deputado federal, como nome a disputar a Câmara Alta. Mas mesmo dentro do PT a situação pode ser invertida, pois grupo enxerga que, no final, a deputada estadual Teresa Leitão pode acabar ficando com a indicação.

FOTO: THOMAS RAVELLY
Garanhuns fez encontro da Frente Popular e André de Paula apareceu o palanque - FOTO: THOMAS RAVELLY

Para André de Paula, pesa o possível acordo entre Lula e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Dessa forma, o deputado pernambucano, presidente estadual do partido, fica mais perto da vaga ao Senado. Além disso, há um acordo firmado com o PSB na eleição pela Prefeitura do Recife, em 2020, que previa o deputado se candidatando à Câmara Alta.

O problema é que, segundo o Congresso em Foco, o parlamentar é um dos mais governistas: em 91% das votações, acompanhou a base de Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados.

FACEBOOK/CARLOS VERAS
ESCOLHIDO Carlos Veras (PT) na chapa de Danilo - FACEBOOK/CARLOS VERAS

"Se o PSB forçar André de Paula no Senado, vai arrebentar a corda que já está esticada desde a retirada da candidatura de Humberto Costa. Se ele for o candidato da Frente, não haverá militância petista na campanha", garante um interlocutor do PT, nome forte dentre as lideranças políticas e movimentos sociais.

Diante dessas indefinições, a situação ganhou um novo fator. Luciana Santos (PCdoB), vice-governadora de Pernambuco, seguiu com o plano revelado pela coluna em janeiro. Ela confirmou sua pré-candidatura e vai realizar evento nesta segunda-feira (18), para oficializar a indicação do seu nome à Câmara Alta.

Já com Marília Arraes, a disputa parece ser, primeiramente, com Danilo Cabral. A ex-petista e o socialista devem fazer suas campanhas associadas à figura de Lula, líder nas pesquisas eleitorais e personalidade politicamente influente em Pernambuco.

Ambos trocam farpas para, diante do eleitorado, fazer o outro parecer menos "lulista". Danilo Cabral garante que Lula terá palanque único em Pernambuco após acordo entre socialistas e petistas. Marília Arraes garante apoio e diz que o ex-presidente "não tem dono" e já cobrou do PSB explicações por momentos de oposição ao PT.

Guga Matos/JC Imagem
Filiação de Marília Arraes ao Solidariedade, evento realizado no Recife Praia Hotel. - Guga Matos/JC Imagem

Fato é que, no plano nacional, a associação de Marília a Lula pode sofrer arranhões. Isso porque, após ser vaiado em evento petista, Paulinho da Força cancelou o evento que marcaria o apoio oficial do Solidariedade ao pré-candidato petista. A situação piorou quando vazou áudio de Ciro Nogueira (PP) convidando o colega a mudar de lado e apoiar Jair Bolsonaro (PL).

A pré-candidata ao Governo de Pernambuco saiu em defesa do presidente do Solidariedade, afirmando que quem se comporta dessa maneira, na verdade, é contra a democracia e inimigo de Lula. A situação se apaziguou quando Paulinho da Força garantiu que não vai apoiar o presidente na corrida eleitoral deste ano.

Enquanto isso, candidatos de centro, direita e mesmo bolsonaristas seguem correndo soltos. Anderson Ferreira, candidato de Jair Bolsonaro ao Governo de Pernambuco, está com pré-campanha a todo vapor, levando Gilson Machado para diversas regiões de Pernambuco.

Trata-se do candidato bolsonarista ao Senado. Ele e Eugênia Lima (PSOL), até o momento, são os únicos pré-candidatos consolidados à Câmara Alta em Pernambuco. Neste ano, apenas uma vaga está em disputa e, diante das indefinições e tropeços na pré-campanha, a esquerda, mesmo forte no estado, pode enfrentar surpresas no dia dois de outubro.

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