Berço do Exército

Exército alerta que impedimentos ambientais ou judicialização podem prejudicar Escola de Sargentos

Comando Militar do Nordeste cobra contrapartidas ao Estado para tirar do papel nova Escola de Sargentos e explica que questionamentos ambientais podem provocar perda do projeto estruturador

Imagem do autor
Cadastrado por

Jamildo Melo

Publicado em 16/11/2023 às 16:02 | Atualizado em 16/11/2023 às 16:34
Notícia
X

O recado dos militares foi dado em alto e bom som, sem soar como bravata, em um café da manha, no Comando Militar do Nordeste, nesta quinta-feira, um dia depois do feriado de Proclamação da República. Pernambuco pode vir a perder o importante projeto estruturador da nova Escola de Sargentos do Exército, previsto para ser construído em 2027, na cidade de Abreu e Lima.

"Se por qualquer motivo, tivermos problemas jurídicos, ou problemas ocasionados por questionamentos ambientais, vamos levar (a Escola de Sargentos) para a segunda prioridade (Santa Maria (RS) ou Ponta Grossa(PR)). Se tivermos judicialização aqui, estes são os dois fatores que podem tirar o projeto de Pernambuco. Vamos chorando (por eventualmente deixar Pernambuco) para a segunda opção, mas este é um dado da realidade", declarou o general de brigada Nilton Moreno, nesta quinta. O militar é um dos responsáveis pela implantação do projeto estruturador em Pernambuco.

 "As cidades do Sul continuam com pressão para que a decisão (de colocar a Escola de Sargentos em Pernambuco) seja revertida. Desde o começo, dissemos que existem prioridades. Se tivermos problema, seguiremos para o plano B ou C", explicou. "Que fique vem claro, que não é temor ou uma ameaça, apenas transparência (por parte do Exército). E estamos confiantes porque estamos trabalhando em parceria com o governo do Estado".

 

O militar deixa transparecer que, apesar de estar discutindo a questão em alto nível, com as autoridades ambientais, como CPRH e Ibama, perduram falas equivocadas, até mesmo no seio do Legislativo. "O que estão colocando não são problemas ambientais, seriam problemas locacionais (uma etapa já superada, na avaliação dos militares), afirmou, nesta quinta.

"Para que se tenha uma ideia, desde dezembro de 2021, mostramos ao MP local e federal tudo que estamos fazendo. Não há qualquer omissão de informação ou falta de esclarecimento. Mas estes são os dois riscos mais latentes", assinalou.

Cobrança das contrapartidas assinadas com Pernambuco

Os militares também afirmaram que vão cobrar as ações de contrapartidas assinadas pelo Estado, em 2021, ainda na gestão Paulo Câmara.

"Vamos ser uma escola de primeiro mundo. Vamos ter marcação cerrada para criar e ampliar o diálogo com o Estado e melhorar o entorno do projeto da escola", afirmou Moreno. "Se todas as ações sairem do papel, vamos ter uma região diferenciada. Nós podemos garantir dos muros da escola para dentro, mas também queremos que todo o entorno (cidades) sejam impactadas. Neste sentido, vamos fazer interações com todas as cidades para mostrar os projetos, o que é a escola de fato"

De acordo com os militares, o Exército identificou como interlocutor neste processo a secretaria de Meio Ambiente, Ana Luiza Ferreira, para monitorar inclusive as contrapartidas em seguida. Em um ano, aconteceram quatro reuniões de integração.

A Assembleia Legislativa do Estado (Alepe) criou uma frente parlamentar para acompanhar o processo, mas em ano eleitoral serve mais de palanque do que solução.

O projeto deve durar 12 anos, para sair do papel, tendo início em 2027 e conclusão em 2034.

Sem alarde, no dia 18 de outubro,  o general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante do exército brasileiro, esteve em Paudalho, na área escolhida para a nova escola, supervisionando os estudos e o status do empreendimento.

Tags

Autor