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Padre Júlio Lancellotti e ONGs devem ser alvos de nova CPI em SP sobre Cracolândia

Padre Júlio Lancellotti pode ser alvo de CPI em São Paulo por ajuda a moradores da Cracolândia. O padre apoiou abertamente o presidente Lula em 2022

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Cynara Maíra

Publicado em 04/01/2024 às 7:10 | Atualizado em 04/01/2024 às 9:12
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A movimentação por parte da Câmara dos Vereadores de São Paulo tem causado polêmica e polarização. Isso porque bancadas partidárias querem instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar Organização Não Governamentais (ONGs) que atuem na região da Cracolândia, com forte enfoque no Padre Júlio Lancellotti

O projeto apresentado pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), traz como grande enfoque de fiscalização a atuação do Padre Júlio Lancellotti em suas ações de assistência e redução de danos para viciados na Cracolândia.

A Oposição na Câmara é contra o projeto e indica perseguição contra o padre, que apoiou abertamente a candidatura do presidente Lula (PT) em 2022, sendo visto como "esquerdista". 

PADRE JÚLIO LANCELLOTI PODE SER INVESTIGADO EM CPI

O requerimento enviado em 6 de dezembro pode ser instaurado após o recesso parlamentar, que termina em fevereiro. O relator da proposta de CPI, Rubinho Nunes, afirmou em suas redes sociais que o Padre Júlio Lancellotti e outras organizações "lucram politicamente com o caos instaurado na Cracolância". 

Nunes ainda afirmou que o objetivo da CPI será "investigar toda essa máfia da miséria que se perpetua no poder através de ONGs esquerdistas". O requerimento já conseguiu assinaturas suficientes com apoio de 24 vereadores dos 55 na Câmara, mas precisa do apoio de todos os parlamentares para ser acelerado e passado na frente de outras propostas de comissão. 

O requerimento da CPI traz um tom mais ameno, ao justificar a instalação afirmando que "a atuação dessas ONGs não está isenta de fiscalização, sendo necessária a criação de uma CPI até porque, algumas delas frequentemente recebem financiamento público para realizar suas atividades". 

Além da atuação do padre Júlio Lancellotti, também serão alvo da CPI o movimento A Craco Resiste, que é contra a violência policial na Cracolância, e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, uma entidade filantrópica da igreja católica na qual o padre Júlio já foi conselheiro, mas que não participa mais.

O movimento A Craco Resiste já se pronunciou ao apontar que não é uma ONG, mas sim um projeto de militância "contra a opressão junto com as pessoas desprotegidas socialmente da região da Cracolândia". 

A Oposição na Câmara de São Paulo, composta por PSOL, PSB e PT, opinaram que a CPI seria uma tentativa de "perseguição injustificada para atrair voto" no ano de eleições municipais. Ao G1, vereadores da Oposição declararam que não irão realizar acordo para instaurar a Comissão contra o padre Júlio Lancellotti e as ONGs que atuam na Cracolândia. 

O vereador Senival Moura (PT) já indicou que "O PT é contra e vai obstruir e fazer o que for para barrar essa ideia equivocada". Sobre essa mobilização do partido, é indicado por Romoaldo de Souza, da coluna do JC, que a sigla irá pedir para que Lula se posicione em apoio do padre Júlio Lancellotti e indique sua contrariedade em relação à instalação da CPI. 

CPI PADRE JÚLIO LANCELLOTI: PADRE SE PRONUNCIA SOBRE CASO

Em resposta à situação, o padre Júlio Lancellotti declarou que não é dono de ONG e que seu trabalho na Cracolândia ocorre em "atividade da Pastoral de Rua" uma ação da Arquidiocese de São Paulo no local, sem nenhum tipo de dinheiro público.

A Arquidiocese da cidade também se manifestou sobre o caso e indicou "perplexidade" na situação, além de ressaltar a importância dos trabalhos que o padre Júlio tem realizado. 

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