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Isolamento pode gerar ansiedade nos pets e até automutilação

Médica veterinária explica problemas que podem surgir com falta de passeios e ambientes que estimulem o animal; confira dicas para driblar situação na quarentena

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 14/04/2020 às 13:12
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Pixabay
Cachorros podem sofrer com a falta de passeios e desenvolver comportamentos que afetem a saúde deles - FOTO: Pixabay
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Por Priscila Miranda, da Coluna Meu Pet

Assim como as pessoas que estão em quarentena têm momentos de tédio, impaciência, estresse, ansiedade e precisam ter cuidados com a saúde mental, os animais de estimação que estão confinados durante a pandemia do novo coronavírus também podem sofrer os efeitos colaterais de passar muito tempo em um mesmo ambiente. Para eles, a falta de um local em que possam exercer seus comportamentos naturais consegue gerar ações negativas, afetando inclusive a saúde.

A médica veterinária comportamentalista Aina Bosh explica que é importante que o tutor avalie que tipo de ambiente é necessário para cada animal de estimação e crie alternativas que o ajudem a enfrentar não só momento de isolamento social, mas também a convivência dentro de casa para além do período da quarentena.

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“A necessidade de um preá é diferente da de um cachorro, que é diferente da necessidade de um felino, de um gato. Então, as ferramentas que a gente insere nesse ambiente também precisam ser diferentes e ajustadas para cada espécie. Quando ele não pode vivenciar seus comportamentos naturais, existem os efeitos colaterais, inevitavelmente”, afirma.

Com relação aos cães, a especialista explica que o encurtamento ou a interrupção dos passeios pode afetar de maneira considerável o comportamento deles. Entre os efeitos colaterais percebidos em cachorros em isolamento, estão lambidas e coceira em excesso, com casos até de automutilação. “Hoje uma cliente falou comigo de uma cadelinha que está se automutilando de tanto lamber as patinhas, porque houve o corte do passeio.”

A saída para driblar a falta de passeios e espaços que estimulem o animal é, segundo a veterinária, o enriquecimento ambiental, que consiste em criar ambientes e ferramentas, como brinquedos, que estimulem a inteligência, a atenção e as emoções dele para garantir um maior bem-estar.

Para cachorros, por exemplo, Aina indica o enriquecimento ambiental que estimule o comportamento cognitivo do animal através da alimentação. Para gatos, além do estímulo alimentar-cognitivo, o ideal é um enriquecimento físico do espaço, com locais em que o animal possa subir.

“O cachorro é um mega caçador. Ele se alimenta depois de ter desenvolvido um grande trabalho de caça e tem a recompensa alimentar. Já o felino precisa de um ambiente mais rico fisicamente, de verticalização, poder subir e observar o ambiente de cima. Isso traz para ele uma sensação de controle e conforto.”

Confira como criar brinquedos que estimulam o enriquecimento ambiental no vídeo abaixo:

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