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Secretaria Estadual de Saúde nega ao MP antecipação da vacinação dos rodoviários do Grande Recife

Categoria tem feito protestos pela cidade e ameaçava uma paralisação por vacinas

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 17/05/2021 às 11:23
Notícia
TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
No setor de transporte, a leitura é de que o governo do Estado cogitou a antecipação para tentar acalmar os ânimos dos rodoviários, mas recuou depois que o MPCO fez questionamentos - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Leitura:

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) negou que, pelo menos por enquanto, irá antecipar a vacinação dos motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana do Recife. A negativa foi informada oficialmente ao Ministério Público de Contas de Pernambuco, órgão de controle estadual que pediu explicações ao governo do Estado sobre a antecipação da imunização dos rodoviários. O ofício foi assinado pela secretária-executiva de Vigilância em Saúde, Patrícia Ismael de Carvalho, e encaminhado no dia 14/5, cinco dias depois da notificação. A categoria tem feito protestos pela cidade e ameaçava levar para votação em assembleia uma paralisação do serviço por vacinas.

No ofício, a SES explica que a antecipação da vacinação da categoria dependerá da chegada de mais imunizantes. “Esta secretaria informa que a vacinação do grupo em questão não foi antecipada, contudo os trabalhadores do transporte coletivo fazem parte de grupo prioritário e serão contemplados de acordo com a disponibilidade de doses encaminhadas pelo Ministério da Saúde”, afirma trecho do ofício encaminhado ao órgão de controle. A chegada de mais vacinas que permitissem avançar na imunização dos grupos prioritários já era condicionante para a antecipação, mas as informações repassadas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Seduh) era de que o governo tinha decidido que anteciparia a vacinação dos rodoviários e que pretendia viabilizá-la ainda em maio.

TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
No setor de transporte, a leitura é de que o governo do Estado cogitou a antecipação para tentar acalmar os ânimos dos rodoviários - TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM

Eles não podem parar. E estão morrendo

“A SES apenas confirmou o que eu já imaginava: que a antecipação só acontecerá respeitando a hierarquia dos grupos prioritários. Ficou claro que as prioridades não serão invertidas, até porque temos as pessoas em situação de rua e os trabalhadores da educação, por exemplo, na frente dos profissionais do transporte público. Entendo que há um desejo que as doses pudessem atender a esses grupos para chegar ao rodoviários, o que, infelizmente, não está sendo possível. Sendo assim, não será necessário instaurar um procedimento interno de fiscalização, vamos apenas acompanhar”, afirmou a procuradora-geral do MPCO, Germana Laureano, que assinou o questionamento à SES, tendo como base a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) definindo que os Estados e municípios não podem alterar a ordem do Plano Nacional de Vacinação da covid-19.

Vale lembrar que o MPCO abriu um procedimento interno de fiscalização para investigar a antecipação, pelo município do Recife, da vacinação dos profissionais da educação básica na capital. E que o município poderá ser responsabilizado.

WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
Categoria tem feito protestos e condicionou a data de 15 de maio para ter uma resposta sobre a imunização do governo. Caso não consiga ao menos uma previsão, promete levar a proposta de greve por vacinas para votação em assembleia - WELINGTON LIMA/JC IMAGEM

ACALMAR ÂNIMOS
No setor de transporte, a leitura é de que o governo do Estado cogitou a antecipação para tentar acalmar os ânimos dos rodoviários, que na última manifestação, realizada no dia 26/4, apresentaram uma carta ao governador Paulo Câmara solicitando um posicionamento até o dia 15/5. E que depois dessa data poderiam levar a realização de uma greve por vacinas para votação em assembleia.

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Havia a informação de que, juntos, os profissionais do transporte público coletivo da RMR somariam menos de 20 mil profissionais. Entre 10 mil e 15 mil rodoviários e 1.800 metroviários. Mas o número é ainda menor - FOTO:TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Categoria tem feito protestos e condicionou a data de 15 de maio para ter uma resposta sobre a imunização do governo. Caso não consiga ao menos uma previsão, promete levar a proposta de greve por vacinas para votação em assembleia - FOTO:WELINGTON LIMA/JC IMAGEM

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