VIOLÊNCIA

Consulado dos Estados Unidos vai ajudar no combate ao crime organizado em Pernambuco

Acordo foi firmado com o Ministério Público de Pernambuco para troca de informações sobre a atuação de grupos no Estado e que possuem conexões com redes internacionais

Raphael Guerra
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Raphael Guerra
Publicado em 19/04/2022 às 6:30
DIVULGAÇÃO/MPPE
Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público quer intensificar combate à lavagem de dinheiro - FOTO: DIVULGAÇÃO/MPPE
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Diante do avanço da criminalidade, um acordo foi firmado, na última semana, entre o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (Gaeco/MPPE) e o Consulado-Geral dos Estados Unidos. O objetivo é justamente a troca de informações entre os órgãos para somar esforços no combate às organizações criminosas que estão atuando no Estado, principalmente aquelas especializadas no tráfico de drogas.

Segundo o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Frederico Magalhães, a parceria vai contribuir com o trabalho que já vem sendo feito, junto às forças de segurança, para desarticular os grupos criminosos. "Esse compartilhamento de conteúdos junto com o Consulado é mais uma força para ampliar o combate à criminalidade e à lavagem de dinheiro. O crime organizado tem braços longos. As organizações têm conseguido avançar muito com a ajuda da tecnologia. A gente tem mapeado, mas não é um trabalho fácil. O problema é em todo o País, e Pernambuco não está fora desse cenário", afirmou Magalhães.

A cooperação deve garantir acesso a informações relativas a organizações criminosas com atuação em Pernambuco e que possuem conexões com redes nacionais e internacionais. Já o Consulado dos EUA poderá contar com acesso a informações relativas ao histórico de cidadãos, que poderão ser consideradas na apreciação de requisições de vistos ou na análise de pedidos de imigração.

ROTA

A prisão do traficante Valdeci Alves dos Santos, de 50 anos, no município de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, no último sábado, chamou a atenção. Apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção do País, ele fazia parte da lista do mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Mas por qual motivo o traficante estava escondido logo em Pernambuco?

"É de conhecimento que essas lideranças de grupos criminosos têm procurado o Nordeste do País para se abrigarem. Um dos motivos é que houve reforço da polícia em São Paulo, fazendo com que eles (os líderes) precisassem migrar para outros locais. O Nordeste é uma região atrativa, por questões logísticas. Os líderes também têm migrado para países como Bolívia e Paraguai, que são mercados produtores de cocaína e próximos ao Brasil. Tanto as drogas como as armas entram com facilidade aqui no País", explicou o coordenador do Gaeco.

80% DAS MORTES TÊM RELAÇÃO COM TRÁFICO

Somente nos três primeiros meses de 2022, Pernambuco já acumula 965 homicídios. Isso significa que, em média, 10,7 pessoas foram mortas por dia. Os dados, divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), são ainda mais preocupantes porque revelam aumento de 16,5% em relação ao mesmo período de 2021, quando 828 assassinatos foram confirmados.

No último mês de março, Pernambuco somou 346 homicídios. É o pior resultado desde maio de 2020, quando 351 pessoas foram mortas. Em comparação com março de 2021, o aumento foi de 26,7%. Foram 73 assassinatos a mais.

Por meio de nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) comentou o crescimento dos homicídios. "Mapeamos as áreas que apresentaram aquecimento das manchas criminais no 1º trimestre, intensificamos a atuação nesses focos e já percebemos uma reversão de cenário em diversas Áreas Integradas de Segurança, a exemplo da AIS-10 (Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca), onde mantemos a Operação Porto Seguro, responsável pela garantia da tranquilidade nessa importante região do Litoral Sul. Vamos manter o combate às facções criminosas. Mais de 80% dos homicídios têm como motivação o tráfico de drogas, e manteremos forte o trabalho de desarticulação e descapitalização desses grupos."

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