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Surto de lesões de pele que causam coceira segue sob investigação no Recife e em Camaragibe

Há relatos dessa condição em outras cidades do Estado, mas oficialmente ainda não foram feitos registros

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 19/11/2021 às 22:48 | Atualizado em 26/11/2021 às 22:16
TV JORNAL/REPRODUÇÃO
Surto de lesões que causam coceira na pele é investigado no Estado - FOTO: TV JORNAL/REPRODUÇÃO
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Um surto de "lesões cutâneas (de pele) a esclarecer" segue em investigação na capital pernambucana e em Camaragibe, no Grande Recife. Há relatos dessa condição em outras cidades do Estado, mas oficialmente ainda não foram feitos registros. Os sinais e sintomas mais comuns são lesões na pele e coceira intensa. Alguns pacientes relatam melhora rápida do quadro, com duração de dois a três dias. Contudo, outras pessoas apresentam uma manifestação mais intensa dessas lesões, ainda com causa desconhecida.

As primeiras ocorrências foram registradas, no Recife, no início deste mês, quando a Vigilância Epidemiológica do município recebeu a notificação de cinco casos de crianças com lesões e coceiras na pele, no Córrego da Fortuna e no Sítio dos Macacos, na Zona Norte da cidade. Desde então, outros casos foram notificados e, até o momento, já há registro de 88 pessoas, de 2 a 96 anos, com os mesmos sintomas. As ocorrências agora já são de diversos bairros da capital pernambucana, segundo a Secretaria de Saúde do Recife (Sesau). "Mas a maioria se concentra em Guabiraba e Dois Irmãos. Estamos investigando várias possibilidades para identificar a causa do problema. As pessoas que apresentam essas lesões estão passando por alguns exames, como hemograma e sorologia para detectar arboviroses, (dengue, zika e chicungunha)", informa a secretária-executiva de Vigilância em Saúde do Recife, Marcella Abath. Ela diz que alguns resultados já saíram, mas a Secretaria de Saúde do município só fará a divulgação quando houver informações consolidadas.

A Prefeitura de Camaragibe também está investigando a presença desses sintomas em pelo menos 60 moradores que buscaram atendimento no Hospital Aristeu Chaves, principal emergência do município. O diretor em Vigilância em Saúde de Camaragibe, Geraldo Vieira, salientou que, na cidade, os primeiros casos surgiram, há 15 dias, no bairro de Ostracil, em uma escola municipal. "A nossa equipe de vigilância ambiental foi até o local e iniciou a investigação." Depois, pessoas de localidades próximas, como Aldeia e Tabatinga, começaram a apresentar os sinais e sintomas. "A maioria são adultos. O quadro dura pouco tempo, de dois a três dias, principalmente se depois que o paciente recebe assistência e inicia uso de antialérgico (sempre com orientação médica). Em outras pessoas, os sintomas são autolimitados (sem exigir tratamento e se resolve espontaneamente)", explica Geraldo Vieira. Ele acrescenta que algumas lesões parecem ter sido desencadeadas por picadas de insetos, mas ressalta que ainda é cedo para afirmar a causa do problema. "Também investigamos se as lesões na pele podem ter relação com água ou plantas", complementa.

O médico infectologista Demétrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), explica que o mais intrigante é que os casos notificados não apresentam um padrão. "A variabilidade das lesões é grande. Por isso, identificar a causa não é simples. Mais de 80% das pessoas acometidas apresentam apenas as lesões de pele e a coceira. Uma pequena parcela também relata febre. Isso pode levar a uma superposição de diagnóstico, o que dificulta a investigação. É um trabalho de juntar peças de um quebra-cabeça", sublinha Demétrius.

Sobre a possibilidade de se tratar de arboviroses, o infectologista comenta que as lesões têm se apresentado de forma diferente do exantema que tende a aparecer nos casos de zika, por exemplo. "Nesses casos de agora, estamos vendo pequenos caroços na pele, que causam coceira, levam a ferimentos, podendo até sangrar, e formam uma crosta." Além disso, Demétrius fala sobre diferenças na duração dos sintomas. "Há pacientes que ficam bem rapidamente, mas há outros em que o quadro demora mais de dez dias, mesmo quando seguem o tratamento para alívio das manifestações (lesões e coceira)", diz.

Ontem o Real Hospital Português (RHP), localizado no bairro de Paissandu, área central do Recife, informou que já notificou seis casos de pessoas com lesões na pele sem causa definida. A primeira pessoa com suspeita de erupção cutânea chegou à unidade no dia 10 de novembro. "Todos os pacientes tiveram alta no mesmo dia, com atendimento apenas na emergência do hospital", esclareceu, em nota, o RHP.

Devido ao número de casos no Recife, a Sesau emitiu um alerta epidemiológico para que as unidades de saúde das redes pública e privada notifiquem imediatamente o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) do Recife após o atendimento de um caso suspeito. Ainda segundo a secretaria, os casos têm sido discutidos com a equipe clínica, a fim de identificar essa condição. "As investigações epidemiológica, entomológica e laboratorial estão em andamento."

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância à Saúde (Cievs) só foi notificado pelo município do Recife sobre um surto de casos envolvendo o aparecimento de lesões cutâneas e prurido (coceira). "Desde a notificação dos casos, a SES está acompanhando a evolução das investigações realizadas pela Secretaria de Saúde do Recife e dando o apoio técnico necessário", diz.

 

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