PANDEMIA

Covid-19: Pernambuco registra o maior número de casos diários desde junho de 2021

Estado confirmou 3358 casos em boletim divulgado neste sábado; aumento da média móvel dos últimos 14 dias é de 275%

Emannuel Bento
Emannuel Bento
Publicado em 22/01/2022 às 13:05
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
PANDEMIA Centro de testagem para detecção de virús COVID-19 no Sesc Santo Amaro, no Recife - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) registrou, neste sábado (22), 3.358 infecções por covid-19. É a primeira vez em que o número de casos diários ultrapassa a média de 3 mil desde 18 de junho de 2021. Um total maior do que o apresentado hoje só foi contabilizado em 15 de junho (3.622 casos). Em comparação com o registrado há 14 dias, o aumento da média móvel é de 275%.

Desde que ômicron começou a circular em Pernambuco, a partir da segunda quinzena de dezembro (considerando as datas em que foram coletadas as amostras dos pacientes infectados pela variante), o número de casos de pacientes com covid-19 só faz aumentar. Os dados deste sábado reforçam essa tendência.

Entre os confirmados, 45 (1,3%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 3.313 (98,7%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 667.212 casos confirmados da doença, sendo 55.685 graves e 611.527 leves. Também estão sendo contabilizados sete óbitos, ocorridos entre os dias 19/03/2021 e 20/01/2022. Com isso, o Estado totaliza 20.581 mortes pela Covid-19. Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela Secretaria.

De acordo com dados divulgados no último domingo (16), cerca de 87% dos 952 leitos de terapia intensiva estão ocupados em Pernambuco. Isso significa que 828 pessoas com SRAG lutam pela vida em UTIs de hospitais públicos. O Estado tem 1.846 leitos da rede pública, sendo 952 de terapia intensiva (UTI) e 894 de enfermaria. 

Ômicron corresponde a 90% dos testes sequenciados

Mais um relatório de circulação de linhagens de SARS-CoV-2 elaborado pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz-PE) e divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), na última sexta-feira (21), apontou a prevalência da variante Ômicron no território pernambucano.

Dos 158 genomas analisados, 145 (91,8%) foram identificados como linhagem Ômicron e 13 amostras (8,2%) foram identificados como linhagem Delta. As amostras analisadas foram coletadas entre os dias 28/12/2021 e 13/01/2022. Na última sexta-feira (14), a prevalência da variante Ômicron foi de 68% nas amostras analisadas.

Apesar da variante, PE tem queda na taxa de letalidade

De 20 de dezembro a 19 de janeiro (período de circulação da ômicron), segundo apurou o JC com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram confirmados 16.259 casos de covid-19 em Pernambuco, sendo 324 registros de quadros graves e 15.935 leves. Nesse período, foram 68 óbitos em decorrência da doença. Com isso, a taxa de letalidade pelo coronavírus foi de 0,42%.

O índice é bem menor do registrado em abril de 2021, quando o Estado teve indicadores em patamares elevados com a predominância da variante gama. Naquela fase da pandemia, foram confirmados 60.552 casos em território pernambucano, com 2.004 mortes - letalidade chegou a 3,3%.

Já no pico da primeira onda de covid-19, em maio de 2020, essa taxa foi de 13% em Pernambuco, considerando a proporção a partir de 3.262 óbitos e 25.066 confirmações da infecção causada pelo vírus original, de Wuhan, na China. 

A queda na taxa da letalidade, observada agora, tem relação com o avanço da imunização contra a covid-19, segundo destacam especialistas em imunização.

"A pandemia não dá trégua. Em duas ou três semanas em Pernambuco, estaremos vivendo o auge no número de casos novos da ômicron. Mas esse cenário é desassociado da curva de internamentos e óbito, pois as vacinas permitiram que isso acontecesse", explica o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, que é representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) no Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação contra a Covid-19.

Ele acrescenta que, ainda assim, os cuidados devem ser reforçados neste momento. "O número excessivo de casos novos leva a uma pressão nas unidades de saúde, sem dar conta de tantos pacientes doentes ao mesmo tempo. O que vemos hoje é que as pessoas que completaram a imunização contra o coronavírus estão assintomáticos ou com quadros leves, que podem ser tratados em casa. Entretanto a quantidade de pessoas que não tomaram a segunda e a terceira dose ainda é grande", frisa Eduardo Jorge. No Estado, segundo a SES, 517.218 pessoas precisam completar o esquema vacinal da covid-19. Sem a segunda dose, a chance de infecção e de agravamento aumenta bastante".

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